domingo, 27 de fevereiro de 2011

Semana de Treino Pós-Internacional de Santos

Todo mundo sabe que semana de treino pós-prova é sussá: natação leve, pedal curtinho e algumas corridinhas de 30 minutos regenerativas, alternando com dias de descanso...

Se você acredita que o que está escrito no parágrafo acima realmente ocorreu comigo, deve ser a primeira vez que você lê esse blog! Ou então não conhece a moçada de Ironguides...

A perspectiva do Rodrigo era encaixar o Internacional em uma sequência de treinos com intensidade e volume ascendentes, todos com foco na velocidade.

A prova de Santos não seria o ápice desse período, mas justamente o início da parte mais dura dessa fase.

Então, imagina ai...

Tirando o day-off de segunda-feira, iniciei já na terça um pedal pesado no rolo. Aquecimento de 20 minutos, seguidos de oito moderados e dois leves. Depois, 2 x 4 FORTES e 4 x 2 no MÁXIMO. Para soltar, 10 minutos leve.

Quando o pessoal do IG coloca as palavras em maiúsculas, o negócio não tá pra brincadeira....

Não senti cansaço em relação a prova de Santos. Simplesmente fiz o que pude. Esse "o que pude" tem um significado preciso para os mais disciplinados: significa que ao tentar fazer no MÁXIMO cada série eu chego no finalzinho sem quase conseguir fazer o exercício. Pelo menos na bike!

Me imagino subindo uma ladeira por dois minutos. Lá em cima, quase tenho que descer da bike...

Dói.

Como escrevi recentemente, me identifico mais como uma pessoa que gosta provas de endurance e tenho dificuldade para lidar com a dor decorrente de treinos de intensidade.

Então estou fazendo duas coisas para lidar com esses exercícios duros: construo imagens (como essas que acabei de relatar, de uma subida e...vou confessar para vocês, normalmente nelas tô pau a pau com o Lance Armstrong...;-) e estou pensando em cada etapa do treino apenas quando vou executá-la.

Esse segundo ponto é o mais ou menos assim: se leio a planilha completa antes do treino começar eu antecipo as partes ruins; mal estou na metade do pedal moderado, já tá doendo, e eu começo a chorar pensando que ainda falta o pedal FORTE e o MÁXIMO!

Isso já me abate...

Então eu sento no rolo (sem duplo sentido moçada!!!!), leio apenas a primeira linha da planilha e me concentro exclusivamente no que me mandam executar, como se o treino acabasse ali.

Terminei? Faço exatamente o mesmo até o ler aquela frase abençoada..."10 minutos fácil"!

Obviamente, semana após semana, você vai decorando os treinos e isso vai perdendo eficácia. Mas, como eu já estou ali, na terceira idade, minha memória não é tão boa assim...;-)

A quarta-feira começou com um longo de corrida de 1:30 pela manhã, sendo 45 fácil e 45 moderado. No início, senti o treino da noite anterior. Mas a sensação de desconforto foi passando e, como sempre, termino esse tipo de treino mais inteiro do que estou no começo.

Na parte da noite, natação. O aquecimento são tiros de 50 metros, mas a parte principal do treino são tiros de 100 metros - 100 metros no MÁXIMO!

Como esse treino é com palmar e pulbóia, não tenho grande dificuldade, mesmo agora que passei a usar um palmar pequeno. Meu melhor esforço não me deixa com dor nos braços, nem asfixiado, como é meio típico nesses treinos....

Quinta-feira é dia de rolo, mas com a maior parte do treino voltado para força. Vinte minutos de giro leve, 10 tiros de um minuto e mais 20 no Big Gear (50-60 rpms). Esse treino eu tiro de letra. Não é fácil, mas tem intensidade limitada. Portanto, tuuuudoooo bem!

Sexta-feira começa com um corrida de 40 minutos pela manhã, como foco regenerativo. Faço uma volta de 7 km no Campo de Marte e capricho nas velocidade da passadas. A noite, um treino de natação progressivo, que me deixou com os braços lá na piscina ;-)))

Você inicia com tranquilos 16 x 50 metros, com fazendo tiro MÁXIMO a cada 4. Depois, 12 x 50, com tiro a cada 3, e assim até chegar a 4 x 50 todos no MÁXIMO. Apenas 20 segundos de intervalo. Poderia ser um treino complicado para mim, mas a distribuição progressiva do esforço permite que eu entre no ritmo a cada série e seja capaz de manter praticamente o mesmo esforço até o final ( o mesmo esforço não significa, necessariamente, a mesma velocidade)

Sábado, dia de simular um sprint no Riacho Grande. Levantei bem as 5:00 da manhã, tomei café, fiquei lendo algumas coisas da Triathlete Magazine para fazer a digestão, preparei toda nutrição, arrumei as tralhas, troquei o pneu da bike, levei tudo para o carro e....

E o carro não pegou....:-((((

No inicio, pensei que fosse o motor de arranque e passei parte da manhã tentando arrumar um SOS. Já estavam mandando um guincho para a minha garagem quando chega o meu pai. Ele queria ver o carro e me perguntou se não era a bateria.

- Claro que não, né pai!? Eu não sei quando tem problema na bateria....

- Mas cê tem certeza?

- Tenho, já tá chegando o guincho...

Só para mostrar minha superioridade, fomos lá no carro. Meu pai abriu o capô, pegou uns cabos, bateu na bateria. Faiscou...

Falei mal humorado:

- Viu ?????

- É bateria. Liga o carro...

Ai o motor

- Tátátátátátá
Eu...

- Tá na cara que o problema é o motor de arranque, né pai?!

- É bateria.

- Mas o farol tá funcionando...

- É a bateria.

Contra a minha vontade, foi lá em baixo, trouxe o carro dele, alinhou com o meu na garagem.

- Pai, já vai chegar o guincho e vamos ter que tirar o carro do senhor...vai dar aquele trabalhão mêêêêuuuuuu.....

Ele nem me ouviu. Pegou os cabos para fazer uma chupeta. Eu puto da vida porque achava aquilo uma perda de tempo...

- Dá a partida...

Entrei no carro contrariado.

Mas aiiiiii...

- Ruuuuummmm, Ruuuuuummmmm, RUUUUUUMMMMMMMMMMM.....

Abaixei a cabeça, fingindo olhar para o painel e....

- Uéééééé??????!!!!!!

Ainda bem que o meu pai é meio quetão....;-)))

Bom, contei essa histórinha para colocar algo no sabado, porque óbviamente foi off!!!!!

Domingo, fui para o Riacho fazer um treino de 3 horas, sendo 1:30 fácil, mais uma hora moderado BIG Gear e, depois, para terminar, 2 x 10 minutos Time Trial com 5 de intervalo.

De cara, não consigo fazer a parte fácil do treino. Eu meio que encaixo um ritmo de cruzeiro no Big Gear e, no máximo, como no Riacho relevo é quase um tobogã, consigo fazer um pouco mais de giro nas subidas para me enganar que estou pedalando "fácil".

Nesse sentido, tenho um pouco de dificuldade para separar a parte tranquila e a parte moderada do treino.

Isso explica em parte a boa média que fiz hoje lá, na casa dos 30 km/hora.

Mas esse aspecto, creio eu, não atrapalha o TT. Fiz os dois pegando os trechos de subida, o que me deixou com as pernas bambas. O primeiro foi consideravelmente melhor que o segundo.

No final do treino me senti ótimo! Difícil para alguns acreditar que uma semana que começou com o Internacional de Santos tenha sido tão puxada e, ainda assim, eu possa estar me sentido tão bem!

No mais, testei o macaquinho da Asics que comprei em promoção (achei ótimo) e fiz inscrição para Caiobá.

Mas tô na dúvida: Miami ou Penha?



















domingo, 20 de fevereiro de 2011

Internacional de Santos 2011


Apesar do Internacional ser uma prova dura, essa semana não teve polimento.

A idéia do Rodrigo era fazer um "treino de luxo" no Internacional de Santos, já que estamos trabalhando velocidade nessas últimas semanas.

A princípio, eu não gosto da organização do Internacional de Santos. Há problemas para fazer os bloqueios funcionarem, o kit e a medalha são incrivelmente ruins e, putz, de um mal gosto....

Além disso, esse ano ainda faltou água, segundo me relataram os amigos...

Apesar de ter uma história importante, passa a impressão de um amadorismo impressionante - se comparada as provas da franquia Iron, esse contraste é ainda mais evidente.

O Internacional parece que não quer se modernizar...

Isso, claro, nada a ver com o povo de Santos. Ano passado, quando tive um capote no centro da cidade, moradores (crianças e senhores, mulheres e homens) não sabiam o que fazer para me ajudar...

Mas o Internacional, sendo referência histórica que é, é o lugar onde quem curte triathlon se encontra. No meu caso, que conheço muita gente por ai, é um oportunidade impar para rever as pessoas que fazem Penha, Pirassununga, Caiobá, Floripa, Pucon e por ai vai...

Bom, para a prova esse ano, pude descansar um pouco no sábado. O Edú fez a gentileza de pegar meu kit. Nos encontramos pela manhã e fomos para o Boqueirão, onde seria a largada.

Comecei a natação sem aquecimento. Logo nos primeiros metros, senti os braços um tanto doloridos (mas não pesados). Falta de aquecimento? Pode ser, mas treino assim no Riacho e não constumo sentir isso...

Demorei um tempinho para pegar ritmo, mas me orientei bem entre as bóias, perdendo pouco tempo.

E só tive alguns problemas de tráfego com o pessoal retardatário da outra bateria.

