quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Pucon 2011





Uma das coisas que vem me incomodando nos últimos tempos é que sempre que faço uma prova, escrevo aqui no Blog "nunca antes na história fiz uma prova tão difícil, tão dura, tão isso, tão aquilo..." e blá-blá-blá....

E desta vez não será diferente: Pucon foi a mais difícil de todas.

Se Pirassununga o calor e a umidade arrebentaram comigo, no Chile cheguei no limite da hiportemia.

Mas vamos do começo.

A idéia de fazer Pucon nasceu quando estava bisbilhotando as fotos do orkut da Ana Lidia e da "Tia Roberta", que me contou com um pouco mais sobre o lugar e, bem, não preciso dizer que fiquei impressionado - tanto que comecei a fazer planos. Além da prova em si, havia ainda a possibilidade de conhecer o vulcão Villarica.

Em Penha, conheci a Mariana Henning, que também me incentivou bastante, assim como o Sandro, este aqui de São Paulo, e que fez a prova em 2010.

Eu sou meio "maria vai com as outras", mas como as "outras" não se decidiam ou tinham outros projetos, resolvi ir sozinho. Para quem me conhece, sabe que não é trivial tomar de uma decisão desse tipo.

A "Tia Roberta", que é tia da Ana Lidia, escreveu para ela pedindo informações sobre a viagem. A Ana foi super gentil e deu todas as dicas em relação a companhia de turismo que tinha o melhor pacote. Fui pela Xtravel, que foi bastante eficiente nos arranjos com passagens, estadias e tudo mais. Até ai, me preocupei muito pouco.

No caso da Bike, a Deise me indicou a Ciclovece, que faz o aluguel do case. Entrei em contato com eles e estava difícil arrumar um, já estavam atendendo a 30 pessoas. Mas ainda assim consegui um Thule rígido. Fizeram uma revisão, desmontaram a bike e guardaram no mala-bike. Tudo certo.

No Riacho Grande, pouco antes da prova, encontrei o Luis Gustavo, que já foi logo me dizendo "Cara, essa prova é dura. O Mota foi ano passado e disse que o negócio é punk"....

Bom, se o Mota disse que "o negócio é punk" para ele....bom, algo me dizia que eu deveria começar a me preocupar com algo para a qual eu não tinha até então pensado.

O Mota é um cara que tem um pedal fantástico e é bastante conhecido entre os que treinam no Riacho por ser um triatleta muito forte. Nós nos conhecemos rapidamente em Pirassununga e tão logo ele ficou sabendo que eu iria para lá, me escreveu dando todos os detalhes de como aproveitar a estadia no Chile e, mais ainda, o que eu precisava saber da prova em sí.

Imprimi tudo, tomei os detalhes e peguei o avião para Pucon, dia 16, uma quinta-feira.

Já no aeroporto, foi possível identificar outras pessoas que estavam indo para Pucon. Fácil: todo mundo que faz Iron viaja de tênis, jeans e alguma camisa de competição - fora o tênis. São magro(a)s e você tem a impressão que a roupa é um tanto maior que o número correto.

A viagem dura praticamente um dia. Você faz uma escala em Santiago, onde pega um outro avião até Temuco. De lá, aluga uma vã e entre 45 e 60 minutos chega em Pucon.

No Hotel, logo na entrada, comecei a me dar conta de que essa conversa de que "espanhol é fácil"ou "dá para entender numa boa" é um conceito muito relativo.

Fui atendido primeiramente por um rapaz que não deve está na Hall da Fama dos recepcionistas mais pacientes do mundo....

O menino começou a me perguntar sobre a reserva e outros detalhes, emendando as palavras quase sem respirar e mal olhando para mim.

- Mepodríadecirsunúmerodetarjetááááá?

- ?????????????????????

- Senõr, meprodríadecirsunúmerodetarjetá?

- ???????????????????????????????????

- Númerodetarjetá?

- ????????????????????????????????????????????????

-Tarjeta senõr!

Bom, algo eu tinha entendido. Talvez "número", talvez "tarjeta"....

Agora, exatamente práááá quêêêêê....

Olhei meio de lado para a minha mala, procurando ver alguma tarjeta específica entre as tantas que colocaram lá durante a viagem.

Mas ele resolveu me ajudar (ou achou que estava), fraccionando a cada palavra e mais pausadamente ("mais pausadamente" é licença poética):

- Nú-me-rôôôôôô tarje-tááááááá....

Ao perceber que eu continuava a olhar para a mala, ele tentou outro caminho....

- Cartón!

- Cartón! Sí, Cartón!!!!

- Si, cartón senõr...Internet!

-Ahhhh, você está querendo me dar um cartão para internet? Claro que quero!!!!

- NOOOOOOOOO......

Engraçado, eu não entendia picas do que ele queria, mas ele reconhecia cada besteira que eu dizia em português...

Interesting....

Comecei a perceber um tiquinho de impaciência

Por um minuto ele se retirou.

Entrou por uma porta que ficava atrás do balcão e voltou puxando uma menina pelo braço. Apontou para mim, levantou os ombros, sacudiu a cabeça e disse coisas que, devo supor, seriam mais ou menos assim: "Fala você com esse xarope porque ele tá falando aquela lingua...huuummmm acho que tupi-guarani!".

Talvez também tenha acrescentado um ou outro palavrão que não pude distinguir...

A menina sorriu e disse em um inglês meio titubeante.

- Credit Card Number.....

HÁÁÁÁÁÁÁÁÁ....Credit Card Number!!!!!!

Num átimo, tirei o cartão do bolso.

O rapaz sorriu. A menina sorriu. Eu sorri.

E o mundo parecia ter alcançado novamente o equilíbrio perfeito e a paz entre os povos que falam português e espanhol estava, enfim, reestabelecida.

A menina voltou para dentro do Hotel. E o rapaz, voltando a falar na velocidade da luz, disparou:

- Senõrnúmerodajartá, por favor...

Olhei o cartão, virei, revirei...coloquei o plástico contra a luz. E disse meio que displicente...

