sexta-feira, 2 de março de 2012

O Foco e da Dona Foca...

Numa determinada aula de natação para uma criança muito destraida de 4 anos a avó abre a porta da piscina e grita histérica "Tenha foco Lorena.

FOCO!"

Passado o momento de histeria e loucura pergunto

"Você tem foco Lorena?"

"Eu não!!!!"

"Mas o que é foco?"

"É o namorado da foca, ué!!!!"

História real contada no facebook pelo professor de natação e amigo Fernando Resende, seguida de um oportuno comentário ˜Percebeu a eficiência da Bronca"????? ;-))))))

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A sabedoria do "Meio Termo"

Essa semana comprei algumas revistas para ler no Carnaval. Pra quê?

Me deu nos nervos.

Sempre que aparece um tema polêmico, complexo ou de difícil resposta nas nossas discussões mundo afora, sacamos do colete respostas prontas que sempre soam como a solução ideal para qualquer discussão, não importa qual.

"Você precisa ouvir o seu corpo".

"Descanso também é treino".

"Cada um é um..."(sic!)

"O corpo manda sinais"

Esse conjunto de apetrechos de retórica pronta é de grande utilidade e anda muito em voga em colunas de "experts" que mandam brasa em revistas especializadas.

Aliás, abre parênteses:

Por quê essa Revistas não mandam para o espaço esses figurões, donos de assessorias de boutique, que já prestaram serviços a nação, mas abdicaram de pensar e agora vivem de falar obviedades para entupir o bolso de dinheiro?

Por quê não colocam pra escrever esses meninos que saem da faculdade, estudam e fazem pesquisa para arejar um pouco as idéias ou dão uma chance para esses caras de assessorias menores, que tem experiência e estão mostrando serviço já faz tempo?

"Pesquisa" em Revista assim, tirando as exceções de sempre, aparece em box apenas quando, mesmo sendo inútil, desperta alguma curiosidade, tal como "Estudo realizado na Universidade X aponta que os indivíduos que dão dez cambalhotas e roem as unhas do dedão do pé antes de correr apresentam 78,6% mais probabilidade de se lesionarem do que aqueles que não dão cambalhotas e costumar freqüentar uma pedicure regularmente."

Agora, fecha parênteses.

Essa profusão respostas prontas nos desobriga de pensar e nos dá a (falsa) sensação de segurança.

Porque quando são utilizadas em debates de idéias, parecem tão consensuais que são capazes de resolver conflitos, já que são verdades aparentemente tão acachapantes que ninguém precisa discutir o assunto.

Vai discutir com alguém que "você tem que ouvir o seu corpo"? Vão te chamar de doido.

Ultimamente, sei lá porque, ando de implicação com outra idéia que me atormenta até em sonho: "Equilíbrio".

"Equilibrio" é o mantra da "sabedoria do meio termo" e que virou recurso muito comum por técnicos de assessorias que usam e abusam do senso comum para dizerem o que a minha mãe, a mãe da minha mãe e a avó da mãe da minha mãe já diziam sem ter faculdade, isto é, "Nem tanto ao céu, nem tanto a terra".

Tudo bem que basta você por o pé na rua e adentrar a uma sociedade completamente neurótica, histérica, compulsiva, predatória e tão consumista em que até o "bem-estar" virou mercadoria de prateleira para notar que não resolve muito ser "equilibrado" se o resto do mundo não é.

Essa coisa de "Equilíbrio" é bonita nos livros de auto-ajuda de quinta categoria do Paulo Coelho.

Porque ler Paulo Coelho é bico! Difícil é ler literatura portuguesa (ou inglesa, francesa...) de qualidade.

Conseqüência disso é como pipocam "pensamentos" nas chamadas redes sociais. Na grande maioria dos casos, são atribuídos a autores que nunca escreveram necas daquilo.

É punk a gente ver frase de um anônimo-mané-qualquer atribuída ao Mario Quintana no facebook.

Pô gente, nós encaramos ironman, maratonas, ultramaratonas que são das coisas mais difíceis nesse planeta, mas alimentamos nossa massa cinzenta com literatura de, digamos, "qualidade discutível"?

Tudo bem, não precisa ler "O Guarani" do José do Alencar.

Mas sua bike vale 20 paus e você não pegou na mão sequer uma Antologia Poética do Carlos Drummond de Andrade?

Só conhece "E agora José" porque viu o Cid Moreira declamar o poema no Fantástico? :-((((

Cacilds!!!!!

Mas, espera....

Tô com a sensação que queimei meu filme....

E não fui muito justo porque generalizei, né?

Verdade.

Aliás, nem sei porque desembestei a falar sobre esse assunto...

Voltando ao assunto "equilíbrio".

Como esse blog é de triathlon, vou me arriscar a dizer o seguinte: se você escolheu fazer esse esporte e se dedicar a ele...bom, então "equilíbrio" é tudo que você não vai achar aqui.

Do ponto de vista do nosso "estilo de vida", é fácil ver que nossa relação com os compromissos familiares e profissionais ficam totalmente embaralhada.

Não "embaralhada" no sentido de que não há uma ordem

Ordem há.

O problema é que essa ordem distoa de 99,9% dos humanos que levam suas vidas de forma rotineira e socialmente aceitável - e entre esses está a sua família, seus amigos e o povo que trabalha contigo.

E tentar ajustar todas as engrenagens é coisa de louco.

Mas sempre surge alguém com aquela sabedoria de botequim e lhe diz "você precisa encontrar um "equilíbrio".

Naturalmente, isso me estressa mais ainda e o "alguém", logo percebendo que vou chutar o balde (e algo mais), arremata:

"Tá vendo como tô com a razão?? A gente quer ajudar e você fica todo descompensado!"

HÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ.... ;-)))))

Bom, a forma como eu encaro o assunto é o seguinte: ao invés de ficar pensando em correr de um lado para outro como se fosse aquele malabarista chinês que equilibra pratos em espeto de bambú, já sou tão pragmático que admito que alguns pratos vão pro chão.

As vezes (não todo dia, não toda hora) eu simplesmente me pergunto da forma mais realista possível "onde é que vou perder menos?"

Por isso que esse esporte serve para nos amadurecer. Porque se faz escolhas e se lida com elas.

Sim, porque ao escolher algo, outras coisas deixam de ter prioridade. E apenas meninos mimados acham que podem ter tudo e tudo ao mesmo tempo.

Como dizia Pete Tosh "Everybody wants to go to heaven, but nobody wants to die".

(Se é que essa frase é dele...;-)))))

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Texto em linha reta....

Quando ocorre uma acidente com um ciclista ou triatleta provocado por motoristas, os nervos ficam a flor da pele.

Se esses acidentes se repetem no espaço de poucas semanas, a situação parece insustentável.

Não vou fazer uma discussão sobre a relação predatória entre que motoristas e ciclistas. Os posts nos Blogs do Ciro e do Max e a excelente discussão que segue no espaço dos leitores realmente resumem tudo o que se pode dizer sobre o assunto.