E, olha, sobre isso vou ser antipático.

Quando as pessoas decidem fazer uma prova de triathlon e não tem grande experiência, não tem importância de que elas congestionem a natação. Não mesmo.

Dos fundamentos do triathlon, acho essa parte é, no meu modo de ver, a mais complicada - sobretudo no mar, porque você está em meio inóspito e com poucas referências de orientação.

E todo mundo passa por isso. Então, paciência dos mais experientes é o mínimo que se pede.

Entretanto, outra coisa bem diferente são as pessoas nadarem como se ninguém mais estivesse ao seu lado.

Gente, ao fazer o contorno das bóias, não vale bater a perna com violência. Também não vale usar a perna para dar golpes de karatê em quem está atrás, como fazem alguns que nadam de peito nessa parte.

Não vale nadar sem, pelo menos, tentar olhar para frente, evitando cruzar na frente de todos distribuindo socos. Não vale tentar passar por cima de outros, nadando como se você estivesse sozinho na raia da piscina do seu clube.

Hoje, dois retardatários me colocaram a nocaute: o primeiro, me pesada na barriga e o sujeito nem olhou para trás. E ele sabe que fez isso.

Outro, desferiu um chute no meu peito, bem no contorno da segunda bóia.

Quando emparelhei com um rapaz, esse da minha faixa etária, fomos nos batendo até que eu e ele parássemos. Eu, estressado por ter apanhado do pessoal retardatário, fiquei puto e chinguei (atitude típica do sujeito "besta quadrada", admito).

O sujeito parou de nadar e me encarou.

Mas continuamos.

Quem era? Sei lá, todo mundo de toca e óculos....

Só que, para meu azar, entre 1.300 pessoas nadando, o tal sujeito era o Edú Carvalho - apenas o sujeito que me apresentou ao triathlon e que me motivou a fazer a Ultra Bertioga-Maresias.

E a minha sorte é que ele estava feliz (vai ser pai) e me poupou de uns tabefes...

E eu merecia, porque o que eu fiz, não se faz...

Terminei a natação naquele mar (sem correnteza) para 27:4.

Fiz aquelas transições xexelentas que eu costumo fazer e fui para o pedal. O Rodrigo tinha pedido um contra-relógio de 40k e, o que viesse depois na prova, seria lucro.

Comecei o pedal com giro para me equilibrar e, quando me achei, logo desci para uma cadência pesada. Minha sensação foi que o vento, esse ano, estava mais tranquilo - ao contrário dos pelotões, que ano sim, ano sim, sempre estão lá.

Gostei do meu pedal. A despeito de me embananar naqueles trechos com curvas dentro da cidade, fiz um média de 34,5 km/hora (dados do Cateye), embora o tempo anotado na prova seja idêntico ao de 2009, isto é, 1:11:04 (média de 33,7 Km/hora) - explicado pelo acréscimo do tempo da transição.

Pedalei forte e senti as pernas também fortes. Ultrapassei mais do que fui ultrapassado.

Quando sai para correr, que é o mais tranquilo para mim, não sentia as pernas pesadas. Segurei um pouquinho para sentir a prova e, com o estômago cheio de líquidos, não era prudente (na verdade, é que não dava mesmo -rsrsrs).

Como sempre, cadência alta de passadas. Me senti muito bem nos primeiros cinco quilômetros. Mas, na segunda parte, tive dificuldades. Quando digo "tive dificuldades", isto significa que não consigo sustentar minha cadência de passada.

Alarguei a passada por mais ou menos trinta segundos - li sobre cansaço neuromuscular nos textos do Ironguides, algo sobre a pertinência de você mudar a cadência na bike ou mesmo andar nas provas por alguns instantes. Isso dá um "restart".

Nas duas vezes que isso aconteceu, mudei um pouco a corrida e minha passada "voltou".

Passei muita, mas muita gente, sobretudo nesses últimos quilômetros! A maior parte não aguentava o calor e andava.

Fechei a corrida para 49:44.

Já a prova para 2:27:53, cerca de quatro minutos abaixo do meu melhor tempo em triathlons Olimpicos até então. PB.

Óbviamente fiquei satisfeito com o resultado. Olhando para os caras que mandam bem (Sandro, Caio, Flávio entre outros), estou em boa companhia, ali pertinho.

Na minha faixa etária, entre 102 pessoas, fiquei em 30. Em 2009, também fui 30, mas tinham apenas 74 pessoas.

Para completar, 331 no geral.

Mas esse meu lado mais crítico diz assim: alguns minutos não indicam que você mudou de patamar. Para isso, o ideal teria sido na casa dos 2:20. ;-)))

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Você ouve o seu corpo? Então não ouça.

Essa semana, dando prosseguimento a planilha nova que o Rodrigo montou, não houve grandes alterações nos treinos - apenas a adição de um tantinho mais de volume a cada dia.

E, em resumo, a grande diferença em relação a semana passada é que não tive mais alterações de humor, embora me sinta um tanto mais cansado - principalmente quando corro pelas manhãs.

Trata-se de uma sensação física, não mental - o que é relativamente positivo, pois quando meu corpo reclama...

Bem, quando o meu corpo reclama....eu não tô nem ai (rs).

Ai alguém ai atrás do teclado pode pular e ficar bravo comigo ao profanar uma das verdades mais conhecidas e repetidas em revistas de especializadas, textos da internet, conversas de triatletas e por ai vai...

Pois é, eu não "ouço" o meu corpo...

Quem ouve o corpo, na verdade, vive do auto-engano que a mente prega nele.

Dúvida?

Então vai ai a prova dos nove...

Me senti cansado essa semana. A diminuição do volume e o aumento da intensidade tem um custo que se traduz em alterações hormonais que me deixaram meio que prostado ao longo do dia.

Mesmo sabendo que para os amadores o descanso dos treinos se dá justamente no trabalho (fico sentado quase o dia todo, lidando com outros problemas), quando treinava pela manhã, não me parecia que fosse chegar ao final do dia apto para o treino da noite.

E quando treinava a noite, parecia que um período de sono não seria o suficiente para correr no outro dia pela manhã, mesmo que fosse apenas uma corrida leve.

Mas, óia!!!!!! Treinei sempre!

E melhor que semana passada. E não foi só apenas durante a semana.

Quando chegou na sexta-feira, lembrei que tinha os simulado de sábado.

Meu ceticismo teimava contra os fatos.

Pensei: vou até tentar, mas vai ser pior que no sábado anterior. Estou realmente cansado.

Melhorei em 3 minutos.

A natação foi melhor. A bike, foi melhor. A corrida, foi melhor.

Uma vez li uma matéria na Go Outside sobre o Brett Sutton e lá pelas tantas um atleta dele dizia exatamente isso, que o Brett pedia certas coisas e a primeira impressão dele ao ouvir o roteiro de treinos era "impossível".

Mas sempre era possível.

Eu não gosto de ficar escrevendo sobre assunto técnicos sem conhecimentos para tanto. Não sou formado na área e meus conhecimentos do corpo humano se resumem ao aporte de coisas que leio em publicações que estão longe de apresentar qualquer "prova científica".

Mas é relativamente conhecido o fato de que o que sentimos é uma interpretação do cérebro sobre as informações que ele recebe do corpo humano.

Ninguém "ouve o corpo". O que "ouvimos" é o cérebro.

E o cérebro tem lá seus mecanismo de defesa. Ele pode ser extremamente conservador.

Claro, sem exageros. Ninguém vai achar que eu esteja sugerindo que o sujeito, mesmo sentindo sintomas de um ataque cardíaco, continue correndo porque o cérebro estaria fazendo arte...

Mas o que ninguém considera é que sempre há uma grande possibilidade de confundirmos os sinais ou nos sujeitarmos ao auto-engano.

"Ouvir o corpo" é uma daquelas noções que se transformou em verdade absoluta, mas muito utilizada por aqueles que tem um repertório de desculpas bem pequeno para não ir treinar.

Em termos de banalidade, só perde para aquele outro chavão:"descanso também é treino"

Pronto, falei!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Semana de Treino

Chegou a planilha do Rodrigo e a coisa mudou mesmo!

A primeira coisa que ele fez foi dar um "cavalo de pau" nos meus treinos de volume.

Houve um forte redução do número de horas de treino e a aplicação de mais intensidade.

Desde do Iron do ano passado e com a sequência de provas que vieram posteriormente, todas elas com no mínimo 5 horas de duração, eu estava bastante habituado a fazer treinos longos. Não apenas fisicamente falando, mas sobretudo no aspecto mental.

E foi essa a maior dificuldade que tive na semana, isto é, "me acostumar" com a redução do volume. Por outro lado, meu corpo também reagiu de forma estranha, um tanto "esquizofrênica".

Na segunda-feira, treino em dois períodos. Pela manhã, um treino curtinho, com 10 minutos de aquecimento, 4 x 4 minutos forte e 10 de trote. Fiz, mas não me senti confortável - mas decorrente do treino de bike do dia anterior, que foi bem puxado.

A noite, piscina: treino com com séries de tiros de 25 e 100 metros, com períodos de descanso bem tranquilos entre as séries. Bom, eu vinha de treinos intensos (séries com 800 metros TT) na piscina e não foi fácil me segurar na borda da piscina.

Senti uma irritação braba e uma angústia infinita - por instantes, pensei em ceder para o lado escuro da força ;-)))).

Só que esses treinos compensam. Depois de tudo, ao sair da academia, me senti bastante revigorado e até feliz.

Isso é uma arte entre no IG - eles são capazes de propiciar treinos que estão no limite de te deixar com uma certa sensação de euforia.