-Mas não tem número na tarjeta do cartão!!!!!!!

Ele me olhou impávido, colocou a mão na testa...

- NOOOOOOOOOOOOOOOO......

- ???????????????????????????????????????????????????


*************

Pucon é realmente bonita. Lembra Campos do Jordão, mas sitiada entre vulcões e lagos maravilhosos. O Grand Hotel sediava a prova e conta uma infra-estrutura de se tirar o chapéu.


Instalado, a primeira coisa foi procurar alguém para montar a bike. Tranquilo. Em dez minutos ela estava na minha mão, com o câmbio regulado e tudo. Mas eu ainda teria que testá-la no dia seguinte.

Aproveitei a gentileza da Cris, que conheci ainda no aeroporto de Cumbica, que me convidou para um rolê de bike, seguido de uma corridinha para conhecer o percurso da prova. Na foto estão as pessoas que foram nesse treino. Da esquerda para a direita: Cris, Lisandra, Ana Lidia e Mariana. Ao fundo, Luis Tinelo e a Giuliana.


O dia estava lindo. A bike estava perfeita e foi possível confirmar o que o Mota já havia avisado: o piso da estrada não tem buracos, só que é muito áspero. Em certos trechos, há constantes mudanças de altimetria. Passa-se de subidas, para falsos planos, descidas, subidas novamente e por ai vai.

Nesse mesmo dia, ouvimos que a previsão do tempo era de mudança, com chuvas no dia da prova. No jantar de massas - que, só para deixar registrado, é muuuuuitooooooo superior aquele feito no Ironman Brasil - o zum-zum-zum era de que o tempo abriria um pouco na segunda. No domingo, a previsão era de pancadas de chuva.

Aliás, vamos voltar ao jantar com um adendo: jantar de massas com uma pequena fonte de chocolate no salão.

Quer mais?!?! ;-)

No sábado, pegamos um belo Kit da prova e fomos levar as bikes para a área de transição, que ficava em uma rua ao lado do Hotel. Mas estava chovendo.

Chovendo muito! A área de transição era coberta, mas tinha algumas possas e a água se acumulava nas laterais.

O quadro não era bom.

Olhamos novamente a previsão do tempo na internet: 50% de possibilidades de pancadas pela manhã de domingo.

50% é meio copo cheio, meio copo vazio.

Tentei ser otimista. Lembrei que em Caiobá 2010, mal dava para dormir em função do temporal que caia durante toda a madrugada. Pela manhã, subitamente parou e, no final, a prova foi perfeita.

Só que...

Só que no dia seguinte nós e algumas centenas de pessoas se juntaram no hall do hotel e olhávamos uma chuva forte e intermitente atrás da grande vidraça do salão. E muito vento. O Santiago Ascenço comentava que era provável que o início da prova fosse adiado para as 9:00 da manhã, além de suprimirem a natação.

Fomos para o auditório e lá a organização da prova alegou que não haveria condições de manter os caiaques no lago e que, portanto, não seria possível garantir a plena segurança das pessoas.

A prova seria transformada em um Biathlon: 5 km de corrida, 90 km de pedal e 21k de corrida. A largada seria por categorias e faixa etária - mas, no final isso acabou não acontecendo.

Bem, como eu nunca tinha passado por isso, o que fazer? Correr forte? Moderado?

Meio perdido, fiz uma corrida moderada-forte, na casa dos 23 minutos. Nada assiiiimmm, extraordinário, mas eu sei lá o que iria dar? Todos os nossos treinos de transição são na sequência bike-corrida. Corrida, depois bike...enfim, resolvi ser meio conservador.

O tempo já tinha melhorado muito ao final dos 5k. Dava para ver parte do céu azul e metade negro - a história do 50% para lá ou para cá.

Como já tinha chovido, acreditei que as condições climáticas tinham virado e resolvi sair para o pedal apenas com um manguito. Um grande erro.

O inicio da bike você sai da cidade e entra na estrada do aeroporto. O piso é realmente ruim e o falso plano encobre uma subida chata, um pouco desgastante. Depois entramos em outra via, com o mesmo tipo de piso, mas com uma altimetria mais irregular.

Na ida, o pedal ficou pesado. Achei que era o vento.

Mas, quando fiz o retorno, descobri que o vento da ida estava, na verdade, a favor!!!!! :-((((

Como pedalo sozinho, perdi contato com aqueles que se agrupavam nas pragas dos pelotões. Percebi ainda que o vento não era apenas frontal, pois rajadas laterais me davam a impressão de que eu estava na Bandeirantes, quando aqueles caminhões passam a mil e a estabilidade da bike fica bastante comprometida.

Mas depois encontrei um certo ritmo. Consegui fazer a primeira volta em torno de 32 km/hora - como sei que com a minha eficiência na bike é "marginalmente descrescente" para 90 km, eu já tinha alcançando o teto. A tendência seria a redução dessa média...

Além do vento, já tinha chovido um pouco. Mas pouco.

Iniciei a segunda volta. Achei um bom ritmo e estava gostando do meu pedal. Mas, no quilômetro 70, dei uma "quebrada" - os trechos de subidas, descidas e falsos planos em sequência me desorganizaram e o pedal ficou pesado. Muita gente me passava nesse instante.

Entretanto, voltei para prova quando estava em um longo falso plano em descida. Ali, alcançava-se fácil 50 km/hora pedalando forte.

Exatamente nesse trecho começou uma chuva infernal. Você vai dizer: vento e chuva, por mais chato que seja, não são coisas estranhas para quem tem certa experiência. E, presume-se, quem está numa prova de 70.3 já passou por isso.

O problema é que a chuva era, diferentemente do que acontece quando somos pegos desprevenidos pelos temporais de verão aqui em São Paulo, muito gelada! Comecei a sentir certa dificuldade para trocar as marchas, porque os dedos estavam enrijecendo rapidamente.

Aiiiiiiiii, de repente...