Ou melhor: quase tudo.

Uma coisa que me incomoda nessa discussão é que a "ficha cai" apenas quando há a morte de uma triatleta ou um ciclista.

Entretanto, indo direto ao ponto: por quê não ficamos igualmente chocados quando esse tipo de barbárie atinge os ciclistas mais pobres que não são atletas?

Bem, as últimas estatísticas dizem o seguinte: em 2001, os acidentes de trânsito com ciclistas vitimaram 1.000 pessoas. Em 2009, foram 1.600 mortes.

Cadê a indignação com essas estatísticas estarrecedoras?

Ahhh, sei...não são triatletas, é isso?

Nós repetimos o problema da classe média mais elitizada nesse pais: as questões só se tornam visíveis pra nós quando batem a nossa porta ou a do nosso vizinho.

Grande parte das mortes não são de pessoas com o perfil sócio-econômico como o nosso ou dos camaradas que brigam por mais ciclovias em Moema.

Esses são educados, tem recursos e são formadores de opinião capazes de brigar por seus projetos no gabinete do Prefeito ou do secretario de transportes.

Já a grande maioria dos ciclistas que "estão por ai" são pessoas totalmente expostas e desprotegidas que, não tendo renda para se deslocarem entre a casa e o trabalho com algum tipo de automóvel ou pelo sistema público de transporte, utilizam a bicicleta como veículo.

O nível de vulnerabilidade dessa população no trânsito é assustador.

Uma pesquisa feita em Pelotas, no Rio Grande do Sul, nos diz o seguinte: 2/3 das pessoas que utilizavam bicicleta (cerca de 18 mil pessoas) o faziam para ir ao trabalho, sendo que 80% delas a usavam a noite e 70,0% em dias de chuva - o que reforça a probabilidade de acidentes, pois em relação aos equipamentos de segurança exigidos pelo Código de Trânsito Brasileiro, somente 0,3 das bikes tinham todos os equipamentos e 55% tinham apenas um equipamento. Em 90% dessas bicicletas não havia espelho retrovisor.

E freios? 15% circulavam sem nenhum.

Bem, e estamos falando de Pelotas, que não é uma cidade mal situada no ranking das cidades com melhor Índice de Desenvolvimento Humano. É possível imaginar a situação nas grandes áreas metropolitanas e nos chamados "municípios dormitórios".

Hoje no Ironbrothers nosso amigo Curado estava preocupado com o número de ciclistas que utilizam suas bicicletas alcoolizados. Ele propõe um campanha que tenha uma visão global do problema, pois retirar os abomináveis motoristas bêbados do trânsito é parte do solução - parte fundamental, mas apenas parte.

Com esse texto, não estou querendo aqui dizer que a morte de um ciclista ou triatleta não é chocante e muito menos que não devemos protestar até perder a voz cada vez que uma vida humana se perde.

A morte de qualquer um ou de mil é uma perda inestimável. Não se trata de números, que fique bem claro.

O que estou querendo chamar a atenção é que essa coisa intolerável acontece todo dia!!!!

TODO DIA!!!!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Internacional de Santos 2012


Ano passado, mais precisamente no dia 20 de fevereiro, eu anotava aqui no Blog depois de ter alcançado um PB no Internacional de Santos.

"(Fiz ) a prova para 2:27:53, cerca de quatro minutos abaixo do meu melhor tempo em triathlons Olímpicos até o momento. PB. (...) Mas esse meu lado mais crítico diz assim: alguns minutos não indicam que você mudou de patamar. Para isso, o ideal teria sido na casa dos 2:20. ;-)))"

"Mudar de patamar" no contexto que escrevi era uma forma de registrar que melhorar alguns minutos é inegavelmente bom, mas pode resultar de questões circunstanciais: um dia sem correnteza no mar, pouco vento ou uma manhã sem sol podem nos fazer alcançar nossos "PBs", digo, nossos recordes pessoais.

Exemplo.

Em 2009, minha natação no Iron foi para 1:26. Em 2010, caiu para 1:05.

Nunca nadei tanto em tão pouco tempo.

Virei uma baita nadador? Nada disso. Em 2009 deu tudo errado e, no ano seguinte, a correnteza Floripa nos empurrou para a praia.

Só em 2011 eu realmente alcancei um tempo compatível com a minha real capacidade de nadar.

Mas é o meu tempo de 2009 que está registrado na minha história pessoal.

E não significa nada.

Em outros momentos, sinto que realmente eu consegui alcançar "algo".

Esse "algo" é muito subjetivo. Nem vou tentar explicar, pois se eu já me enrolo para explicar as coisas mais triviais, imagina como iria trupicar nas pernas para falar sobre uma coisa metafísica tal como "algo".

Porque os que podem e tem condições de disputar um pódium, uma vaga para Kona ou Los Angeles, bem, esses tem uma medida muito objetiva do que é o desempenho.

Mas a grande maioria de nós temos apenas objetivos pessoais e alguma esperança - conquistar a distância de um Iron, fazer um sprint abaixo de 1:10 ou ganhar uma vaga para o mundial na rolagem das vagas.

"Algo" pra mim é assim: eu pego o ranking de uma prova com a distância de um triathlon olimpico e vejo que fiquei em 20, por exemplo.

A diferença entre o 20 e o 15 é de apenas um minuto, que julgo muito pouco: cinco posições pra baixo, cinco para cima pode ser apenas o resultado de uma questão de momento, de alguns detalhes, enfim....

Nesse quadro, tem ano que eu fico um pouco na frente, tem ano que fico um pouco atrás.

As vezes parece que estou regredindo. As vezes parece que estou avançando.

Mas no fundo, no fundo estou no mesmo lugar.

Assim entendo "mudar de patamar" como uma coisa mais consistente, em que eu pulo de uma faixa pra outra. Pode ser sua faixa de tempo, colocação ou mesmo nadar, pedalar ou correr como aqueles amigos que fazem coisas que eu invejo.

Simples e muito intuitivo, sabe?

Era assim que eu pensava ano passado. Melhorar, mesmo, seria alcançar no Internacional de Santos 2:20. Chegar junto com "os caras" que ficam no bloco intermediário entre os que ganham e os que ficam um pouco atrás.

Mal falando, não é a "elite"; é uma "classe média alta". (rs)

Para fazer valer a pena o Internacional de 2012, eu teria que subir um degrau na escada.

Mas seria difícil.

Como estamos no começo do ano, os resultados dos treinos de cada dia foram sofríveis, em que pese ir melhorando aos poucos...

Quando eu olhava o que acontecia no dia a dia, não projetava nada em termos de desempenho. Nas duas primeiras semanas tive dores musculares e alguns dias fiquei sem poder treinar por conta disso. Fora que me sentia com 120 quilos....

Só que o resultado da prova foi diferente.

A sensação foi que "o todo" (a prova) não foi igual a soma das partes (cada dia de treino).