Pois bem, na terça-feira, treino de rolo a noite. Resolvido o mistério de tanta câmera furada no rolo (era a porcaria da fita que estava com ponta), fiz um treino progressivo bem curto, sendo que pela primeira vez experimentei treinos no rolo com cadência de 100 ou mais rpm´s no inicio, sendo seguida de alguns poucos minutos (8, 4 e 2 minutos) com intensidade moderada, forte e máxima.

Outra vez gostei do treino. Intensidade, mas sem aquela coisa se sentir asfixiado, muito comum em treinos de VO2.

Quarta-feira, começa com uma corrida pela manhã, tal como na segunda. Uma hora fácil. Aproveitei para correr no Campo de Marte, só que desconfio que meu corpo puxou um tantinho mais do que deveria.

Sempre que começo um treino livre, eu deixo o ritmo fluir. Mas meu corpo estava entendendo "fácil" diferentemente do meu cérebro. Corri aparentemente em ritmo confortável. Aparentemente....

A noite, natação. Aquecimento de 12 x 50 (sendo 3 fácil e 1 forte) e 18 x 100 metros, com palmar e pulbóia, com 1 minuto de intervalo. Quando olhei pensei: isso tá muito, mas muito fácil mesmo!

E um minuto de descanso é quase uma eternidade....bem, como diz o Jorge, se é para treinar só isso, não vale a pena nem sair de casa...

Eu fiquei de mal humor. De novo!

Mas terminei o treino com os braços tão pesados e, diferentemente do treino de segunda, minha percepção sobre o cansaço se alterou radicalmente.

Eu estava me sentindo um lixo! Será que puxei muito a corrida pela manhã?

Fui trabalhar na quinta e me senti muito cansado. Mal tinha dormido na madrugada anterior.

A noite, havia na programação um treino com o rolo. Por um triz não fiz. Cheguei em casa, sentei no sofá e tirei um cochilo. Acordei e fiquei com a má vontade - mas era treino de força, curtissimo, Big Gear...tá ai um treino que gosto bastante e, quase sempre, me deixa bastante revigorado.

Fiz! E me senti um pouco melhor. Mas isso não durou muito....

Tinha uma corridinha de 40 minutos fácil na sexta-feira pela manhã. Só que foi duro!!!! Não me senti bem. Os primeiros 20 minutos foram de grande desconforto. Nada de dor ou algo no estômago...o corpo apenas não queria correr.

Na metodologia do IG, quando isso acontece, eles te pedem para tentar 20 minutos. Se ainda assim você se sentir mal, ai você para mesmo porque não vai rolar...

A sensação de desconforto não desapareceu, mas depois desses minutos iniciais diminui o suficiente para eu terminar a corrida. Fui trabalhar e me senti péssimo...

Mas para quem não vive do triathlon, enquanto se trabalha se descansa. E a noite eu estava melhor para fazer as séries de 50 metros bem tranquilas na piscina. Todas fáceis.

A sensação de cansaço tinha sumido novamente - mas nada garantiria que ela não voltaria no final de semana. Fiquei meio de zóio....;-))))

Sábado será dia de simulados de swinbikerun (sprint) que passarei a fazer no Riacho Grande. Quando comentei com o Rodrigo que tinha a disponibilidade do Clube do Borracheiros, ele não pensou duas vezes em indicar esse treino para aproveitar a infraestrutura do lugar.

O Mota e o Luiz, que treinam lá, me deram as indicações (thanks Fellows!!!) e fui para lá com um pouco de receio em função do meu estado. Cheguei cedo, encontrei o Júlio Vicunha, que é responsável pelos simulados lá e que me falou do percurso entre as bóias e coisa e tal...

Estava um dia bonito pra burro e a água estava sensacional. Mas deixei a bike ali, encostada no carro, o tênis perto...enfim, apesar do Rodrigo ter pedido para fazer a transição como nas provas, eu vi que ali não dava. Resolvi marcar apenas os tempos da natação, da corrida e do pedal....

(Semana que vem, vi onde o pessoal deixa as bikes ou comprar meu próprio suporte....)

Bom, a natação eu quase gostei, mas não sei se deveria. Ao invés de fazer um aquecimento, iniciei o simulado já nadando forte, aproveitando que outras pessoas tinham pulado na água.

Mas considero que até nadei bem, na casa do 15 minutos, apesar da sensação de braços cansados. Por quê não sei se deveria ter gostado? Porque eram esses os meus tempos no TB. Parece que não evolui.

Claro, bem sei que poderia ter feito outro raciocínio, mais ou menos assim: apesar de ter feito meu último sprint a pelo menos 2 anos atrás, continuo mantendo minha velocidade na natação.

Mas, faz parte da minha psicologia a opção número um (rs).

Fui para a bike e tinha pouquissima gente no Riacho. Dava para fazer um pedal limpo (aliás, que diferença em relação ao congestionamento de carros, corredores e ciclistas da USP!!!!!).

Puxei forte, mas sem o aquecimento das pernas, essas também sentiram o esforço e ficaram pesadas - fiz 21 km com média de 33,8 km/hora - mesmo considerando que o trajeto do Riacho é duro, mostra que eu preciso melhorar demais.

Pois tem gente que faz isso lá para 100 km e acha que treinou mal...

Sai para correr e, como sempre, o pedal nunca compromete a corrida (pelo menos de um jeito que eu perceba imediatamente) e já comecei forte com as pernas soltas.

No Riacho, descendo e subindo, 5 km em 25 minutos. Gostei médio.

Finalizei todo simulado em 1:18 (sem transição).

Em Santos, lembro que fazia em torno de 1:16 com as transições.

Mas sai de lá feliz, porque o dia estava realmente bonito e você fazer um treino curto sem problemas de consciência no sábado é uma coisa a qual eu estava completamente desabituado.

No domingo, estava previsto apenas um pedal de 3 horas fáceis. Outro dia no Riacho e outro dia bonito. Aproveitei a companhia da Deise e fizemos um pedal relaxado, as vezes explorando mais o giro, as vezes explorando uma cadência baixa.

O saldo da semana foi bastante positivo. Apesar do meu corpo ter reagido de forma meio errática com a redução dos treinos, eu realmente estava precisando diminuir o volume.

As vezes, você só percebe essa necessidade quando efetivamente põe isso em prática. Depois de um fase longa de esforço longo, fazer um treino de uma hora e ainda se sentir motivado é muito bom!!!

Até a vontade de ir treinar no final de semana voltou. Quantas vezes substitui as idas ao Riacho por treinos de três ou quatro horas de rolo?

Só espero que o tempo se mantenha assim, firme. Eu gosto do frio, mas para treinar nada é melhor que o tempo que está fazendo agora....



domingo, 30 de janeiro de 2011

Mudanças



"Deus nos dá pessoas e coisas,
para aprendermos a alegria...
Depois, retoma coisas e pessoas
para ver se já somos capazes da alegria
sozinhos...
Essa... a alegria que ele quer"

Guimarães Rosa

Ao retornar de Pucón, recebi um e-mail do coach . Enfim, depois de pouco mais de três anos, não seria mais possível continuar sob a orientação do Vinícius ou, como se diz por aí entre os mais globalizados, do Vinnie Santana.

Desde da morte do Marc Becker, o Vinícius se transformou no Head Coach do Ironguides. Naturalmente, outras responsabilidades se colocaram para ele desde de então, pois a gestão de uma marca internacional ligada ao esporte exige atenção a questões que vão desde da certificação de outros treinadores, até a formação de parcerias com outras empresas, passando ainda pela administração do IG e a formação de outros mestres


Foi como que um apagão. Espernei. Afinal, o Vinicius não era apenas o cara que me repassava planilhas, mas alguém que despertou a paixão por um estilo de vida.

E quando você pratica um esporte que vira estilo de vida, a coisa é séria...

Agia como um tutor que me orientava, dizendo sim, dizendo não. Sempre realista, foi simplesmente perfeito colocando limites nas minhas ambições mais malucas, mas ao mesmo tempo era capaz de viabilizar projetos que pudessem me desafiar.

Isso tudo sem que eu, uma vez sequer, tenha me machucado ou entrado em estado de overtraning. E olhem que não faço musculação, nem alongo, nem nada.

Apenas segui as orientações do Boss, como eu e o Ronaldo falávamos do cara de
sde do Iron 2009. Quem se lembra do filme Menina de Ouro sabe o que o "Boss" significa.

Mas, as coisas tem um fim. Como também dou aulas, sei que ciclos fazem parte da profissão que escolhemos. Além do mais, a amizade está ai e sempre é possível mandar um torpedo para a Tailândia.

O próprio Vinicius, teve o cuidado de trabalhar essa transição, com a indicação do Rodrigo Tosta, treinador do Ironguides do Brasil, para assumir o lugar dele.

Isso seria fundamental, já que trabalhando a tanto tempo dentro da filosofia do Ironguides, eu teria problemas em me adptar com assessorias com outro approach.

Conheci o Rodrigo no Iron de 2010 e tenho dele as melhores referências desde então. Já conversamos um pouco e já estamos trabalhando juntos. Estou bastante otimista e tenho certeza de tudo vai dar certo.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Pucon 2011





Uma das coisas que vem me incomodando nos últimos tempos é que sempre que faço uma prova, escrevo aqui no Blog "nunca antes na história fiz uma prova tão difícil, tão dura, tão isso, tão aquilo..." e blá-blá-blá....

E desta vez não será diferente: Pucon foi a mais difícil de todas.

Se Pirassununga o calor e a umidade arrebentaram comigo, no Chile cheguei no limite da hiportemia.