Toc...Toc...Toc...TocTocTocTocTocTocTocTocTocToTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocToc
TocTocTocTocTocTocToTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocToTocTocTocTocTocTocToTocTocToc
TocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocToTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocTocToTocTocTocToc


Era o barulho infernal das pedras de granizo batendo no capacete. Quando olhei para cima, uma veio diretamente na lente do óculos. A chuva vinha da esquerda e de frente - o jeito era virar o rosto para a direita tentando, mesmo tempo, manter os olhos na estrada.

Pensei que o piso poderia ficar coberta de gelo e acelerei para sair dali. Mas ao acelerar, aumentava o impacto do granizo no corpo - as áreas que estavam mais expostas, como os ombros e as pernas, queimavam.

Apesar de tudo, não perdi a calma. Realmente, até me surpreendi com a naturalidade que encarei aquela situação. Nessas horas, você vê que um bom equipamento e acessórios, como óculos que não embaçam e pneus em dia, fazem de fato diferença nessa situação.

Ao sair da chuva de granizo, entramos no retorno final, um trecho de mais ou menos 15 km. Mas ai o vento e a chuva voltaram, sendo que as rajadas de vento eram laterais. Segurava a bike para que ela não saisse de lado e nesse ponto já notava que a stress já superava o efeito da adrenalina descarregada no corpo no momento da chuva de granizo.

Ao terminar o pedal, desclipei. Mas eu não sentia o pé no chão. A bike escorregou por baixo da minha cintura e por um triz não fui ao chão (foto). Parei, respeirei e tentei mover as pernas, que estavam ok.

O problema se restringia aos pés, que estavam anestesiados pelo frio.

Quando tentei tirar o capacete, notei que os dedos das mãos estavam rigidos e não consegui abrir a fivela. Pedi para alguém da organização me ajudar...

E, Deus é pai, ainda bem que o rapaz que me ajudou não era o mesmo da recepção do Hotel! :-)

Na entrada da transição, tinha notado várias pessoas da organização carregando cobertores. Fiquei em dúvida se saia para correr ou procurava alguma orientação, porque eu nunca tinha passado por isso.

Mas não vendo ninguém ali que pudesse me responder sobre a situação dos pés, decidi sair para os 21k.

O percurso da corrida é mais ou menos assim: três voltas de sete quilômetros, sendo que três completamente planos e quatro entre subidas e descidas (área dentro de condomínio ao lado do hotel). Os primeiros 7 km, minhas pernas estavam ótimas e aos poucos os pés voltaram ao normal. Não contabilizei o tempo, mas senti que estava realmente rápido.

Já na segunda volta, quebrei. Perdi a passada e minhas pernas ficaram pesadas. Resolvi comer e diminuir ritmo - aliás, "resolvi" nada! Não tinha escolha nenhuma!

Conseguia subir bem, mas nas descidas e no plano o ritmo era um pouco superior ao um trote moderado.

Na terceira e última volta, alguns caras começar a me marcar. Claramente. Eu subia mais rápido, mas eles me passavam nas descidas e tentaram abrir no plano. Olhavam para trás para ver a que distância eu estava.

Eu só pensava: mas que diabos esses caras pensam que eu sou! Será que o meu corte de cabelo lembra o do Colucci?

Só que não é minhas pernas voltaram ao normal? Assim, do nada!

Foi a parte mais interessante da prova - consegui encaixar um belo ritmo nos últimos 4k, com passadas curtas e rápidas. É indescritível o prazer dessa técnica de corrida. A impressão é que se flutua...

Fechei a prova em 5:30, 39 na categoria que contava com 99 participantes mas, notem, 27 desistiram.

Entre os 797 inscritos, 236 não completaram - cerca de 1/3 do total.

Terminei obviamente cansado, como é normal nesse tipo de evento.

A conclusão naquele momento era que o corte da natação foi uma bobagem, pois se não era possível nadar, muito menos seria enfrentar as condições do clima que estavam dadas para o pedal.

No dia seguinte, mesmo sem nenhuma dor muscular, o stress da prova gerou um cansaço mentale e um desânimo avassalador.

Teve um momento que me arrependi até de ter feito a inscrição para o Iron. Naquele instante, estava realmente convencido a não me inscrever em outras provas esse ano.

Nem sequer ânimo para subir o vulcão Villarica - um dos motivos que me levou a fazer essa viagem -, nem outro programa entre os vários que podem ser feitos em Pucon.

Apenas sai para caminhar um pouco, comprar alguns presentes e tratar dos assuntos da viagem, como empacotar a bike.

Depois, fui para o quarto descansar, mas sem conseguir dormir. Um inferno.

No terça, dia de voltar. Mesmo que ainda um pouco decepcionado por não ter conseguido realizar tudo o que queria, meu ânimo estava muito melhor.

Tão bom, que até coloquei um outro desafio na cabeça.

Ano que vem, espero voltar lá e já prometi a mim mesmo que, além de vou subir o Villa Rica, vou encarar o desafio que a Ana Lidia e a Mariana Borges pretendiam fazer: uma volta de natação de 6k no lago em frente ao hotel.

Só para "relaxar"! ;-))))))



Alguns depoimentos sobre a prova.

Lindsey Corbin

"Eu estou feliz por não ter desistido durante todo o dia e por ter levado a vitória aqui em Pucon'' disse Corbin, resumindo o que foi a disputa em tão difíceis condições. "Tiveram vários momentos em que eu pensei - isso é uma loucura! - mas, logo em seguida, tentava me divertir com a chuva e ficar o mais aquecida possível. Apesar da natação ter sido cancelada, eu acho que todos nós acabamos nadando, de tanta água que caía nas etapas de bike e de corrida.''