Acho que nesses momentos mais complicados, não conseguimos ter uma perspectiva do nosso estágio de preparação: como vou fazer o melhor em um prova disputada, difícil, se não consigo ao menos dar conta das pequenas batalhas na rotina dos treinos do dia a dia?

Eu vou lá fazer o quê?

Ai entra o coach...

Mas vamos aos poucos...

Treinos

Esse ano o Internacional foi mais cedo que o ano passado. Quando o Rodrigo Tosta me enviou a planilha, pediu para dar uma segurada na intensidade nas duas primeiras semanas de janeiro. Além disso, seria um período de retomada e, portando, de treinos curtos que mal extrapolavam uma hora.

Mas não "treinei menos". Treinei mais...

Como acordar cedo tornou-se um hábito, incorporei às manhãs de terças e quintas um pouco de musculação, alongamento e um pouco funcional na academia.

Não fiz isso pensando em performance. Foram basicamente por dois motivos: primeiro, porque gostaria de não me machucar tanto como aconteceu no segundo semestre do ano passado. Pode dar certo, pode não dar. Mas eu estou me esforçando....

O segundo motivo é que os treinos são curtos, como disse - só que alguns deles são intensos. E intensidade é algo me que dói mais mental do que fisicamente.

Ir na academia pela manhã sabendo que não estou lá para sofrer me ajuda a suportar esse período. Não que seja "facinho" - são exercícios com esforço moderado, sendo que alguns bastante desafiantes.

Com isso, passei a treinar todos os dias em dois períodos.

As segundas-feiras, eu fazia nadava pela manhã. Basicamente volume com esforço progressivo. A noite, fazia alongamento em casa.

Na terça-feira, uma hora de academia pela manhã mirando as pernas e, a noite, um treino no rolo - aquecimento, depois 5 x 1 minuto forte a 90 rpms e mais 10 forte com 70 rpms. Duas vezes. Treino curto, mas tinha que ser forte!

Na quarta-feira pela manhã natação, cuja parte principal era um TT de 1k ou 20 chegadas. Ao final, saia da água imprestável, mas a noite eu corria 40 minutos aqui perto de casa e fazia mais alongamento para descontrair.

Quinta-feira, mais musculação pela manhã, mas com foco no tronco. A noite, mais rolo: treino muuuuito pesado: 5, 10 e 15 minutos no Big Gear - coisa de 45 rpms FORTE.

Mas esse eu até gostava, viu? Saia ensopado, mas sem aquela sensação de "afogamento".

Sexta-feira pela manhã outra vez na piscina. Coisa de 45 minutos. A noite, corrida puxada na esteira - 20 de aquecimento, 3 x 1 minuto no talo e 1 médio para não deixar a frequência cair muito e, em seguida, 10 minutos moderado/forte. Isso três vezes.

Treino difícil. Quando na planilha está escrito "moderado", eu por hábito sempre faço "moderado/forte" porque não gosto de sair de um exercício com a sensação de que o treino foi "tranquilo" - a exceção de quando está explicitamente colocado que deve ser "fácil".

Nem dava tempo de descansar e no outro dia lá estava eu no Campo de Marte para fazer 800 forte e 200 relax, 800 forte e 200 relax...até alcançar 1ok.

Mesmo com as pernas travadas e me sentindo pesado, fui melhorando semana a semana.

E, finalmente, um pedal Time Trial de 40 Km no Riacho Grande - que eu só fiz uma vez lá, pois choveu muito em janeiro. Substitui pelo rolo, fazendo a mesma distância aqui na sala de casa....

Resultado? Excelente!!!!!

Quebrei no primeiro domingo. Quebrei no segundo. Quebrei no terceiro. ;-))))

Eu errava a intensidade todas as vezes e nem dava 20k, mas empurrava o pedal até o final por pura teimosia.

Eu tinha que me testar antes do Internacional, pois tinha feito o Bike Fit com o Pipo em dezembro e não tinha pedalado uma vez sequer na rua depois do 70.3 de Miami.

Fui para o Riacho uma semana antes da prova. Fiz os 40k lá com média de 36.5 km/hora, gemendo como um burro velho naquelas subidas da p%$%#%...

Mas sabe quando você está tanto tempo sem fazer um treino que chega a perder a noção se está bom ou tá ruim?

Ainda lá perguntei para o Clodoaldo Oliveira o que ele achava, se era razoável e ele respondeu "Ôôôôôô...". :-)))))

Mas escrevi para o Rodrigo que a prova era cedo demais e que não tinha dado tempo de me preparar como eu queria. Tinho feito apenas um treino de transição...

Ai ele me tranquilizou (como sempre) e a gente combinou que, bem, o que importava era fazer o melhor.

Pensar apenas nisso.

Não teve polimento, apenas um dia de descanso no sábado.

A Prova

Esse ano cheguei em cima da hora e fui logo arrumando as coisas. Como estava tenso, também fiquei mais focado e fui logo para a praia. Mas só consegui molhar o corpo.

E começar sem aquecer não é bonito....

Antes da largada, parei ali na areia e olhei as bóias. Pensei "a bóia que eles colocam para a elite está ali no meio. Portanto, tenho que ignorar essa que está mais perto e mirar aquela lááááá atrás".

Beleza!

O mar estava uma piscina, mas a gente tinha que andar muito dentro da água antes de começar a nadar.

Tudo bem...

Comecei a nadar, nadar, nadar...e rapidamente notei que a primeira bóia estava pertinho.

Pensei "Nossa, tô bem...."

Beleza (2)

Mas....

"Espera! Mas está pertinho demais essa bóai, hein?"

Ganha um doce quem conseguir advinhar para qual bóia o esperto aqui nadou...

Bidú. :-((((((

Virei o corpo para a direita e vi a bóia correta no fundo do mar....

E vou eu lá atrás dela.

Só que não estava me sentindo muito bem. Meus braços doiam. Nadei como deu, mas sentia que vinha um povo atrás e que eu estava entre os últimos.

O resultado foi longe do esperado: 00:28:21, sendo o 32º colocado na categoria.

Sai da água e fiz uma transição até decente, pois nadei com um speedsuit e tirei rápido.

O começo do pedal em Santos é complicado, porque as condições do asfalto são muito irregulares.

Tem trecho bom, tem trecho que arranca dentadura.

Como tenho um DNF em razão de um tombo por aquelas bandas minha estratégia era conservadora até a Anchieta.

Quando saimos do trecho urbano, abri uma boa distância de quem estava pedalando comigo naquele inicio.

De uns tempos para prá, meu pedal em provas de triathlon é Time Trial. Eu simplesmente pedalo como se não fosse correr depois.

Porque eu sei que dá. Não consigo explicar se é acumulo de tempo no triathlon (embora esse seja bem curto) ou o fato de pedalar "travado" e com passadas curtas depois.

Sei apenas o seguinte: quando sair para correr as pernas vão estar "soltas".

E, tem outra coisa - tenho uma coisa com a minha bike que vou te contar!!!!

Olha, minha Fuji Aloha 1.0 é de alumínio e baratinha, baratinha. Só que, não sei explicar, comigo ela simplesmente funciona!