Mas vamos do começo.

A idéia de fazer Pucon nasceu quando estava bisbilhotando as fotos do orkut da Ana Lidia e da "Tia Roberta", que me contou com um pouco mais sobre o lugar e, bem, não preciso dizer que fiquei impressionado - tanto que comecei a fazer planos. Além da prova em si, havia ainda a possibilidade de conhecer o vulcão Villarica.

Em Penha, conheci a Mariana Henning, que também me incentivou bastante, assim como o Sandro, este aqui de São Paulo, e que fez a prova em 2010.

Eu sou meio "maria vai com as outras", mas como as "outras" não se decidiam ou tinham outros projetos, resolvi ir sozinho. Para quem me conhece, sabe que não é trivial tomar de uma decisão desse tipo.

A "Tia Roberta", que é tia da Ana Lidia, escreveu para ela pedindo informações sobre a viagem. A Ana foi super gentil e deu todas as dicas em relação a companhia de turismo que tinha o melhor pacote. Fui pela Xtravel, que foi bastante eficiente nos arranjos com passagens, estadias e tudo mais. Até ai, me preocupei muito pouco.

No caso da Bike, a Deise me indicou a Ciclovece, que faz o aluguel do case. Entrei em contato com eles e estava difícil arrumar um, já estavam atendendo a 30 pessoas. Mas ainda assim consegui um Thule rígido. Fizeram uma revisão, desmontaram a bike e guardaram no mala-bike. Tudo certo.

No Riacho Grande, pouco antes da prova, encontrei o Luis Gustavo, que já foi logo me dizendo "Cara, essa prova é dura. O Mota foi ano passado e disse que o negócio é punk"....

Bom, se o Mota disse que "o negócio é punk" para ele....bom, algo me dizia que eu deveria começar a me preocupar com algo para a qual eu não tinha até então pensado.

O Mota é um cara que tem um pedal fantástico e é bastante conhecido entre os que treinam no Riacho por ser um triatleta muito forte. Nós nos conhecemos rapidamente em Pirassununga e tão logo ele ficou sabendo que eu iria para lá, me escreveu dando todos os detalhes de como aproveitar a estadia no Chile e, mais ainda, o que eu precisava saber da prova em sí.

Imprimi tudo, tomei os detalhes e peguei o avião para Pucon, dia 16, uma quinta-feira.

Já no aeroporto, foi possível identificar outras pessoas que estavam indo para Pucon. Fácil: todo mundo que faz Iron viaja de tênis, jeans e alguma camisa de competição - fora o tênis. São magro(a)s e você tem a impressão que a roupa é um tanto maior que o número correto.

A viagem dura praticamente um dia. Você faz uma escala em Santiago, onde pega um outro avião até Temuco. De lá, aluga uma vã e entre 45 e 60 minutos chega em Pucon.

No Hotel, logo na entrada, comecei a me dar conta de que essa conversa de que "espanhol é fácil"ou "dá para entender numa boa" é um conceito muito relativo.

Fui atendido primeiramente por um rapaz que não deve está na Hall da Fama dos recepcionistas mais pacientes do mundo....

O menino começou a me perguntar sobre a reserva e outros detalhes, emendando as palavras quase sem respirar e mal olhando para mim.

- Mepodríadecirsunúmerodetarjetááááá?

- ?????????????????????

- Senõr, meprodríadecirsunúmerodetarjetá?

- ???????????????????????????????????

- Númerodetarjetá?

- ????????????????????????????????????????????????

-Tarjeta senõr!

Bom, algo eu tinha entendido. Talvez "número", talvez "tarjeta"....

Agora, exatamente práááá quêêêêê....

Olhei meio de lado para a minha mala, procurando ver alguma tarjeta específica entre as tantas que colocaram lá durante a viagem.

Mas ele resolveu me ajudar (ou achou que estava), fraccionando a cada palavra e mais pausadamente ("mais pausadamente" é licença poética):

- Nú-me-rôôôôôô tarje-tááááááá....

Ao perceber que eu continuava a olhar para a mala, ele tentou outro caminho....

- Cartón!

- Cartón! Sí, Cartón!!!!

- Si, cartón senõr...Internet!

-Ahhhh, você está querendo me dar um cartão para internet? Claro que quero!!!!

- NOOOOOOOOO......

Engraçado, eu não entendia picas do que ele queria, mas ele reconhecia cada besteira que eu dizia em português...

Interesting....

Comecei a perceber um tiquinho de impaciência

Por um minuto ele se retirou.

Entrou por uma porta que ficava atrás do balcão e voltou puxando uma menina pelo braço. Apontou para mim, levantou os ombros, sacudiu a cabeça e disse coisas que, devo supor, seriam mais ou menos assim: "Fala você com esse xarope porque ele tá falando aquela lingua...huuummmm acho que tupi-guarani!".

Talvez também tenha acrescentado um ou outro palavrão que não pude distinguir...

A menina sorriu e disse em um inglês meio titubeante.

- Credit Card Number.....

HÁÁÁÁÁÁÁÁÁ....Credit Card Number!!!!!!

Num átimo, tirei o cartão do bolso.

O rapaz sorriu. A menina sorriu. Eu sorri.

E o mundo parecia ter alcançado novamente o equilíbrio perfeito e a paz entre os povos que falam português e espanhol estava, enfim, reestabelecida.

A menina voltou para dentro do Hotel. E o rapaz, voltando a falar na velocidade da luz, disparou:

- Senõrnúmerodajartá, por favor...

Olhei o cartão, virei, revirei...coloquei o plástico contra a luz. E disse meio que displicente...

-Mas não tem número na tarjeta do cartão!!!!!!!

Ele me olhou impávido, colocou a mão na testa...

- NOOOOOOOOOOOOOOOO......

- ???????????????????????????????????????????????????


*************

Pucon é realmente bonita. Lembra Campos do Jordão, mas sitiada entre vulcões e lagos maravilhosos. O Grand Hotel sediava a prova e conta uma infra-estrutura de se tirar o chapéu.


Instalado, a primeira coisa foi procurar alguém para montar a bike. Tranquilo. Em dez minutos ela estava na minha mão, com o câmbio regulado e tudo. Mas eu ainda teria que testá-la no dia seguinte.

Aproveitei a gentileza da Cris, que conheci ainda no aeroporto de Cumbica, que me convidou para um rolê de bike, seguido de uma corridinha para conhecer o percurso da prova. Na foto estão as pessoas que foram nesse treino. Da esquerda para a direita: Cris, Lisandra, Ana Lidia e Mariana. Ao fundo, Luis Tinelo e a Giuliana.


O dia estava lindo. A bike estava perfeita e foi possível confirmar o que o Mota já havia avisado: o piso da estrada não tem buracos, só que é muito áspero. Em certos trechos, há constantes mudanças de altimetria. Passa-se de subidas, para falsos planos, descidas, subidas novamente e por ai vai.

Nesse mesmo dia, ouvimos que a previsão do tempo era de mudança, com chuvas no dia da prova. No jantar de massas - que, só para deixar registrado, é muuuuuitooooooo superior aquele feito no Ironman Brasil - o zum-zum-zum era de que o tempo abriria um pouco na segunda. No domingo, a previsão era de pancadas de chuva.

Aliás, vamos voltar ao jantar com um adendo: jantar de massas com uma pequena fonte de chocolate no salão.

Quer mais?!?! ;-)

No sábado, pegamos um belo Kit da prova e fomos levar as bikes para a área de transição, que ficava em uma rua ao lado do Hotel. Mas estava chovendo.

Chovendo muito! A área de transição era coberta, mas tinha algumas possas e a água se acumulava nas laterais.

O quadro não era bom.

Olhamos novamente a previsão do tempo na internet: 50% de possibilidades de pancadas pela manhã de domingo.

50% é meio copo cheio, meio copo vazio.

Tentei ser otimista. Lembrei que em Caiobá 2010, mal dava para dormir em função do temporal que caia durante toda a madrugada. Pela manhã, subitamente parou e, no final, a prova foi perfeita.

Só que...

Só que no dia seguinte nós e algumas centenas de pessoas se juntaram no hall do hotel e olhávamos uma chuva forte e intermitente atrás da grande vidraça do salão. E muito vento. O Santiago Ascenço comentava que era provável que o início da prova fosse adiado para as 9:00 da manhã, além de suprimirem a natação.

Fomos para o auditório e lá a organização da prova alegou que não haveria condições de manter os caiaques no lago e que, portanto, não seria possível garantir a plena segurança das pessoas.

A prova seria transformada em um Biathlon: 5 km de corrida, 90 km de pedal e 21k de corrida. A largada seria por categorias e faixa etária - mas, no final isso acabou não acontecendo.

Bem, como eu nunca tinha passado por isso, o que fazer? Correr forte? Moderado?

Meio perdido, fiz uma corrida moderada-forte, na casa dos 23 minutos. Nada assiiiimmm, extraordinário, mas eu sei lá o que iria dar? Todos os nossos treinos de transição são na sequência bike-corrida. Corrida, depois bike...enfim, resolvi ser meio conservador.

O tempo já tinha melhorado muito ao final dos 5k. Dava para ver parte do céu azul e metade negro - a história do 50% para lá ou para cá.

Como já tinha chovido, acreditei que as condições climáticas tinham virado e resolvi sair para o pedal apenas com um manguito. Um grande erro.

O inicio da bike você sai da cidade e entra na estrada do aeroporto. O piso é realmente ruim e o falso plano encobre uma subida chata, um pouco desgastante. Depois entramos em outra via, com o mesmo tipo de piso, mas com uma altimetria mais irregular.