Galindez

En todas mis participaciones en el triatlon de Pucon nunca me depare con un clima tan hostil como sucedió en esta ultima edición del Ironman 70.3...el día anterior a la competencia la lluvia no dio tregua en el balneario Chileno y la temperatura bajo considerablemente, cuando me levante y fui a desayunar al restaurante del Gran Hotel Pucon, los organizadores me comunicaban "extraoficialmente" que el primer cambio estaba decidido, la largada se corría a las 9:00 hs, poco después anunciaban el cambio definitivo para Duatlon.
El viento soplaba fuerte, el lago Villarrica estaba movido pero según mi análisis se podía nadar, o acaso no es el triatlon un deporte de resistencia extrema? cuantas veces escuchamos a los propios triatletas hablar de superación y desafío...recuerdo algunos triatlones que participe en Mar del Plata donde las olas eran superior a 2 metros de altura, otras veces el circuito de natación en la "Feliz" se realizaba contorneando las piedras entre las playas Varese y Bristol, le llamábamos "licuadora" porque el mar te movía como loco, pero eran otras épocas.
Largamos 9 en punto, 5 km de corrida abrían el "Ironman duatlon", allí se impuso un ritmo alto y a los pocos metros de la largada nos cortamos 6 atletas en la punta, así comenzó el ciclismo donde en los primeros km me fui acomodando hasta liderar prácticamente toda la primera vuelta de 45 km, en la segunda empece a sentir el impacto de la baja temperatura endureciéndome las piernas, después del granizo que nos azoto por un instante comencé a sufrir una especie de hipotermia lo que se fue agravando hacia el final de esta etapa, a esa altura ya había cedido el primer lugar pero continué junto al grupo donde se encontraba Colucci, Fontana y Csoke.
De esta forma finalizamos el ciclismo y emprendimos los 21 km finales donde los primeros 9 km fueron terribles para mi, estaba trabado y luchaba para calentarme y entrar en ritmo lo antes posible, Colucci y Fontana se ivan pero yo estaba concentrado en recuperar mi ritmo lo que logre recién en la segunda vuelta, desde ahí comencé a descontar la diferencia con Colucci, consolidandome en el tercer lugar final.
De esta forma se cierra un capitulo mas de la "carrera mas linda del mundo" con un podio que se suma a mi trayectoria de participaciones en Pucon desde 1990 donde fui 5 colocado y con 6 victorias conquistadas.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Semanas de Treino Pré Pucón

Nessas duas últimas semanas que não publiquei nada sobre os treinos decorre um pouco do fato de que o último post já traça a rotina de atividades que tenho durante o mês. Pouco coisa muda de uma semana para outra.

Tenho conseguido manter essa rotina de treinos, mesmo no final de ano. Entretanto, o que me deixou um pouco mal foi uma gripe e uma tosse que me obrigaram a, uma vez aqui, outra ali, mexer nos treinos ou mesmo não realizá-los.

Como disse antes, o coach vem trabalhando bastante com treinos de qualidade, focando em atividades com mais alta atividade. Os longos se resumem a duas horas de corrida no sábado e três horas no domingo.

Mas, não sei se por conta de estar um pouco debilitado, os treinos de intensidades voltados para o aumento da capacidade de VO2 me deixam bastante irritado. Como sou bem disciplinado, se a planilha pede algo "forte" na piscina, no pedal ou na corrida, então eu faço valer.

Só que tenho a sensação de que tenho apenas metade do pulmão me ajudando.

Além disso, eu confesso que não tenho prazer em exercícios de intensidade: me peça para ficar quatro horas no rolo e correr outras quatro que não vou reclamar.

Mas fazer 15 minutos no pedal em ritmo Time Trial é uma sensação sufocante que eu acho quase intolerável.

Demorei um pouco para entender, mas a verdade é a seguinte: EU NÃO GOSTO DE SENTIR DOR!

Acho que isso é uma coisa me impõe um limite enorme em busca de resultados. Quando vemos os desempenhos entre a elite ou na cabeça das listas dos age groups, pode ter certeza que estamos diante de pessoas que possuem uma capacidade de tolerar a dor muito além da média

Mas, pelo amor de Deus, não vamos simplificar e achar que isso decorre de mantras, livros de auto-ajuda ou das frases clichês do Lance Armstrong.

Em parte, isso é treino. Em parte, também é herança biológica. Talvez uma outra parte seja um dado estado psicológico do indivíduo (mas nada a ver com "mentalização").

No meu caso, considero que disponho de uma considerável dose de disciplina mental para treinos longos. Do ponto da aptidão puramente física, meu condicionamento também é bastante favorável a provas de longa distância.

Mas quando eu penso que vou fazer um treino que vou ter que dar duro durante 15 minutos que seja, meu estado psicológico se altera a tal ponto que mal tenho vontade de sair de casa.

Isso não significa que não cumpro os treinos nem que os despreze. Pelo contrário, artigos e mais artigos insistem que treinos de qualidade e alta intensidade são tão ou mais importantes que os treinos longos e, vejam ai que enrascada a minha: tais treinos são ainda mais importantes conforme avança a idade....

Enfim, não bastasse exame de próstata, mais essa....;-))))

Outra coisa que me incomoda é que não tenho feito muitos treinos de pedal na rua. Realizei apenas um na USP depois de Pirassununga...e pela metade - um aro da roda traseira estourou e tive que parar...

Aliás, foi estranho - ouvi um estrondo, como se alguma peça tivesse se desprendido da bike e sido arremetida no chão. Com força.

Desci da bike, olhei em volta e nada no chão. Mas a roda ficou desalinhada. Tirei, coloquei novamente e não consegui girar. Até então, eu não entendi o que tinha acontecido.

Levei no Marcola e lá o Fernando sacou rapidinho. Aro estourado. Aliás, descobriu outra - a gancheira do câmbio estava trincada...

Bem, melhor ter acontecido agora.

Mas vou dizer uma coisa - quebrou a corrente, você arruma. Furou a câmara, você arruma. Rasgou o pneu, até isso você é capaz de arrumar.

Mas se estourar aquele raiozinho da roda...ai você senta e chora, porque a prova já era....








segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Treino da Semana

Depois de uma semana totalmente off, comecei a seguinte com a rotina de treinos de sempre...

Mas não está "off-season" ainda? Engraçado o número de matérias sobre esse assunto nessa época do ano.

O problema é que tudo é muito repetitivo. Pouca gente tem coisas a acrescentar sobre esse assunto.