Como ela, gosto de ver minha sombra projetada no asfalto e gosto mais ainda do ouvir aquele som da roda girando quando despejo potência no pedal.

Bem, pedalei contra o vendo na ida e fiz a primeira parte com média de 37 km/hora. Entretanto, no retorno, vinha um pelotão gigante.

Gi-GAN-TE.....

Lembrei de um toque do Kleber Correa - encosta no muro da Anchieta e pedala forte.

Foi o que fiz. Fui ultrapassando fácil, mesmo sentindo que as vezes estava um pouco afogado e com as pernas ardendo nos momentos em que eu tinha que ultrapassar os caras mais fortes.

Só que depois mue fôlego voltava ao ritmo normal e minhas pernas paravam de arder.

Estava indo para 38,5 km/hora e subindo, subindo, subindo....

Só que perto da área mais urbanizada o pelotão, que ficou menor, me alcançou. Parece uma chuva de meteoros...um, dois, três, quatro, cinco...oito...dez...vão te ultrapassando.

Tirei o pé para deixar os caras passarem.

Entretanto, pelotão de triatleta em que o vácuo é proibido é coisa de gente fraca (e covarde) que precisa dos outros para fazer algo que deveria fazer por sua própria conta.

São ciclistas fracos porque juntos eles te alcançam, mas não tem força para ir embora!!!!!

No Riacho Grande os pelotões dos ciclistas não te dão chance.

Mas lá me Santos, não. Eu rapidamente chegava nos caras novamente, ia para a esquerda e pedia passagem.

Ia para frente.

Só que o rapaz que puxava os caras (ele sim, muito bom) me seguia e trazia novamente um, dois, três, quatro, cinco...dez caras me ultrapassavam em sequência!!!

Eu pedia ao fiscal que acompanhava o pelotão (sim, ele "acompanhava") que acabasse com aquilo.

Eu estava querendo ir embora e ao mesmo tempo morria de medo de ser fotografado naquela situação.

Só que o fiscais (aliás, Moto 11) apenas pediam para o pessoal ir para a direita para dar passagem!

Apenas isso!

E ninguém atendia o fiscal. O cara da minha frente, para quem eu gritava "esquerda, esquerda..." virou pra mim e disse " não, dá! A gente não pode perder o lider".

Juro por Deus! :-((((((

Virei para o fiscal e gritava com ele que aquilo era um absurdo! Ai o sujeito me disse "vácuo era proibido apenas para a elite".

Eu tive vontade descer da bike para tirar o capacete e jogar naquela moto!!!!

Quando chegamos na cidade já não era possível fazer mais nada, pois se pedalava entre os cones onde apenas duas bikes podiam passar.

Tirei o pé para aquele povo ir embora e quando olhei a média tinha despencado.

Acho que sou o único otário capaz de utilizar um pelotão para prejudicar a sí mesmo.

Só que prefiro que seja assim do que ficar no meio de um agrupamento e depois dizer "Eu não queria, mas não teve jeito, né? Fazer o quê..."

Sei....

Tentei retomar naquele retão antes da transição. Pedalei forte, mas sempre pedindo para ultrapassar os que estavam na frente e pedalando em grupo.

O resultado não foi ruim e consegui 1:04:39 (contra 1:11 de 2011). Considerando que na bike se conta as duas transições, só o pedal mesmo deu pouco menos de 60 minutos.

No contexto da prova, a coisa já tinha melhorado bastante, pois fui o 8º da categoria com esse pedal.

Bom, costumo ser "folgado" nas transições, mas fiz uma T2 relativamente rápida e fui embora.

Minhas pernas estavam bem e não senti o esforço da bike. Como tinha feitos de 10k com com "tiros" de 800 metros, estava bastante confiante que não iria quebrar.

E, pôxa, para quem fez só prova de 70.3, correr 10k não seria aquele drama.

Só que não importa, sempre é um drama!

Porque quando você está buscando "algo" (lembram do "algo"?) nunca para de fazer força. Se diminui a distância, você faz mais força ainda.

E como fiz força!!!!

Como vinham uns cara bons no meu encalço, como o Luis Tinello, pensava que deveria em acelerar em algum momento.

"Vou acelerar nos últimos 5k."

"Não, não...vou acelerar nos últimos 4k."

"Espera... deixa para quando faltarem 3k."

"Pôxa, vou esperar mais e ir com tudo nos últimos 2k."

"Huuuummm...acho que vou deixar para o último quilômetro...."

"Caramba, um um quilômetro é muita coisa! Deixa chegar nos 500 metros finais..."

Na real mesmo, só quando entrei na areia dei aceleradinha....:-))))))

Fiz a corrida para 0:45:28 contra 0:49 no Internacional do ano passado.

Considerando minha faixa etária, foi a 10º melhor corrida.

Resumo: não fosse a natação horrível, daria para ter ficado entre os dez.

O resultado global de 2:18:20 - 15 na faixa e 219 no geral.

Feliz? Bom, o Vagner do ano passado e que escreveu aquele post no Blog está bem satisfeito.

O que está aqui na frente do computador, por outro lado, está pensando "foi bom, mas eu poderia ter feito melhor. Tenho que nadar de forma descente, menos estúpida e fazer mais força no pedal para ficar longe dos pelotes. Dava para ser 2:15!!!!!"

Esse lado critico pode ser bom para a gente não se acomodar, sentar em cima das metas alcançadas e achar que agora pode comer pururuca com torresminho...;-))))

Mas as vezes parece uma maldição - nada, nunca está bom!

domingo, 15 de janeiro de 2012

A Árvore e a Floresta

Uma coisa que me passou pela cabeça nesses tempos de muita discussão (e poucas conclusões) é a forma como nós nos livramos de certos problemas usando expressões que são tiro e queda para debates muito polêmicos.

No recente embate de idéias sobre os efeitos da musculação no triatlon que teve origem a partir do texto da Ana Lidia e dos Ciro no MundoTri, foi muito interessante ver a forma como as pessoas colocam seus argumentos.

No Ironbrothers, uma comunidade de amigos no Facebook, a discussão foi pendular.

Primeiro, um movimento forte de apoio as idéias do Ciro. Depois, chegou a cavalaria da musculação....:-))))

Tudo com muita tranqüilidade e sem o estresse que se viu no fórum do MundoTri.

Mas em qualquer um desses fóruns, no meio de um tiroteio argumentos de parte a parte, era inevitável os mais conciliadores proporem algo como "cada um é um" (sic) ou "tudo depende da pessoa", "pode não dar certo para uns, pode dar certo para outros".

No fundo, as pessoas estão fazendo uso, mesmo que de forma implícita, do tal principio da "individualidade biológica".

Em resumo, tal principio diz que cada organismo reage de forma diferente ao mesmo estimulo, gerando adaptações especificas. Cada indivíduo é único.

Musculação é bom para alguns. Musculação não faz diferença para outros.

"Tudo depende da pessoa"...

Pois é, tudo bem...