Na ida, o pedal ficou pesado. Achei que era o vento.

Mas, quando fiz o retorno, descobri que o vento da ida estava, na verdade, a favor!!!!! :-((((

Como pedalo sozinho, perdi contato com aqueles que se agrupavam nas pragas dos pelotões. Percebi ainda que o vento não era apenas frontal, pois rajadas laterais me davam a impressão de que eu estava na Bandeirantes, quando aqueles caminhões passam a mil e a estabilidade da bike fica bastante comprometida.

Mas depois encontrei um certo ritmo. Consegui fazer a primeira volta em torno de 32 km/hora - como sei que com a minha eficiência na bike é "marginalmente descrescente" para 90 km, eu já tinha alcançando o teto. A tendência seria a redução dessa média...

Além do vento, já tinha chovido um pouco. Mas pouco.

Iniciei a segunda volta. Achei um bom ritmo e estava gostando do meu pedal. Mas, no quilômetro 70, dei uma "quebrada" - os trechos de subidas, descidas e falsos planos em sequência me desorganizaram e o pedal ficou pesado. Muita gente me passava nesse instante.

Entretanto, voltei para prova quando estava em um longo falso plano em descida. Ali, alcançava-se fácil 50 km/hora pedalando forte.

Exatamente nesse trecho começou uma chuva infernal. Você vai dizer: vento e chuva, por mais chato que seja, não são coisas estranhas para quem tem certa experiência. E, presume-se, quem está numa prova de 70.3 já passou por isso.

O problema é que a chuva era, diferentemente do que acontece quando somos pegos desprevenidos pelos temporais de verão aqui em São Paulo, muito gelada! Comecei a sentir certa dificuldade para trocar as marchas, porque os dedos estavam enrijecendo rapidamente.

Aiiiiiiiii, de repente...

Toc...Toc...Toc...TocTocTocTocTocTocTocTocTocToTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocToc
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Era o barulho infernal das pedras de granizo batendo no capacete. Quando olhei para cima, uma veio diretamente na lente do óculos. A chuva vinha da esquerda e de frente - o jeito era virar o rosto para a direita tentando, mesmo tempo, manter os olhos na estrada.

Pensei que o piso poderia ficar coberta de gelo e acelerei para sair dali. Mas ao acelerar, aumentava o impacto do granizo no corpo - as áreas que estavam mais expostas, como os ombros e as pernas, queimavam.

Apesar de tudo, não perdi a calma. Realmente, até me surpreendi com a naturalidade que encarei aquela situação. Nessas horas, você vê que um bom equipamento e acessórios, como óculos que não embaçam e pneus em dia, fazem de fato diferença nessa situação.

Ao sair da chuva de granizo, entramos no retorno final, um trecho de mais ou menos 15 km. Mas ai o vento e a chuva voltaram, sendo que as rajadas de vento eram laterais. Segurava a bike para que ela não saisse de lado e nesse ponto já notava que a stress já superava o efeito da adrenalina descarregada no corpo no momento da chuva de granizo.

Ao terminar o pedal, desclipei. Mas eu não sentia o pé no chão. A bike escorregou por baixo da minha cintura e por um triz não fui ao chão (foto). Parei, respeirei e tentei mover as pernas, que estavam ok.

O problema se restringia aos pés, que estavam anestesiados pelo frio.

Quando tentei tirar o capacete, notei que os dedos das mãos estavam rigidos e não consegui abrir a fivela. Pedi para alguém da organização me ajudar...

E, Deus é pai, ainda bem que o rapaz que me ajudou não era o mesmo da recepção do Hotel! :-)

Na entrada da transição, tinha notado várias pessoas da organização carregando cobertores. Fiquei em dúvida se saia para correr ou procurava alguma orientação, porque eu nunca tinha passado por isso.

Mas não vendo ninguém ali que pudesse me responder sobre a situação dos pés, decidi sair para os 21k.

O percurso da corrida é mais ou menos assim: três voltas de sete quilômetros, sendo que três completamente planos e quatro entre subidas e descidas (área dentro de condomínio ao lado do hotel). Os primeiros 7 km, minhas pernas estavam ótimas e aos poucos os pés voltaram ao normal. Não contabilizei o tempo, mas senti que estava realmente rápido.

Já na segunda volta, quebrei. Perdi a passada e minhas pernas ficaram pesadas. Resolvi comer e diminuir ritmo - aliás, "resolvi" nada! Não tinha escolha nenhuma!

Conseguia subir bem, mas nas descidas e no plano o ritmo era um pouco superior ao um trote moderado.

Na terceira e última volta, alguns caras começar a me marcar. Claramente. Eu subia mais rápido, mas eles me passavam nas descidas e tentaram abrir no plano. Olhavam para trás para ver a que distância eu estava.

Eu só pensava: mas que diabos esses caras pensam que eu sou! Será que o meu corte de cabelo lembra o do Colucci?

Só que não é minhas pernas voltaram ao normal? Assim, do nada!

Foi a parte mais interessante da prova - consegui encaixar um belo ritmo nos últimos 4k, com passadas curtas e rápidas. É indescritível o prazer dessa técnica de corrida. A impressão é que se flutua...

Fechei a prova em 5:30, 39 na categoria que contava com 99 participantes mas, notem, 27 desistiram.

Entre os 797 inscritos, 236 não completaram - cerca de 1/3 do total.

Terminei obviamente cansado, como é normal nesse tipo de evento.

A conclusão naquele momento era que o corte da natação foi uma bobagem, pois se não era possível nadar, muito menos seria enfrentar as condições do clima que estavam dadas para o pedal.

No dia seguinte, mesmo sem nenhuma dor muscular, o stress da prova gerou um cansaço mentale e um desânimo avassalador.

Teve um momento que me arrependi até de ter feito a inscrição para o Iron. Naquele instante, estava realmente convencido a não me inscrever em outras provas esse ano.

Nem sequer ânimo para subir o vulcão Villarica - um dos motivos que me levou a fazer essa viagem -, nem outro programa entre os vários que podem ser feitos em Pucon.

Apenas sai para caminhar um pouco, comprar alguns presentes e tratar dos assuntos da viagem, como empacotar a bike.

Depois, fui para o quarto descansar, mas sem conseguir dormir. Um inferno.

No terça, dia de voltar. Mesmo que ainda um pouco decepcionado por não ter conseguido realizar tudo o que queria, meu ânimo estava muito melhor.

Tão bom, que até coloquei um outro desafio na cabeça.

Ano que vem, espero voltar lá e já prometi a mim mesmo que, além de vou subir o Villa Rica, vou encarar o desafio que a Ana Lidia e a Mariana Borges pretendiam fazer: uma volta de natação de 6k no lago em frente ao hotel.

Só para "relaxar"! ;-))))))



Alguns depoimentos sobre a prova.

Lindsey Corbin

"Eu estou feliz por não ter desistido durante todo o dia e por ter levado a vitória aqui em Pucon'' disse Corbin, resumindo o que foi a disputa em tão difíceis condições. "Tiveram vários momentos em que eu pensei - isso é uma loucura! - mas, logo em seguida, tentava me divertir com a chuva e ficar o mais aquecida possível. Apesar da natação ter sido cancelada, eu acho que todos nós acabamos nadando, de tanta água que caía nas etapas de bike e de corrida.''


Galindez

En todas mis participaciones en el triatlon de Pucon nunca me depare con un clima tan hostil como sucedió en esta ultima edición del Ironman 70.3...el día anterior a la competencia la lluvia no dio tregua en el balneario Chileno y la temperatura bajo considerablemente, cuando me levante y fui a desayunar al restaurante del Gran Hotel Pucon, los organizadores me comunicaban "extraoficialmente" que el primer cambio estaba decidido, la largada se corría a las 9:00 hs, poco después anunciaban el cambio definitivo para Duatlon.
El viento soplaba fuerte, el lago Villarrica estaba movido pero según mi análisis se podía nadar, o acaso no es el triatlon un deporte de resistencia extrema? cuantas veces escuchamos a los propios triatletas hablar de superación y desafío...recuerdo algunos triatlones que participe en Mar del Plata donde las olas eran superior a 2 metros de altura, otras veces el circuito de natación en la "Feliz" se realizaba contorneando las piedras entre las playas Varese y Bristol, le llamábamos "licuadora" porque el mar te movía como loco, pero eran otras épocas.
Largamos 9 en punto, 5 km de corrida abrían el "Ironman duatlon", allí se impuso un ritmo alto y a los pocos metros de la largada nos cortamos 6 atletas en la punta, así comenzó el ciclismo donde en los primeros km me fui acomodando hasta liderar prácticamente toda la primera vuelta de 45 km, en la segunda empece a sentir el impacto de la baja temperatura endureciéndome las piernas, después del granizo que nos azoto por un instante comencé a sufrir una especie de hipotermia lo que se fue agravando hacia el final de esta etapa, a esa altura ya había cedido el primer lugar pero continué junto al grupo donde se encontraba Colucci, Fontana y Csoke.
De esta forma finalizamos el ciclismo y emprendimos los 21 km finales donde los primeros 9 km fueron terribles para mi, estaba trabado y luchaba para calentarme y entrar en ritmo lo antes posible, Colucci y Fontana se ivan pero yo estaba concentrado en recuperar mi ritmo lo que logre recién en la segunda vuelta, desde ahí comencé a descontar la diferencia con Colucci, consolidandome en el tercer lugar final.
De esta forma se cierra un capitulo mas de la "carrera mas linda del mundo" con un podio que se suma a mi trayectoria de participaciones en Pucon desde 1990 donde fui 5 colocado y con 6 victorias conquistadas.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Semanas de Treino Pré Pucón

Nessas duas últimas semanas que não publiquei nada sobre os treinos decorre um pouco do fato de que o último post já traça a rotina de atividades que tenho durante o mês. Pouco coisa muda de uma semana para outra.