Tenho quase certeza que os que lêem sobre essa rotina de provas e treinos, podem pensar que logo logo o dono desse blog vai entrar em estado de "overtraining".

Mas o mundo é bem complexo que clichês tipo "Treino também é descanso" dão a entender....

Sim gente, isso virou clichê.

E notem: o grosso dos que falam sobre overtraining é exatamente aquela parcela de pessoas que menos se expõem a isso de fato.

Notaram?

Mas voltando ao principal, acho que se peca demais por falta de foco. As vezes (ou quase sempre) as abordagens não distinguem as particularidades dos amadores ou daqueles que competem nos chamados "age-groups".

Tem um artigo do Marc Becker que acho perfeito. No fundo ele diz que apenas os triatletas profissionais de fato precisam de descanso tal como você e eu entendemos "descanso".

Nós (ou a maioria de nós) amadores, temos outro estilo de vida. Passamos o dia sentados ou, por compromissos familiares ou profissionais, nosso treinamento é repleto de lacunas. Nesse sentido, ao invés de um planejado day-off, seria mais interessante que a nossa rotina e os imprevistos que ela impõe fossem utilizadas como descanso.

No fundo, nós que trabalhamos no setor de serviços da economia, temos uma cota de "descanso" (ou"não atividade") superior aos que precisam usar suas habilidades físicas todo dia, a toda hora.

Mas reclamamos mais que eles...(isso sou eu que estou dizendo...;-))))).

Isso não significa que as pessoas não precisem de alguns dias, quantos forem, sem treino.

Mas, pelo menos na minha opinião, essa parada decorre mais de um alivio em relação ao transtorno mental que os treinos impõem do que esgotamento físico propriamente dito.

Por isso, gosto das pessoas que dizem "agora eu vou parar para poder ficar com a familia, filhos, viajar, andar de montain bike, surfar ou simplesmente acordar tarde no final de semana para ler o jornal na cama...."

"Descanso" aqui tem que ser visto como descanso no sentido mais preciso do termo. Ponto.

De outro lado, em relação ao meu calendário (e também considerando a minha idade), o período off-season é de treinos curtos e intensos, com volume restrito. A vantagem é que treinos assim são reparativos, podem ser utilizado para ganho de velocidade ou o desenvolvimento de novas habilidades sem prejuízo dos ganhos obtidos ao longo de todo ano.

Em resumo, "descanso também é treino" é um desses clichês que poderiam ser banidos do vocabulário dos amadores sem o menor prejuízo.

Tem outras coisas que precisamos repensar, deixar certas posições de lado sem medo porque elas foram pensadas para um universo na qual nós amadores não fazemos parte.

Heresia? Olha isso aqui http://www.ironguides.net/news/428.html

Bom, mas em janeiro tem Pucón!

E o coach já definiu a estrutura de treinos até lá.

É o tipo de treino que me faz sofrer pra burro. Em resumo: ele está investindo em intensidade.

Segunda-feira, é dia de natação. Depois de um aquecimento, são tiros de 25 metros, depois 50 metros em ritmo moderado, voltamos para os tiros de 50 metros e, para dar uma aliviado no sistema cardiovascular (mas não nos braços) 300 metros com palmar e flutuador. Ai você percebe que seus braços estão bem cansados e...descansa? Não, faz a série toda de novamente....:-((

Terça-feira é uma rotina que começa com um corrida leve pela manhã. Coisa de 30 ou 40 minutos. Mas a noite, você pega a bike, põe no rolo e faz treinos de VO2. Tiros de 2 minutos com intensidade forte 3x, depois 90 segundos 4x, ai 60 segundos 5x e termina com mais e 30 segundos 6x. O intervalo é idêntico ao período de esforço. É o tipo de treino que me deixa estirado no chão da sala depois de feito...

Quarta-feira, uma corrida de 60 minutos pela manhã (fora aquecimento e desaquecimento), mas com intensidade moderada. A noite, 45 minutos de natação com pulbóia e palmar, progressivo.

Quinta-feira, um treino de transição na academia: pedal forte com alta intensidade e intervalado. Na sequência, esteira com períodos de intensidade fácil a moderada. Não considero dos mais difíceis, mas é uma novidade, pois treino de transição mesmo eu só fazia aos sábados e domingos.

Sexta-feira, piscina novamente. E daqueles treinos de intensidade que "doem até". Imagine 1.500 metros com tiros de 100 metros com míseros 30 segundos de intervalo. Quando você começa a tomar fôlego, tem que sair a mil novamente.. Os braços ficam imprestáveis!

Sábado, 3 horas de pedal com uma corrida de 30 minutos. Bom, nesse sábado, voltei para a USP. E fazia tempo que não pedalava lá. Nada mudou. Chego, o sol ainda não nasceu. O piso da Raia é tão ruim, é tanto tranco, que tudo pula! O capacete só não vai parar na Marginal Pinheiros porque tá com a fivela....

Domingo, é dia de longuinho. Coisa entre uma hora e quarenta ou duas de treino. Mas, como fui ver os amigos no TB de Santos, corri apenas uma hora por lá - mas não me senti bem, não.

Depois fui nadar com o Alberto, que fazia sua estréia no triathlon e fui ver a chegada dele e do Edú.

O dia valeu também por ter ficado de papo com a Guda e a Claudinha, além de ter revisto o Caio, Gabi, o Edú Carvalho, Felipe...putz, tanta gente!!!

Nunca tinha ido a uma prova para curtir. Gostei da experiência!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Pirassununga 2010



Toda vez que a gente comenta uma prova (sobretudo se o resultado não é o esperado), é batata: o mar estava grande, muito vento na bike, a corrida estava muito quente com o sol a pino e blá, blá, blá....

É sempre um drama.

E quando os dramas se aglomeram na linha chegada ou na área de dispersão, parece que aqueles caras com roupa apertada voltaram algum lugar que rolou uma hecatombe que só você, que foi lá para assistir, não viu.

Então, desconto dado para os exageros de sempre, de fato vou dizer o seguinte: Pirassunga machuca.