Se cada individuo é irredutível a uma unidade maior, como podemos dizer se algo faz bem ou se faz mal?

E como todo mundo se acha uma árvore única, uma obra divina diferente da outra ao lado, se questiona muito o uso de estatísticas, já que essa se presta a fazer generalizações.

Porque estatística não é a visão da Árvore. Estatística é a visão da Floresta. É a visão da população como um todo.

Tem gente que não acredita em Floresta.

Só que você só faz vacinas pensando na Floresta.

E pelo que tenho noticia, as vacinas funcionam muito bem...

Mas em contextos diferentes, as pessoas podem utilizar a lógica oposta.

Exemplo?

Um dia um amigo meu, fumante convicto, me veio com essa "Meu tio fumou desde dos 14 anos e viveu 90 anos".

Ué, o que ele está dizendo? Fumar faz mal? Resposta: depende da pessoa.

Eu, você e o mundo sabemos que o cancer de pulmão está relacionado ao tabagismo.

Mas estatística é baseada em correlações e probabilidades. Não é destino.

Só que duvido muito que você vá usar da tal "individualidade biológica" para argüir o meu amigo, não é? :-))))

Pela mesma razão que se advoga que "cada um é um", poderíamos dizer "sim, você está certo - tem gente que fuma e se dá mal, tem gente que fuma e não acontece nada".

Mas tenho certeza que você vai usar a visão da floresta. Vai dizer que "X% dos que fumam tem X% a mais de chance de terem essa doença".

Nesse sentido, acho o seguinte: nós talvez não tenhamos ainda uma resposta definitiva ou convincente para afirmar categoricamente se musculação é ou não benéfica para a performance de triatletas.

Só que argumentar que "cada um é um" não é uma resposta. É apenas uma afirmação genérica.

Não tenho dúvidas que utilizada em um contexto correto a idéia de "individualidade biológica" pode trazer enormes avanços sobre o conhecimento da fisiologia humana.

Não estou sugerindo jogar essa idéia no lixo. Não é isso...

Mas no esporte, pelo amor de Deus, é para poucos a tal "individualidade biológica". Em hipótese, é para atletas que rompem paradigmas e fazem técnicos e cientistas voltarem aos laboratórios: Lance Armstrong, Pelé, Michael Phelps, Serguei Bubka, Usain Bolt, Ricardo Prado e tantos outros...

Esses sim, são arvores monumentais.

Nós, por outro lado, somos muito parecidos no que toca a nossa "mediocridade" biológica.

Aliás, ainda bem que é assim...


sábado, 31 de dezembro de 2011

2012 - Into the Night

"Into de Night" é quase um cult movie da sessão da tarde, mas um filme um tanto esquecido da boa safra dos 80.

Conta a história de um cara, interpretado pelo Jeff Goldblum, que leva uma vida modorrenta, sofre de insônia e tem um emprego insuportável.

Uma vida tão deprimente que ele sequer encontra ânimo para reagir a traição que a mulher (medonha) lhe impõe com o próprio chefe.

E quando as coisas estão monótonas e deprimentes, parecem que duram uma eternidade.

Até que....

Até que dirigindo para o aeroporto ele dá de cara com uma contrabandista que está sendo perseguida por iranianos.

A tal contrabandista, nada mais, nada menos, é interpretada Michelle Pfeiffer.

A noite que ele vão passar juntos é a antítese da vida medíocre e acomodada que ele aceitou com naturalidade durante anos.

As vezes a vida da gente parece ser um tempo muito longo de desamparo e desesperança...

Mas casualmente pode aparecer uma Michelle Pfeiffer fugindo de uns caras maus, precisando desesperadamente de alguém...

E ai as coisas podem mudar...

Você só precisa estar disposto a encarar certos perigos

Se arriscar.... :-)))))

Ótimo 2012!!!!







domingo, 11 de dezembro de 2011

Poema em Linha Reta

Ouvi esse poema pela primeira vez quando foi declamado pelo meu professor de língua e literatura portuguêsa no cursinho do Universitário.

Serve para diferentes leituras, diferentes perspectivas...

No meu caso, ajuda a me perdoar quando isso parece impossível, ou a dar o primeiro passo, quando o medo de arriscar e parecer ridículo me paralisa.

Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


sábado, 3 de dezembro de 2011

O Pulo do Gato

Neste Blog, tenho o hábito de não responder aos comentários apenas por convenção.

Ela vem da época que eu perdia meu tempo escrevendo para jornais. Sempre ficava puto quando no painel do leitor a tal “resposta da redação” tinha mais espaço que as cartas dos assinantes do jornal.

Da mesma forma que um jornal, entendo que o autor do Blog tem um grande espaço e todas as ferramentas para opinar, enquanto a área de comentários é relativamente reduzida, além de ser de leitura opcional e de pouca visibilidade.

A exposição dos argumentos acaba ficando desigual, sempre a favor do Blogueiro.

Esse não é um modelo mais bacana – na verdade, até gosto mais do Blogs do Xampa, Wlad, Max ou Ana Oliva e tantos outros, na qual há uma interação simpatica entre o autor dos textos e os leitores, com troca de experiências dos dois lados.

Já eu, por outro lado, fico preso as minhas manias.

Quando tenho algo pendente, se tiver o email, escrevo para a pessoa.

E foi o que ocorreu no caso do Max.

Acho que não interessaria para as pessoas explicitar o conteúdo dessa conversa nos termos em que ela foi feita – porque uma parte desses emails são assim: “eu não falei isso, não falei aquilo”, “mas eu não disse que você falou”, “só que ficou parecendo que você falou”.

O que interessa é a parte que eu falei mesmo e ele também….:-))))

A principio, a fim das pessoas terem mais informação sobre o assunto, combinamos que eu publicaria o texto do Max, que está na área de comentário, nesse espaço e uma tréplica minha e quantas "réplicas" fossem necessárias.

Nesse meio tempo, o Max fez um texto, que achei mais estruturado e mais claro que o depoimento que ele deixou aqui no Blog.

Além das próprias idéias do autor, recomendo a leitura do texto em função do debate que seguiu no espaço dos leitores. Lá estão depoimentos e informações valiosas que complementam a linha de pensamento dele.

Clique aqui para ver o texto.

No caso da nossa discussão, achei bastante oportuna a discordância. Ele me tratou com deferência e gostaria de retribuir no mesmo sentido.

Embora as pessoas possam ler as próximas linhas como um texto onde as diferenças se acirram ainda mais, na prática meu movimento tem se dado no sentido inverso.

Então por quê prosseguir com a discussão?

Porque aprofundar a troca de idéias, expor dúvidas e problematizar argumentos é minha forma de expressar respeito a uma pessoa que me deu a oportunidade de um debate que, seguramente, me tirou da minha zona de conforto.

Bons combatentes querem adversários a altura.

Não sei se estou nesse nível, mas vou tentar pelo menos sair das cordas....