Tenho conseguido manter essa rotina de treinos, mesmo no final de ano. Entretanto, o que me deixou um pouco mal foi uma gripe e uma tosse que me obrigaram a, uma vez aqui, outra ali, mexer nos treinos ou mesmo não realizá-los.

Como disse antes, o coach vem trabalhando bastante com treinos de qualidade, focando em atividades com mais alta atividade. Os longos se resumem a duas horas de corrida no sábado e três horas no domingo.

Mas, não sei se por conta de estar um pouco debilitado, os treinos de intensidades voltados para o aumento da capacidade de VO2 me deixam bastante irritado. Como sou bem disciplinado, se a planilha pede algo "forte" na piscina, no pedal ou na corrida, então eu faço valer.

Só que tenho a sensação de que tenho apenas metade do pulmão me ajudando.

Além disso, eu confesso que não tenho prazer em exercícios de intensidade: me peça para ficar quatro horas no rolo e correr outras quatro que não vou reclamar.

Mas fazer 15 minutos no pedal em ritmo Time Trial é uma sensação sufocante que eu acho quase intolerável.

Demorei um pouco para entender, mas a verdade é a seguinte: EU NÃO GOSTO DE SENTIR DOR!

Acho que isso é uma coisa me impõe um limite enorme em busca de resultados. Quando vemos os desempenhos entre a elite ou na cabeça das listas dos age groups, pode ter certeza que estamos diante de pessoas que possuem uma capacidade de tolerar a dor muito além da média

Mas, pelo amor de Deus, não vamos simplificar e achar que isso decorre de mantras, livros de auto-ajuda ou das frases clichês do Lance Armstrong.

Em parte, isso é treino. Em parte, também é herança biológica. Talvez uma outra parte seja um dado estado psicológico do indivíduo (mas nada a ver com "mentalização").

No meu caso, considero que disponho de uma considerável dose de disciplina mental para treinos longos. Do ponto da aptidão puramente física, meu condicionamento também é bastante favorável a provas de longa distância.

Mas quando eu penso que vou fazer um treino que vou ter que dar duro durante 15 minutos que seja, meu estado psicológico se altera a tal ponto que mal tenho vontade de sair de casa.

Isso não significa que não cumpro os treinos nem que os despreze. Pelo contrário, artigos e mais artigos insistem que treinos de qualidade e alta intensidade são tão ou mais importantes que os treinos longos e, vejam ai que enrascada a minha: tais treinos são ainda mais importantes conforme avança a idade....

Enfim, não bastasse exame de próstata, mais essa....;-))))

Outra coisa que me incomoda é que não tenho feito muitos treinos de pedal na rua. Realizei apenas um na USP depois de Pirassununga...e pela metade - um aro da roda traseira estourou e tive que parar...

Aliás, foi estranho - ouvi um estrondo, como se alguma peça tivesse se desprendido da bike e sido arremetida no chão. Com força.

Desci da bike, olhei em volta e nada no chão. Mas a roda ficou desalinhada. Tirei, coloquei novamente e não consegui girar. Até então, eu não entendi o que tinha acontecido.

Levei no Marcola e lá o Fernando sacou rapidinho. Aro estourado. Aliás, descobriu outra - a gancheira do câmbio estava trincada...

Bem, melhor ter acontecido agora.

Mas vou dizer uma coisa - quebrou a corrente, você arruma. Furou a câmara, você arruma. Rasgou o pneu, até isso você é capaz de arrumar.

Mas se estourar aquele raiozinho da roda...ai você senta e chora, porque a prova já era....








segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Treino da Semana

Depois de uma semana totalmente off, comecei a seguinte com a rotina de treinos de sempre...

Mas não está "off-season" ainda? Engraçado o número de matérias sobre esse assunto nessa época do ano.

O problema é que tudo é muito repetitivo. Pouca gente tem coisas a acrescentar sobre esse assunto.

Tenho quase certeza que os que lêem sobre essa rotina de provas e treinos, podem pensar que logo logo o dono desse blog vai entrar em estado de "overtraining".

Mas o mundo é bem complexo que clichês tipo "Treino também é descanso" dão a entender....

Sim gente, isso virou clichê.

E notem: o grosso dos que falam sobre overtraining é exatamente aquela parcela de pessoas que menos se expõem a isso de fato.

Notaram?

Mas voltando ao principal, acho que se peca demais por falta de foco. As vezes (ou quase sempre) as abordagens não distinguem as particularidades dos amadores ou daqueles que competem nos chamados "age-groups".

Tem um artigo do Marc Becker que acho perfeito. No fundo ele diz que apenas os triatletas profissionais de fato precisam de descanso tal como você e eu entendemos "descanso".

Nós (ou a maioria de nós) amadores, temos outro estilo de vida. Passamos o dia sentados ou, por compromissos familiares ou profissionais, nosso treinamento é repleto de lacunas. Nesse sentido, ao invés de um planejado day-off, seria mais interessante que a nossa rotina e os imprevistos que ela impõe fossem utilizadas como descanso.

No fundo, nós que trabalhamos no setor de serviços da economia, temos uma cota de "descanso" (ou"não atividade") superior aos que precisam usar suas habilidades físicas todo dia, a toda hora.

Mas reclamamos mais que eles...(isso sou eu que estou dizendo...;-))))).

Isso não significa que as pessoas não precisem de alguns dias, quantos forem, sem treino.

Mas, pelo menos na minha opinião, essa parada decorre mais de um alivio em relação ao transtorno mental que os treinos impõem do que esgotamento físico propriamente dito.

Por isso, gosto das pessoas que dizem "agora eu vou parar para poder ficar com a familia, filhos, viajar, andar de montain bike, surfar ou simplesmente acordar tarde no final de semana para ler o jornal na cama...."

"Descanso" aqui tem que ser visto como descanso no sentido mais preciso do termo. Ponto.

De outro lado, em relação ao meu calendário (e também considerando a minha idade), o período off-season é de treinos curtos e intensos, com volume restrito. A vantagem é que treinos assim são reparativos, podem ser utilizado para ganho de velocidade ou o desenvolvimento de novas habilidades sem prejuízo dos ganhos obtidos ao longo de todo ano.

Em resumo, "descanso também é treino" é um desses clichês que poderiam ser banidos do vocabulário dos amadores sem o menor prejuízo.

Tem outras coisas que precisamos repensar, deixar certas posições de lado sem medo porque elas foram pensadas para um universo na qual nós amadores não fazemos parte.

Heresia? Olha isso aqui http://www.ironguides.net/news/428.html

Bom, mas em janeiro tem Pucón!

E o coach já definiu a estrutura de treinos até lá.

É o tipo de treino que me faz sofrer pra burro. Em resumo: ele está investindo em intensidade.

Segunda-feira, é dia de natação. Depois de um aquecimento, são tiros de 25 metros, depois 50 metros em ritmo moderado, voltamos para os tiros de 50 metros e, para dar uma aliviado no sistema cardiovascular (mas não nos braços) 300 metros com palmar e flutuador. Ai você percebe que seus braços estão bem cansados e...descansa? Não, faz a série toda de novamente....:-((

Terça-feira é uma rotina que começa com um corrida leve pela manhã. Coisa de 30 ou 40 minutos. Mas a noite, você pega a bike, põe no rolo e faz treinos de VO2. Tiros de 2 minutos com intensidade forte 3x, depois 90 segundos 4x, ai 60 segundos 5x e termina com mais e 30 segundos 6x. O intervalo é idêntico ao período de esforço. É o tipo de treino que me deixa estirado no chão da sala depois de feito...

Quarta-feira, uma corrida de 60 minutos pela manhã (fora aquecimento e desaquecimento), mas com intensidade moderada. A noite, 45 minutos de natação com pulbóia e palmar, progressivo.

Quinta-feira, um treino de transição na academia: pedal forte com alta intensidade e intervalado. Na sequência, esteira com períodos de intensidade fácil a moderada. Não considero dos mais difíceis, mas é uma novidade, pois treino de transição mesmo eu só fazia aos sábados e domingos.

Sexta-feira, piscina novamente. E daqueles treinos de intensidade que "doem até". Imagine 1.500 metros com tiros de 100 metros com míseros 30 segundos de intervalo. Quando você começa a tomar fôlego, tem que sair a mil novamente.. Os braços ficam imprestáveis!

Sábado, 3 horas de pedal com uma corrida de 30 minutos. Bom, nesse sábado, voltei para a USP. E fazia tempo que não pedalava lá. Nada mudou. Chego, o sol ainda não nasceu. O piso da Raia é tão ruim, é tanto tranco, que tudo pula! O capacete só não vai parar na Marginal Pinheiros porque tá com a fivela....

Domingo, é dia de longuinho. Coisa entre uma hora e quarenta ou duas de treino. Mas, como fui ver os amigos no TB de Santos, corri apenas uma hora por lá - mas não me senti bem, não.

Depois fui nadar com o Alberto, que fazia sua estréia no triathlon e fui ver a chegada dele e do Edú.

O dia valeu também por ter ficado de papo com a Guda e a Claudinha, além de ter revisto o Caio, Gabi, o Edú Carvalho, Felipe...putz, tanta gente!!!