Essa foto do Ciro e o relato dele sobre Pirassununga são bastante emblemáticos sobre o que foi essa prova (e olha que eu acho esse cara o melhor triatleta do Brasil)

Se a prova não te enche de dores musculares e bolhas nos pés, o calor extremo pode te dar enjôo ou tontura ou deixá-lo mentalmente exausto muito antes do final. O sol direto na sua pele pode gerar queimaduras e, conseqüentemente, febre a noite.

Não tenho dúvidas que a minha terceira participação foi a mais difícil. Meu "pior" resultado lá foi esse ano: 5:28. Mas também considero que foi a melhor prova que já fiz em termos de superação.

Porque, como diz o Vinícius, cada prova tem sua história. Os resultados são relativos e comparações devem ser sempre muito bem pensadas. Diferenças de poucos minutos são insignificantes e traduzem coisas diferentes a cada ano.

Em Pira 2010 o nível de dificuldade foi muito maior que em 2008 e 2009. Além do mais, estou mais velho. Isso é um dado que não posso ignorar. Para quem leu o bom (e apenas bom) "Do que eu falo quando eu falo de corrida", de Hakuri Murakami, sabe que a partir de uma determinada fase, a luta não é para baixar os tempos, mas resistir o máximo possível....

E foi essa minha meta esse ano. Não deixar meu tempo cair para 5:30.

Depois do Long Distance de Caiobá em abril, do Iron em maio, do 70.3 em Penha em agosto, a Ultra Bertioga-Maresias em outubro, você pode pensar que tudo isso influiu na minha queda de rendimento.

Seria cômodo para eu dizer isso. Mas não vou fazê-lo. Porque não é verdade.

Apesar dessas provas todas, não senti esse ano, em qualquer momento, o cansaço acumulado. Não me senti esgotado física ou mentalmente. Todas as provas curti e fiz com prazer, sem deixar de fazer o melhor que posso.

Meu problema são minhas deficiências de sempre. E cada vez tenho que treinar mais para que a bola caia menos.

Bom, mas e a prova?

Todo sabe que no triathlon a prova começa por um bom planejamento. Quando se trata de um triathlon de endurance, nem se fala....

Ai já comecei mal. Fui para Pira deixando na geladeira parte dos frascos de pedialite, além do estomazil, que deveria usar para fazer o composto que iria tomar durante a prova.

Outra coisa. Fiz a reserva do Hotel na última hora. Pior: cheguei lá, a reserva não estava confirmada.

Resultado, fui parar em um quarto nos fundos, ao lado de uma avenida que dava para o maior hipermercado de Leme. As janelas não eram a prova de ruído. O banheiro, bem...você já se hospedou em algum banheiro com "rodo"?

Sim, rodo...rodo, aquele...rodo de puxar água!

O meu, tinha. Como não havia cortina ou box, o troço estava ali para o hospede puxar a água e não deixá-la ir para o quarto. Digamos que aquilo seria uma espécie de "auto-serviço", se é que vocês me entendem...

Mais: lá pelas tantas, depois do banho, quando usei o banheiro e fui ver, o papel higiênico parecia aquelas bolatas ensopadas que a gente fazia na escola para jogar no teto da sala.

E, finalmente, vi apenas um toalha e não havia espelho.

Bom, mas eu não esquento com isso, não. Uma das coisas que eu aprendi nessas situações é que a prova em si já é estressante o suficiente e o negócio é se virar...

Preparei as gororobas que o Mario, meu nutricionista, me recomendou e fui dormir. Ou tentar....

Levantei as 5:00, tomei banho e comecei a me hidratar. Além disso, já passei a primeira mão de protetor solar - principalmente porque tinha esquecido de levar a camisa de manga longa da 2XU, que é apropriada para evitar os queimaduras provocadas pelos raios solares e ainda mantém a temperatura corporal.

Fui para a Base Aérea, estacionei o carro tranquilo e já encontrei a Cintia, que eu não via desde do Iron. A gente bateu um papo, demos muitas risadas e fui levar minha bike para a transição. Tudo normal (claro: fora tudo que esqueci, depois de conferir "tudo" antes de sair de casa....).

A natação começou tranquila e sem os atropelos como ano passado. Sai bem no canto e fui tentando achar meu ritmo, já que não sou daqueles aptos para dar um tiro forte e depois entrar em velocidade de cruzeiro.

Depois de emparelhar com um sujeito que não me deixava passar, pensei "porque diabos eu vou ficar aqui fazendo força se eu não tenho braço suficiente para passar e deixar esse sujeito para trás?".

Não deu outra: peguei a esteira! Como a água estava ótima, eu conseguia ver os pés da pessoa que seguia na minha frente. Quando chegou uma menina, troquei de carona. Foi ótimo! Lembrei de um comentário que li no Blog da Talita Saab, quando ela dizia que muitas a primeira coisa que ela mira é a esteira de alguém da elite e tenta não perder esse lugar de jeito nenhum.

Bom, foi o que eu fiz. Ou tentei....

Pelo menos até um cara de 800 quilos tomar o meu lugar...e não dava para discutir o assunto com o rapaz, que foi chegando, foi chegando, foi chegando....quando fui ver, já era!

Mas acho que fui um pouco preguiçoso. Quando dei por mim, realmente nadei sem esforço. Meus braços sempre dóem, mas desta vez não senti nada. Fiz esforço apenas nos últimos 500 metros. Não sei meu tempo na natação e estou curioso para ver o resultado disso tudo.

Sai da água inteiro. Fui pegar minha bike e minha sapatilha, que eu tinha arrumado na noite anterior, estava com com o laço muito apertado. Ai coloquei, tirei, coloquei de novo, tirei....enfim, perdi alguns minutos ali - mas isso também não me chateia.

Na bike, sai para pedalar na boa. Muita gente "espertinha", mas sem prática, toma tombos bestas porque deixa a sapatilha clipada na bike. Só que o início é uma pequena subida. Ai o fulano se embanana todo eeeeee...pumba!