Então vamos a mais um round....;-))))

Acho que nenhum de nós dois discordou sobre o seguinte: informação sem contexto, sem interpretação torna qualquer equipamento que gera estatísticas um brinquedo caro.

A discussão não se resume, portanto, não é o "uso", mas o "uso eficiente" de qualquer equipamento que chamo de "máquinas de calculo", que vão de monitores cardíacos a potenciômetros.

Embora tenham funções e propriedades distintas, para a minha linha de raciocínio, isso é irrelevante.

Mas deixa eu azedar a conversa um tantinho.

Em primeiro lugar, a comparação entre potenciômetro ou monitores cardíacos, com rodas Zipp ou aerobar, tênis ou óculos, é uma discussão que não cabe.

São coisas que não estão no mesmo nível.

O "custo" (monetário ou não) de umáquina de calculo do quilate de um potenciômetro não se reduz ao que você paga "na boca do caixa", mas também o que você precisa fazer (e conhecer) para usar de forma eficiente as informações que esses aparelho produz.

A questão dos medidores de potência é infinitamente mais complexa, pois exige que você agregue ao seu uso competência para a interpretação dos dados - se você (ou o seu técnico) não faz isso, esse equipamento vale menos que o discutível guidão de carbono - esse você põe na bike e o benefício (na hipótese de existir um) é imediato.

Embora exista, sim, uma diferença importante entre esses equipamentos, no sentido de que com alguns deles você "compra" performance e, com outros, você se torna mais consistente, isso é verdadeiro apenas se você saber usá-los corretamente.

Se não for assim, ao adquirir um MP você pode ter comprado caixa de pandora.

Nesse sentido, e discordando do Max, considero o medidor de potência complexo demais como a primeira compra depois da bike.

Não que ele não tenha razão sobre a pobreza de perspectiva de um sujeito gasta uma fortuna comprando recursos ergonômicos, como capacete aero, pedais mais leves ou rodas de carbono quando poderia estar preocupado com a consistência da sua condição física e atlética.

A minha preocupação é que o pleno aproveitamento desses recursos envolve conhecimentos específicos, sobretudo sobre campos relativamente complexos para leigos, como fisiologia, nutrição, mecânica, fisica e metodologias de treinamento.

Bem mais útil, na minha opinião, seria um rolo ou, antes disso, uma boa assessoria ou, antes disso uma academia onde se pudesse praticar exercícios funcionais ou, antes disso, acesso a uma fisioterapeuta ou, antes disso, um nutricionista ou, antes disso.....

Enfim, se o foco é o indivíduo, há várias coisas que podem ser feitas depois que se compra uma bike e antes que se adquira um potenciômetro.

Mas, convenhamos, pode-se argumentar que isso não precisa ser assim. Não sendo o comprador da bicicleta ou atleta um autodidata, sempre há a possibilidade de se delegar essa tarefa de análise ao coach.

Então um ponto importante é o seguinte: quantos profissionais podem lidar com esses equipamentos no Brasil?

No seu Blog, o Max indicou quatro. Ainda é pouco.

Na minha opinião, a disseminação dos medidores de potência só será efetivamente útil se for acompanhado por um programa de capacitação de técnicos e atletas, tanto com o equipamento, quanto com os softwares que permitem a organização das informações para o planejamento dos treinos.

E esse é um gargalo considerável, embora de jeito nenhum uma barreira impossível de ser vencida.

Mas que tal esperarmos mais profissionais com conhecimento sobre o assunto para comprarmos esse equipamento?

E, agora, vou me arriscar e colocar outro ponto: eu acho que a gente está com o foco errado.

Como questionar a pertinência ou não desses equipamentos sem discussão prévia sobre metodologia de treinamento?

Imagine uma cena insólita: voltamos ao tempo, no ano de 1948, oferecemos nosso mais poderoso Garmin do século XXI a um corredor romântico chamado Emil Zatopec, que estava ali naquelas paradas da Europa Oriental fazendo seus treinos intervalados pela manhã e a tarde.

Ele certamente ficaria curioso. Iria examinar o aparelho. Explicaríamos a ele os recursos do monitor e todas correlações estatísticas entre VO2, lacto, recrutamento de fibras e por ai vai.

Tudo isso, claro, pressupondo que ele fizesse treinos baseados em freqüência cardíaca.

O "detalhe" é que essa metodologia ainda não tinha sido inventada e esquecemos de trazer um treinador do século XXI para poder utilizá-la.

Houston, we have a problem...

Certamente, aquele corredor ficaria com o relógio, até acabar a bateria - depois ele voltaria ao seu velho e eficiente relógio de ponteiro.

O que quero dizer com isso é que a questão não são "monitores cardíacos".

Eles são ótimos!

A questão central é o que temos a dizer sobre treinos baseados em zonas de freqüência cardíaca.

Trocar o debate sobre métodos de treinamento pela utilidade ou não de máquinas de calculo significa transformar esses aparelhos em "fetiches" - defensores e detratores projetam nesses objeto como quê poderes mágicos, negativos ou positivos, que podem nos salvar ou nos levar a pro buraco.

No meu entender, a chave que abre todas as portas não são gadgets, mas a filosofia de treinamento.

Quanto a gente não tem clareza sobre isso, fazemos um sururu por nada...

Isso fica explicito quando aqueles que defendem os medidores de potência (ou monitores cardíacos) não conseguem aceitar que os indivíduos tenham outro tipo de conhecimento ou feedback sobre seus treinos que não seja em Watts.

É comum a frase "Ahhh, sujeito treina no escuro", que expressa uma tal falta de bom senso que dispensa discussões.

E, muito sinceramente, para não dizer que sou (totalmente) parcial, tão ruim quanto esse raciocínio, é o seu oposto, que afirma que aqueles que usam instrumentos de medição abdicam totalmente do seu autoconhecimento.

Esse debate é estéril.

O pano de fundo de tudo que se discute sobre gadgets é outro.

Pelo menos até onde consigo enxergar as coisas, existe uma bifurcação de filosofias de pensamento que se colocam em lados opostos pessoas favoráveis e não favoráveis ao uso desse tipo de tecnologia.

Há uma escola, captaneada pelo Brett Sutton e atletas como Chrissie Wellighton, Chris MacComack e toda uma linha de pensamento que daria oriem a metodologia do Ironguides por meio do trabalho do Marc Becker. Essa vertente tem por base a percepção de esforço.

Nessa perspectiva, a sensibilidade sensorial é uma capacidade que deve valorizada. É a nossa sensibilidade que mantém nosso contato com a realidade.

Tudo bem que alguns ironizam e dizem que nessa corrente o Brett é um pouco peculiar - os indivíduos tem seu próprio nível de percepção de esforço, mas se ele não concorda ela, a última palavra é dele. :-)

Bom, nesse linha, atletas que tem sua sensibilidade aguçada são mais confiantes, improvisam e são capazes de assumir mais riscos que aqueles que correm em ritmo pré-definido.

Para o Macca, por exemplo, se ele "sente" que pode partir para uma fuga, ele não olha para o relógio - ele simplesmente "sabe" que pode.