Nunca tinha ido a uma prova para curtir. Gostei da experiência!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Pirassununga 2010



Toda vez que a gente comenta uma prova (sobretudo se o resultado não é o esperado), é batata: o mar estava grande, muito vento na bike, a corrida estava muito quente com o sol a pino e blá, blá, blá....

É sempre um drama.

E quando os dramas se aglomeram na linha chegada ou na área de dispersão, parece que aqueles caras com roupa apertada voltaram algum lugar que rolou uma hecatombe que só você, que foi lá para assistir, não viu.

Então, desconto dado para os exageros de sempre, de fato vou dizer o seguinte: Pirassunga machuca.

Essa foto do Ciro e o relato dele sobre Pirassununga são bastante emblemáticos sobre o que foi essa prova (e olha que eu acho esse cara o melhor triatleta do Brasil)

Se a prova não te enche de dores musculares e bolhas nos pés, o calor extremo pode te dar enjôo ou tontura ou deixá-lo mentalmente exausto muito antes do final. O sol direto na sua pele pode gerar queimaduras e, conseqüentemente, febre a noite.

Não tenho dúvidas que a minha terceira participação foi a mais difícil. Meu "pior" resultado lá foi esse ano: 5:28. Mas também considero que foi a melhor prova que já fiz em termos de superação.

Porque, como diz o Vinícius, cada prova tem sua história. Os resultados são relativos e comparações devem ser sempre muito bem pensadas. Diferenças de poucos minutos são insignificantes e traduzem coisas diferentes a cada ano.

Em Pira 2010 o nível de dificuldade foi muito maior que em 2008 e 2009. Além do mais, estou mais velho. Isso é um dado que não posso ignorar. Para quem leu o bom (e apenas bom) "Do que eu falo quando eu falo de corrida", de Hakuri Murakami, sabe que a partir de uma determinada fase, a luta não é para baixar os tempos, mas resistir o máximo possível....

E foi essa minha meta esse ano. Não deixar meu tempo cair para 5:30.

Depois do Long Distance de Caiobá em abril, do Iron em maio, do 70.3 em Penha em agosto, a Ultra Bertioga-Maresias em outubro, você pode pensar que tudo isso influiu na minha queda de rendimento.

Seria cômodo para eu dizer isso. Mas não vou fazê-lo. Porque não é verdade.

Apesar dessas provas todas, não senti esse ano, em qualquer momento, o cansaço acumulado. Não me senti esgotado física ou mentalmente. Todas as provas curti e fiz com prazer, sem deixar de fazer o melhor que posso.

Meu problema são minhas deficiências de sempre. E cada vez tenho que treinar mais para que a bola caia menos.

Bom, mas e a prova?

Todo sabe que no triathlon a prova começa por um bom planejamento. Quando se trata de um triathlon de endurance, nem se fala....

Ai já comecei mal. Fui para Pira deixando na geladeira parte dos frascos de pedialite, além do estomazil, que deveria usar para fazer o composto que iria tomar durante a prova.

Outra coisa. Fiz a reserva do Hotel na última hora. Pior: cheguei lá, a reserva não estava confirmada.

Resultado, fui parar em um quarto nos fundos, ao lado de uma avenida que dava para o maior hipermercado de Leme. As janelas não eram a prova de ruído. O banheiro, bem...você já se hospedou em algum banheiro com "rodo"?

Sim, rodo...rodo, aquele...rodo de puxar água!

O meu, tinha. Como não havia cortina ou box, o troço estava ali para o hospede puxar a água e não deixá-la ir para o quarto. Digamos que aquilo seria uma espécie de "auto-serviço", se é que vocês me entendem...

Mais: lá pelas tantas, depois do banho, quando usei o banheiro e fui ver, o papel higiênico parecia aquelas bolatas ensopadas que a gente fazia na escola para jogar no teto da sala.

E, finalmente, vi apenas um toalha e não havia espelho.

Bom, mas eu não esquento com isso, não. Uma das coisas que eu aprendi nessas situações é que a prova em si já é estressante o suficiente e o negócio é se virar...

Preparei as gororobas que o Mario, meu nutricionista, me recomendou e fui dormir. Ou tentar....

Levantei as 5:00, tomei banho e comecei a me hidratar. Além disso, já passei a primeira mão de protetor solar - principalmente porque tinha esquecido de levar a camisa de manga longa da 2XU, que é apropriada para evitar os queimaduras provocadas pelos raios solares e ainda mantém a temperatura corporal.

Fui para a Base Aérea, estacionei o carro tranquilo e já encontrei a Cintia, que eu não via desde do Iron. A gente bateu um papo, demos muitas risadas e fui levar minha bike para a transição. Tudo normal (claro: fora tudo que esqueci, depois de conferir "tudo" antes de sair de casa....).

A natação começou tranquila e sem os atropelos como ano passado. Sai bem no canto e fui tentando achar meu ritmo, já que não sou daqueles aptos para dar um tiro forte e depois entrar em velocidade de cruzeiro.

Depois de emparelhar com um sujeito que não me deixava passar, pensei "porque diabos eu vou ficar aqui fazendo força se eu não tenho braço suficiente para passar e deixar esse sujeito para trás?".

Não deu outra: peguei a esteira! Como a água estava ótima, eu conseguia ver os pés da pessoa que seguia na minha frente. Quando chegou uma menina, troquei de carona. Foi ótimo! Lembrei de um comentário que li no Blog da Talita Saab, quando ela dizia que muitas a primeira coisa que ela mira é a esteira de alguém da elite e tenta não perder esse lugar de jeito nenhum.

Bom, foi o que eu fiz. Ou tentei....

Pelo menos até um cara de 800 quilos tomar o meu lugar...e não dava para discutir o assunto com o rapaz, que foi chegando, foi chegando, foi chegando....quando fui ver, já era!

Mas acho que fui um pouco preguiçoso. Quando dei por mim, realmente nadei sem esforço. Meus braços sempre dóem, mas desta vez não senti nada. Fiz esforço apenas nos últimos 500 metros. Não sei meu tempo na natação e estou curioso para ver o resultado disso tudo.

Sai da água inteiro. Fui pegar minha bike e minha sapatilha, que eu tinha arrumado na noite anterior, estava com com o laço muito apertado. Ai coloquei, tirei, coloquei de novo, tirei....enfim, perdi alguns minutos ali - mas isso também não me chateia.

Na bike, sai para pedalar na boa. Muita gente "espertinha", mas sem prática, toma tombos bestas porque deixa a sapatilha clipada na bike. Só que o início é uma pequena subida. Ai o fulano se embanana todo eeeeee...pumba!

Acho que esse ano não teve muito vento - pelo menos não como ano passado. Também não vi muitos pelotões - mas, como já comentaram por ai, quem está dentro da prova não vê nada do que se passa. E, segundo o Kleber Corrêa, pelotões, pelotões e mais pelotões....

Tentei fazer uma média para 34 km/hora, mas faltou força e cai para 33,2 km/hora no final. Considero esse resultado bom porque, em primeiro lugar, andar a mais de 33 km/hora em 90 km não é bolinho, não (o problema é que para os padrões do triathlon, essa média não é lá essas coisas...né Artur???? ;-))).

Em segundo, depois de Penha, eu apenas pedalei na rua uma única vez. O resto foi treino no rolo.

Foi na bike que comecei a me hidratar com uma gororoba que o Mário recomendou. Só que ele tinha indicado que eu colocasse, junto, estomazil - que eu tinha esquecido.

Resultado: aquilo era tão porreta que eu não sentia nem necessidade de comer. Só que meu estômago foi "inchando", ficando cada vez mais pesado.

Fechei a bike. Minha cadência média foi de 73 rpms. Baixa, não? Você pode pensar: esse cara fez muita força e vai sair para correr com a musculatura travada.

Nada disso. Sai para correr com as pernas completamente soltas.

Eu não entendo isso e já desisti de tentar. Mas quem quiser explicações detalhadas, escreve para o Vinicius. Depois me escreve e me explica, ok? ;-))))

O meu único problema continuava a ser o estômago. Eu não comi nada durante a bike e não conseguia tomar gel na corrida. Hidratar também não estava fácil.

Mas nada de diarréia ou coisa do gênero. Só aquele incômodo...

Aiaiaiai...cadê aquele estomazil????

Apesar de tudo, minha corrida foi, como sempre digo, execução de passada. Eu tento dar 90 passadas por minuto e boas! Não faço força - aliás, acho isso até um defeito meu. No fundo, quero evitar a dor do esforço...

Quando vejo os caras da elite ou os melhores amadores me passando nessas provas, gemendo e arfando com dificuldade, completamente ensopados e quebrados (sim, os caras correm quebrados e ainda assim conseguem tempos excepcionais) sinto que esse esporte que escolhi para fazer na vida é uma coisa que, antes de tudo, dói!

E você sabe que vai passar pelo mesmo na prova, só que um pouco mais a frente!

Bem, feita a primeira perna dos 21k com relativa tranquilidade, na segunda o sol veio e ficou a pino.

A sensação de incômodo foi passando, tanto que ensaiei uma aceleração, imaginando que eu era o Craig Alexander (levanta a mão quem nunca já fez prova de ciclismo e no pedal se imaginou o Lance Armstrong! Cáspita, tem gente que faz isso em aula de spinning, ué!).

Me senti bem enquanto a pilha durou, pois o Craig Alexander incorporou um pouco cedo demais. Antes de sair daquele inferno que é o trecho de terra, quebrei. Claramente, quebrei.