Acho que esse ano não teve muito vento - pelo menos não como ano passado. Também não vi muitos pelotões - mas, como já comentaram por ai, quem está dentro da prova não vê nada do que se passa. E, segundo o Kleber Corrêa, pelotões, pelotões e mais pelotões....

Tentei fazer uma média para 34 km/hora, mas faltou força e cai para 33,2 km/hora no final. Considero esse resultado bom porque, em primeiro lugar, andar a mais de 33 km/hora em 90 km não é bolinho, não (o problema é que para os padrões do triathlon, essa média não é lá essas coisas...né Artur???? ;-))).

Em segundo, depois de Penha, eu apenas pedalei na rua uma única vez. O resto foi treino no rolo.

Foi na bike que comecei a me hidratar com uma gororoba que o Mário recomendou. Só que ele tinha indicado que eu colocasse, junto, estomazil - que eu tinha esquecido.

Resultado: aquilo era tão porreta que eu não sentia nem necessidade de comer. Só que meu estômago foi "inchando", ficando cada vez mais pesado.

Fechei a bike. Minha cadência média foi de 73 rpms. Baixa, não? Você pode pensar: esse cara fez muita força e vai sair para correr com a musculatura travada.

Nada disso. Sai para correr com as pernas completamente soltas.

Eu não entendo isso e já desisti de tentar. Mas quem quiser explicações detalhadas, escreve para o Vinicius. Depois me escreve e me explica, ok? ;-))))

O meu único problema continuava a ser o estômago. Eu não comi nada durante a bike e não conseguia tomar gel na corrida. Hidratar também não estava fácil.

Mas nada de diarréia ou coisa do gênero. Só aquele incômodo...

Aiaiaiai...cadê aquele estomazil????

Apesar de tudo, minha corrida foi, como sempre digo, execução de passada. Eu tento dar 90 passadas por minuto e boas! Não faço força - aliás, acho isso até um defeito meu. No fundo, quero evitar a dor do esforço...

Quando vejo os caras da elite ou os melhores amadores me passando nessas provas, gemendo e arfando com dificuldade, completamente ensopados e quebrados (sim, os caras correm quebrados e ainda assim conseguem tempos excepcionais) sinto que esse esporte que escolhi para fazer na vida é uma coisa que, antes de tudo, dói!

E você sabe que vai passar pelo mesmo na prova, só que um pouco mais a frente!

Bem, feita a primeira perna dos 21k com relativa tranquilidade, na segunda o sol veio e ficou a pino.

A sensação de incômodo foi passando, tanto que ensaiei uma aceleração, imaginando que eu era o Craig Alexander (levanta a mão quem nunca já fez prova de ciclismo e no pedal se imaginou o Lance Armstrong! Cáspita, tem gente que faz isso em aula de spinning, ué!).

Me senti bem enquanto a pilha durou, pois o Craig Alexander incorporou um pouco cedo demais. Antes de sair daquele inferno que é o trecho de terra, quebrei. Claramente, quebrei.

Minha sorte é que eu sou quebrado por natureza e correr assim não me é estranho. ;-)))

Só que eu não fico repetindo "a dor é passageira, mas a derrota é eterna" porque isso ai é dessas coisas inúteis que me irrita só de pensar....

Porque se você não treina correr cansado meu chapa, não tem frase de efeito ou pensamento positivo que vai te salvar na hora "H". Você tem que confiar muito mais nas suas pernas do que na sua cabeça...

Vai por mim! Pára de assistir os vídeos do Armstrong no Youtube e vai treinar....

Bom, fui executando cada passada, tentando não pensar no final. Mas no último quilômetro meu estômago piorou e fiquei com muita vontade de vomitar. Foi por pouco....

Na chegada, depois de cruzar a linha e corri para a sombra. Joguei-me no chão e senti a pressão despencar. Não conseguia beber nada, muito menos comer - mas a sede e fome eram infernais!

Fui para enfermaria e o pessoal tirou minha pressão - estava 9 por 7. Como não entendo nada disso, não sabia se isso era bom ou ruim. Mas pela cara deles, logo descobri que pelo menos bom não era....

Tomei um comprimido para conter o enjôo. O efeito foi instantâneo e melhorei na hora. Comecei a me hidratar e ver o pessoal no final...A grande maioria dentro das banheiras, jogando água fria no corpo ou sentada em sacos de gelo...

Para mim, as consequências foram duras: queimaduras de sol, febre durante a noite, bolhas no pé (que estou drenando nesse momento, um pouco preocupado com uma possível infecção) e 5 quilos a menos.


Por último, não dá para não falar dos amigos.

Encontrei com o Paulo, Artur, Sandro, Negão, Flávio, Marcão, Dalton, Mota, e tantos outros que me foram apresentados e que não conhecia, com o Nelson e o Marcos, que vão para Pucón e a gente combinou de se encontrar por lá...

Da comunidade do Orkut, vai um abraço para "os manú":

O Luiz Gustavo, que não fez prova, deu uma força para todo mundo que podia! O que esse menino nadou, correu...ele só não fez o pedal! Tudo para ajudar os amigos e o irmão que estava fazendo a prova!

Já o Luiz (Rofi) me deu aquela moral no começo dos 21k - eu não estava muito bem, aquela fase difícil da transição bike-corrida, quando o seu corpo está se adaptando. Ele me viu e correu do meu lado para incentivar! Putz, super obrigado!!!!

Aliás, o mesmo fez o Kleber, que foi para lá para auxiliar o pessoal da 5ways e também prestigiou todo mundo. Aliás, até brinquei no twitter, dizendo que o cara é tão fera que ele correu do meu lado (de havaiana) uns 100 metros fazendo o pace e já foi o suficiente para eu buscar um encardido que eu não pegava de jeito nenhum! (rs)

O Rodrigo correndo ao lado da Ariane foi um espetáculo a parte! Passada larga, consistente, concentrado. É uma coisa impressionante! E, olha, mesmo assim, não deixou de dar um alô quando nos cruzamos!