Isso coloca em questão o raciocínio do Max, que cria uma disjuntiva questionável entre uma perspectiva competitiva baseada no uso de potenciômetros e outra, não competitiva, baseada no uso dos sentidos.

A segunda escola, mais quantitativa, é utilizada por técnicos com Hunter Allen e atletas do naipe de um Jordan Rapp e Andy Potts.

E, muito interessante, enquanto o primeiro time é mais radical e homogêneo, o segundo tem uma abordagem mais variada e flexível (e mais rica, na minha opinião).

De forma geral, advogam que o desenvolvimento das habilidades relativas a percepção de esforço levam tempo, quando não anos, e os gadgets podem dar um feedback mais rápido do que realmente aconteceu, permitindo avaliar como o treinamento está progredindo e quais os ajustes necessários para o atleta tentar ultrapassar suas metas ao longo de uma temporada.

Mas há opiniões diferentes também de como usar os MP entre seus defensores.

John Cobb afirma que os números produzidos pelos medidores de potência deveriam ser lidos apenas pelos coachs, enquanto os atletas deveriam se ater as provas ou, mais especificamente, aos aspectos táticos da competição sem esses equipamentos.

Já Rapp vê no potenciômetro uma vantagem competitiva se usado tanto em treinos quanto em provas.

O balanço disso?

No meu modo de ver, o "pulo do gato" seria a superação dessa dualidade entre Sensibilidade x Gadgets, entre o Mundo Vivido x Mundo dos Sistemas.

Como diz o Vance Store, um defensor dos gadgets, "Ferramentas que fornecem dados sobre sessões de treinamento são o feedback mais puro que existe, e quando usadas em conjunto com o feedback do atleta, torna-se ainda mais poderoso".

Agora, gostaria de dar um depoimento honesto sobre essa discussão toda.

Porque eu não queria esse Blog fosse lugar para uma análise fria de correntes teóricas, tal como um artigo acadêmico.

Eu assumo minha parcialidade como uma posição pessoal.

Ela existe, sim. É fato.

E toda a parcialidade nos impõe "pontos cegos".

Os meus costumam ter a dimensão de um buraco negro... ;-)))

Quando questionei o uso desse equipamento com o Felipe Amante, começamos uma discussão muito didática (pra mim) sobre o assunto.

Discussão que, na ponta do lapis, ele mostrou ter mais razão que eu, diga-se.

No final, como já escrevi em algum lugar, joguei a toalha e aleguei a ele que a minha resistência no fundo tem razões pessoais, já que meu trabalho é com estatísticas.

Eu sei exatamente o significado de "trabalhar com dados".

Ao envolver "dados" no esporte significa tratá-lo como objeto de análise.

Significa transformá-lo em um prolongamento do meu oficio.

Eu não sei se quero "treinar melhor" e de "forma mais eficiente" se o custo de fazer isso for esse.

Mas tenho certeza que quero nadarpedalarecorrer.

Se o triathlon fosse apenas medido em watts, muito pouco restaria pra mim.

No meu caso, mesmo "competir" é também uma coisa lúdica.

Minha sanidade e meu prazer com o esporte depende de um lugar em que posso fazer algo que não seja medido por "taxas", "indices", "indicadores", "bits" ou "watts".

Isso faz parte do rol de questões para explicar o meu "romantismo".

Em um sociedade em que tudo somente é valorizado enquanto é medido e se chega ao cúmulo de almejar um "PIB da Felicidade", tal atitude envolve uma certa negação de valores dominantes.

Assim como fazem aqueles que, em uma sociedade mercantil e utilitarista ao extremo, se dizem mais preocupados com o "Ser" do que com o "Ter".

No fundo, nós todos somos românticos ;-)))))

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O Último Romântico?




Nessas últimas semanas, dentro de um pequeno circulo de amigos que trocam e-mails sobre triathlon ou provas de Ironman, veio à tona uma tema que vem ganhando espaço considerável nas rodinhas “triatléticas” – o uso de potenciômetros.

Mas não se tratava de uma discussão sobre o melhor equipamento ou o mais preciso. A questão de fundo foi colocada pelo Eduardo Carvalho a partir da provocação do Felipe Amante sobre feedback de performance.

“Vejo que os equipamentos como Garmin com GPS e agora os medidores de potência podem dar uma real avaliação se a performance individual mudou ou não, coisa que até hoje não consegui de nenhum método de treinamento ou assessoria que freqüentei. (Pois) só na prova projetando o tempo final é f%$#@#, porque muita coisa pode acontecer quando você junta tudo, mais a condições climáticas. Por mais que seja a mesma prova no mesmo lugar, nunca uma prova é igual à outra”

Obviamente, essa discussão deu uma rachada no grupo. Minha “verve” Ironguides veio a tona e argumentei que a assessoria não tinha método quantitativo para a aferição de desempenho, mas que eu “vinha melhorando” pelos resultados que experimentei entre 2010 e 2011 e que isso seria suficiente pra mim.

Num átimo, tomei um petardo na testa!

“O que te leva a dizer que “anda melhorando”? Feeling? Tempo de prova? Como o Edú lembrou, ainda que a prova seja feita no mesmo lugar, sempre há condições diferentes, como correntes marítimas, vendo, calor, etc. Você conseguiu seu melhor tempo de Caiobá e do IM Brasil nesse ano. E daqui pra frente? O que te dirá que você “melhorou”? Pegue, por exemplo, o pedal com vento do 70.3 de Miami. E se você andou abaixo da sua capacidade? O que pode te dizer isso?”

Esse “feeling?”, citado como foi, para uma mente cartesiana como a minha, dói como um direto no estômago.

“Salvo engano, você mesmo disse no seu Blog, em uma época de treinos desgastantes de Iron, que a mente pode pregar peças. Ou seja, a percepção de esforço pode falhar. Há dias em que a mente quer, mas o corpo não vai. E vice-versa. A verdade é: como o medidor de potência isso continuará a acontecer. Só que você saberá se o corpo realmente não está respondendo ou se a sua percepção está falhando.”

Eu me vi como um lutador de telequete no meio de um campeonato de UFC .

Porque, bom, eu tinha dito isso mesmo. E agora não dava para dizer “não era bem assim..."

Tá vendo porque escrever Blog é uma merda? (rs)

Parecia que meu ego estatístico tinha desencarnado e virado um triatleta de carne e osso com vida própria e estava me esmurrando ;-)))

De fato eu mesmo não tenho respostas para questões muito simples apenas por meio da minha percepção.

Exemplo? Quando passei a usar o capacete aero, tive a sensação de que esse recurso realmente me ajudou a pedalar mais rápido.

Mas o quanto desse ganho pode ser atribuído ao capacete e o quanto ao fato de que fiz alguns treinos específicos no rolo?

Não sei.

Ou seria um acaso, pois que eu já vinha perdendo peso e meus treinos começaram a fazer efeito justamente quando comecei a usar esse novo "casco"?

Pode ser. Mas também não sei.