Minha sorte é que eu sou quebrado por natureza e correr assim não me é estranho. ;-)))

Só que eu não fico repetindo "a dor é passageira, mas a derrota é eterna" porque isso ai é dessas coisas inúteis que me irrita só de pensar....

Porque se você não treina correr cansado meu chapa, não tem frase de efeito ou pensamento positivo que vai te salvar na hora "H". Você tem que confiar muito mais nas suas pernas do que na sua cabeça...

Vai por mim! Pára de assistir os vídeos do Armstrong no Youtube e vai treinar....

Bom, fui executando cada passada, tentando não pensar no final. Mas no último quilômetro meu estômago piorou e fiquei com muita vontade de vomitar. Foi por pouco....

Na chegada, depois de cruzar a linha e corri para a sombra. Joguei-me no chão e senti a pressão despencar. Não conseguia beber nada, muito menos comer - mas a sede e fome eram infernais!

Fui para enfermaria e o pessoal tirou minha pressão - estava 9 por 7. Como não entendo nada disso, não sabia se isso era bom ou ruim. Mas pela cara deles, logo descobri que pelo menos bom não era....

Tomei um comprimido para conter o enjôo. O efeito foi instantâneo e melhorei na hora. Comecei a me hidratar e ver o pessoal no final...A grande maioria dentro das banheiras, jogando água fria no corpo ou sentada em sacos de gelo...

Para mim, as consequências foram duras: queimaduras de sol, febre durante a noite, bolhas no pé (que estou drenando nesse momento, um pouco preocupado com uma possível infecção) e 5 quilos a menos.


Por último, não dá para não falar dos amigos.

Encontrei com o Paulo, Artur, Sandro, Negão, Flávio, Marcão, Dalton, Mota, e tantos outros que me foram apresentados e que não conhecia, com o Nelson e o Marcos, que vão para Pucón e a gente combinou de se encontrar por lá...

Da comunidade do Orkut, vai um abraço para "os manú":

O Luiz Gustavo, que não fez prova, deu uma força para todo mundo que podia! O que esse menino nadou, correu...ele só não fez o pedal! Tudo para ajudar os amigos e o irmão que estava fazendo a prova!

Já o Luiz (Rofi) me deu aquela moral no começo dos 21k - eu não estava muito bem, aquela fase difícil da transição bike-corrida, quando o seu corpo está se adaptando. Ele me viu e correu do meu lado para incentivar! Putz, super obrigado!!!!

Aliás, o mesmo fez o Kleber, que foi para lá para auxiliar o pessoal da 5ways e também prestigiou todo mundo. Aliás, até brinquei no twitter, dizendo que o cara é tão fera que ele correu do meu lado (de havaiana) uns 100 metros fazendo o pace e já foi o suficiente para eu buscar um encardido que eu não pegava de jeito nenhum! (rs)

O Rodrigo correndo ao lado da Ariane foi um espetáculo a parte! Passada larga, consistente, concentrado. É uma coisa impressionante! E, olha, mesmo assim, não deixou de dar um alô quando nos cruzamos!

Bom, para fechar, como escrevi no facebook, em Pira a gente não se cumprimenta porque terminou a prova, mas porque sobreviveu a ela.

domingo, 14 de novembro de 2010

Treinos para Pirassununga

Depois de Bertioga-Maresias, tive praticamente um mês para me preparar para Pirassununga, prova que será realizada no próximo domingo, dia 21 de novembro.

A estratégia do coach foi investir em treinos curtos e mais intensos, voltados para tonificar a velocidade.

Segunda-feira, um treino de natação. Coisa do tipo 16 x 50 metros sendo 3 fraco e 1 forte; 12 x 50 (2 fraco e 1 forte); 8 x 50 metros (1 fácil/1 forte) e por ai vai. Terça, dois treinos de bike, ambos bem curtos - pela manhã, 2o minutos de aquecimento, depois 10 minutos alternando 1 fácil e 1 forte (cadência alta) e mais 10 da mesma forma, (mas cadência baixa). A noite, o clássico 45 minutos, sendo 15 fraco, 15 moderado e 15 TT.

Quarta-feira é dia de corrida, mas bem curtinho - o principal dura apenas 23 minutos, e tem o mesmo estilo da natação da segunda-feira: 4 minutos forte, 3 x 2 minutos forte, 2 x 3 minutos forte e por ai vai. Quinta, 45 minutos no rolo pela manhã (Big Gear) e natação a noite (50 minutos com palmar e pulbóia).

Sexta-feira, um pouco mais complicado - tiros de 25 metros e, depois, uma série doida de 10 tiros de 200. Sábado, 90 minutos de corrida moderada e, domingo, 3 horas de bike fácil com intervalos de maior intensidade aleatóriamente (15 minutos TT).

Na verdade, somente hoje, depois de 2 meses, sai do rolo aos domingos e fui pedalar na rua. Chuva, frio, preguiça...enfim, quando se pensa como é super mais cômodo pedalar na sala do que ir para a USP ou o Riacho, eu tenho optado por ficar em casa mesmo.

Mas hoje isso não seria possível, pois seria uma temeridade ir para Pirassununga sem ter pedalado na estrada durante tanto tempo.

E lá fui eu para o Riacho bem cedinho...e tava frio, com garoa e muita neblina. Como sou afoito, faço sempre a estupidez de pedalar lá mesmo quando a visibilidade está quase zero - a vontade de acabar o treino o mais rápido possível supera a sensatez.

Porque treinar no Riacho dói. O frio queima e cada subida daquelas, para quem pedala com cadência baixa, é um esforço considerável - com o tempo, você fica um touro, mas a custa de muito força.

Mas foi bom. Pedalei pouco mais de 3 horas, meu corpo respondeu bem depois do desconforto dos primeiros quilômetros e consegui ganhar um pouco mais de confiança para o Long Distance. Mas apenas isso: um pouco de confiança.

A prova lá é muito dura e estou ciente de que, mesmo mais leve por conta da perda de peso desde do inicio dos treinos para a Ultra, não me sinto forte.

Tenho um pedal muito aquém e o preciso treinar bastante para ficar na média das demais pessoas que estarão lá. Ter negligenciado o pedal na rua vai ter lá seu custo...

Meu objetivo, entretanto, é terminar e curtir a prova. Acho que esse ano já posso me dar feliz por ter conseguido fazer tantas coisas....

Se terminar em menos de 5:30 vai ser uma vitória e tanto. Vamos ver....

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Semana de Treino

Em uma das trocas de e-mails no final de semana antes de Bertioga-Maresias, eu e o Alberto comentávamos que depois da ultra, tínhamos domingo dá para descansar...mas segunda-feira já estaríamos na piscina para os treinos de natação.

E assim foi....

Segunda-feira já estava na piscina, fazendo um treino leve de 2k. Na terça rolo leve para soltar as pernas e, quarta, novamente na piscina. As dores da perna já tinham sumido.

Quinta, rolo leve e sexta-feira um treino de 1 km de natação em ritmo de contra-relógio.

No sábado, choveu e fiz um treino de rolo de duas horas. Mas já um pouco mais forte durante 2 horas. No domingo, uma corrida de 40 minutos beeeemmm leve - mas foi estranho, muito úmido, não me senti confortável.

Mas o melhor treino, mesmo, foi no domingo imediatamente após a Ultra. Uma caminhada de uma hora aqui na Brás Leme! E fiz questão de cumprir a planilha...

Porque a gente faz tanto treino duro, na chuva, no sol, cansado, destruído...Ai, tá lá planilha, "caminhada". Ué, vou ficar em casa?

Não senhor!!!!

E foi muito legal. Você sai na rua, vê outras pessoas correndo, andando, trotando ou simplesmente passeando com o cachorro e ai presta atenção na vizinhança....

Mas algo bem triste me chamou a atenção: várias familias, com idosos e crianças, em baixo de parapeitos de lojas. Contei 5 em um quarteirão....

Coloquei no Facebook. Que coisa é essa de gente na rua?

Cheguei em casa e pesquisei. Para não ser leviano, cito todos os números que encontrei: entre mil e quatro mil vagas de albergues foram extintas na administração Kassab em SP.

Em época de eleição, quando as sensibilidade política vai ao limite, não deu outra: quero saber que raios de gente mora nessa cidade que não cobra de quem foi eleito uma atitude sobre isso.

Mais: na eleição seguinte, dá os ombros para tudo e vota segundo preferência pessoais muito suspeitas. Porque "não gosta" ou "gosta" ou é "a favor" ou "vota contra" como se tudo na política fosse algo como futebol.

Só que aquelas pessoas estão lá na rua. Estão desamparadas.

E você vota no candidato X, porque não gosta do Y, porque a candidata Y fez botox. Ou, ao inverso, vota no Y porque o X é gay.

No twitter, essa semana, foi pior. Dei vários unfollows em gente que destilava ódio e preconceito.

Então, nem sempre nós que amamos correr, nadar ou pedalar temos, por isso, afinidades.

No fundo, gostaria que as pessoas que ficam felizes com as vitórias de cada meta pessoal, também fossem mais atentas, exigentes e menos superficiais com a política.

Seria muito melhor que todos, antes de votar contra o partido tal ou qual, beltrano ou fulano, votassem a favor das qualidades de quem escolhe para ser prefeito, governador ou presidente.

Isso não pretende desqualificar o voto de quem não pensa como eu, mas sim valorizar a perspectiva de cada um porque obriga que você conheça o que seu candidato ou seu partido pretende fazer em relação a miséria, a pobreza e a desigualdade.

Isso sim vai fazer diferença para aquelas pessoas que não correm, pedalam e muito menos tem twitter, facebook ou tem Internet.