Enfim, se alguém me perguntar se é recomendável um capacete, digo que sim.

Só que reconheço que é um "sim" muuuuuitoooooo meia-boca.

Ah, eu falo logo!

Bem, não vou dar detalhes dessa discussão que se prolongou por dias e me deixou estirado na lona depois de um massacre de (ótimos) argumentos e uma aula sobre potenciômetros digitais.

Mas é uma boa oportunidade para escrever sobre algo mais abrangente, isto é, sobre o bullying ....ops...digo, sobre o potenciômetro e todos os equipamentos de medição que tem preenchido a vida da gente.

Apesar de trabalhar com estatísticas, vou dizer algo da qual certamente posso me arrepender facinho facinho daqui a dois dias: o nosso problema começa quando a gente acredita piamente que números representam o caminho mais fácil para o conhecimento de algo.

Para dar um exemplo, todo mundo sabe que a mortalidade infantil é alta no país, mas também é verdadeiro que ela vem caindo nas últimas décadas. E você saberia explicar o por quê?

Nós temos todos os dados possíveis e imagináveis para para entender isso, mas não podemos afirmar com certeza.

Você vai dizer que as condições de saúde melhoraram no Brasil? Ou serão os investimentos em saneamento básico e a melhoria das condições médico-sanitárias? Ou o determinante é a elevação da renda das famílias? Ou o aumento escolaridade da mãe? Ou seriam os programas assistenciais de atenção as mulheres.

Como tudo isso acontece ao mesmo tempo, uma boa explicação se torna um pesadelo para os estatísticos.

Números nos dão hipóteses.

E muitas vezes temos que dizer o seguinte: com tantas informações e dados, ainda assim, nós não sabemos muita coisa sobre questões que você ai julgaria "óbvias".

Voltando ao nosso assunto, o uso de potenciômetros faz parte de uma discussão mais ampla que incorpora ainda os monitores cardíacos, medidores de cadência, velocímetros e os equipamentos de GPS.

Mas a pergunta que se coloca pra mim é – esses equipamentos contribuem para o aumento do nosso conhecimento?

Não estamos confundindo dado, informação e conhecimento?

Espera, qual a diferença entre isso tudo, ou seja, o que estou chamando de dados, informação e conhecimento.

Vou dar uma simplificada.

Por “dados” entenda-se os números, tal como a velocidade registrada no seu velocímetro, por exemplo.

Quando esses dados são organizados ou manipulados em gráficos e tabelas, com outros dados ou não, adquirem um sentido e, com isso, transformam-se em “informação”. É o que você faz quando despeja os dados do seu relógio em um software que registra seu pace, cadência média, velocidade máxima e mínima, faixas de batimentos cardíaco, altimetria etc etc etc.

Já o conhecimento se distingue da informação quando adquire algum propósito ou utilidade.

Sabe aquele seu monitor cardíaco super bacana que a gente compra? Além do hardware e do software, você tem a disposição um conjunto de fórmulas que te dá informações que vão desde a queima de calorias até o VO2 máximo. O bichano diz até quando você não deve ir treinar.

Essas fórmulas foram baseadas em anos de estudos de especialistas para as quais você não pagou e, acredite, ao contrário do que as revistas “especializadas” de corrida dizem, tem um alto grau de confiabilidade para a grande maioria da população - mesmo a famosa “220 – menos a idade”.

O problema é interpretar esses dados.

O Felipe teve uma análise bastante feliz da complexidade de se transformar dados e informações em conhecimento.

“De nada adianta ver os números pipocando na tela: 180W, 220W, 150W. Isso não é nada sem os conceitos de análise. Com um pouco de leitura e um tempinho de treino, todo mundo consegue pegar o beabá de média de potencia, potencia normalizada, FTP, andar na Z2 ou na Z3, etc. O difícil, ao meu ver, é, em primeiro lugar, saber estimar corretamente o FTP. Há uma série de testes e fórmulas, mas, não é tão simples assim. Depois q isso for feito, as outras informações virão automaticamente com um bom programa de análise. A segunda dificuldade na parte de análise dos dados é saber o q fazer depois. Ou seja, o atleta já consegue entender bastante coisa dos gráficos, números, etc. Mas, a questão chave é: P/ treinar p/ uma prova X, o q devo fazer? Faço série no limiar? Faço longões? Tiros mais curtos? Misturo tudo? E, principalmente nessa parte, é q acho q precisamos de um bom técnico! Alguém q tenha um planejamento macro, periodização, etc. (nesse campo, já não estamos falando só de potencia...)”

Ou seja, trabalhar com potenciômentros nesse nível que ele fala envolve um trabalho adicional de interpretação dos dados que não é desprezível.

A não ser que você se dedique ao assunto, tal como ele faz, ou arrume um técnico craque para fazer isso pra você, poderá ficar anos acumulando dados e informações dos seus treinos e provas sem chegar a lugar nenhum.

De um ponto de vista mais geral, o que vejo por ai é que nós estamos adquirindo uma parafernália eletrônica muito sofisticada, apenas para colecionarmos dados, satisfazendo nossa curiosidade com gráficos bacanas que permitem o cruzamento de muitas informações.

Mas conhecimento que é bom, neca de pitibiriba.

É como aquele dono de loja que tem todo um sistema super-ultra-mega informatizado na empresa para controle de estoques, entrada e saída de mercadorias, gestão de fluxos, controle de caixa etc etc etc.

Ele deveria ver esse sistema como uma ferramenta para ajudá-lo a tomar decisões importantes, mas de tudo isso só usa mesmo o leitor ótico para evitar erros de digitação e agilizar as filas.

Eu mesmo já fiz isso. Todo santo dia, durante anos, colocava lá no software que veio junto com do S725X os dados dos meus treinos e das minhas provas.

A tela do computador ficava cheia de curvas e retas. Eu podia fragmentar todo percurso de bike ou de corrida para medir minha freqüência cardíaca, velocidade e cadência em um dado trecho.

Era legal no começo, mas depois ficou no automático. Meu computador virou um depósito de “informações legais”, mas sem utilidade.

E depois fiquei me perguntando que cáspita explicava porque tanta gente conseguia uma evolução significativa sem nada disso e eu, com aquele aparato todo, não.

Talvez porque nós estejamos com fome demais de números e fome de menos de conhecimento.

Me desfiz do monitor, apaguei o software e até hoje uso apenas um relógio de pulso com cronômetro.

A partir dai, tudo resulta de um longo e sofrido processo de aprendizagem, baseado na regularidade (por isso a importância dos treinos repetitivos) e "tentativas-e-erro" - a cada repetição eu observo os resultados e removo os erros até atingir o melhor possível.

Eu poderia ir por outro caminho, mais científico e sofisticado, trocando as noções "rudimentares" e "subjetivas" de "forte", "moderado"e "fraco" por medições de esforço e potência precisas?

Poderia.

Mas ai, parafraseando o Ciro, “entre ficar estudando números e correr, eu prefiro correr”.

Será que sou o último romântico?