Bom, para fechar, como escrevi no facebook, em Pira a gente não se cumprimenta porque terminou a prova, mas porque sobreviveu a ela.

domingo, 14 de novembro de 2010

Treinos para Pirassununga

Depois de Bertioga-Maresias, tive praticamente um mês para me preparar para Pirassununga, prova que será realizada no próximo domingo, dia 21 de novembro.

A estratégia do coach foi investir em treinos curtos e mais intensos, voltados para tonificar a velocidade.

Segunda-feira, um treino de natação. Coisa do tipo 16 x 50 metros sendo 3 fraco e 1 forte; 12 x 50 (2 fraco e 1 forte); 8 x 50 metros (1 fácil/1 forte) e por ai vai. Terça, dois treinos de bike, ambos bem curtos - pela manhã, 2o minutos de aquecimento, depois 10 minutos alternando 1 fácil e 1 forte (cadência alta) e mais 10 da mesma forma, (mas cadência baixa). A noite, o clássico 45 minutos, sendo 15 fraco, 15 moderado e 15 TT.

Quarta-feira é dia de corrida, mas bem curtinho - o principal dura apenas 23 minutos, e tem o mesmo estilo da natação da segunda-feira: 4 minutos forte, 3 x 2 minutos forte, 2 x 3 minutos forte e por ai vai. Quinta, 45 minutos no rolo pela manhã (Big Gear) e natação a noite (50 minutos com palmar e pulbóia).

Sexta-feira, um pouco mais complicado - tiros de 25 metros e, depois, uma série doida de 10 tiros de 200. Sábado, 90 minutos de corrida moderada e, domingo, 3 horas de bike fácil com intervalos de maior intensidade aleatóriamente (15 minutos TT).

Na verdade, somente hoje, depois de 2 meses, sai do rolo aos domingos e fui pedalar na rua. Chuva, frio, preguiça...enfim, quando se pensa como é super mais cômodo pedalar na sala do que ir para a USP ou o Riacho, eu tenho optado por ficar em casa mesmo.

Mas hoje isso não seria possível, pois seria uma temeridade ir para Pirassununga sem ter pedalado na estrada durante tanto tempo.

E lá fui eu para o Riacho bem cedinho...e tava frio, com garoa e muita neblina. Como sou afoito, faço sempre a estupidez de pedalar lá mesmo quando a visibilidade está quase zero - a vontade de acabar o treino o mais rápido possível supera a sensatez.

Porque treinar no Riacho dói. O frio queima e cada subida daquelas, para quem pedala com cadência baixa, é um esforço considerável - com o tempo, você fica um touro, mas a custa de muito força.

Mas foi bom. Pedalei pouco mais de 3 horas, meu corpo respondeu bem depois do desconforto dos primeiros quilômetros e consegui ganhar um pouco mais de confiança para o Long Distance. Mas apenas isso: um pouco de confiança.

A prova lá é muito dura e estou ciente de que, mesmo mais leve por conta da perda de peso desde do inicio dos treinos para a Ultra, não me sinto forte.

Tenho um pedal muito aquém e o preciso treinar bastante para ficar na média das demais pessoas que estarão lá. Ter negligenciado o pedal na rua vai ter lá seu custo...

Meu objetivo, entretanto, é terminar e curtir a prova. Acho que esse ano já posso me dar feliz por ter conseguido fazer tantas coisas....

Se terminar em menos de 5:30 vai ser uma vitória e tanto. Vamos ver....

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Semana de Treino

Em uma das trocas de e-mails no final de semana antes de Bertioga-Maresias, eu e o Alberto comentávamos que depois da ultra, tínhamos domingo dá para descansar...mas segunda-feira já estaríamos na piscina para os treinos de natação.

E assim foi....

Segunda-feira já estava na piscina, fazendo um treino leve de 2k. Na terça rolo leve para soltar as pernas e, quarta, novamente na piscina. As dores da perna já tinham sumido.

Quinta, rolo leve e sexta-feira um treino de 1 km de natação em ritmo de contra-relógio.

No sábado, choveu e fiz um treino de rolo de duas horas. Mas já um pouco mais forte durante 2 horas. No domingo, uma corrida de 40 minutos beeeemmm leve - mas foi estranho, muito úmido, não me senti confortável.

Mas o melhor treino, mesmo, foi no domingo imediatamente após a Ultra. Uma caminhada de uma hora aqui na Brás Leme! E fiz questão de cumprir a planilha...

Porque a gente faz tanto treino duro, na chuva, no sol, cansado, destruído...Ai, tá lá planilha, "caminhada". Ué, vou ficar em casa?

Não senhor!!!!

E foi muito legal. Você sai na rua, vê outras pessoas correndo, andando, trotando ou simplesmente passeando com o cachorro e ai presta atenção na vizinhança....

Mas algo bem triste me chamou a atenção: várias familias, com idosos e crianças, em baixo de parapeitos de lojas. Contei 5 em um quarteirão....

Coloquei no Facebook. Que coisa é essa de gente na rua?

Cheguei em casa e pesquisei. Para não ser leviano, cito todos os números que encontrei: entre mil e quatro mil vagas de albergues foram extintas na administração Kassab em SP.

Em época de eleição, quando as sensibilidade política vai ao limite, não deu outra: quero saber que raios de gente mora nessa cidade que não cobra de quem foi eleito uma atitude sobre isso.

Mais: na eleição seguinte, dá os ombros para tudo e vota segundo preferência pessoais muito suspeitas. Porque "não gosta" ou "gosta" ou é "a favor" ou "vota contra" como se tudo na política fosse algo como futebol.

Só que aquelas pessoas estão lá na rua. Estão desamparadas.

E você vota no candidato X, porque não gosta do Y, porque a candidata Y fez botox. Ou, ao inverso, vota no Y porque o X é gay.

No twitter, essa semana, foi pior. Dei vários unfollows em gente que destilava ódio e preconceito.

Então, nem sempre nós que amamos correr, nadar ou pedalar temos, por isso, afinidades.

No fundo, gostaria que as pessoas que ficam felizes com as vitórias de cada meta pessoal, também fossem mais atentas, exigentes e menos superficiais com a política.

Seria muito melhor que todos, antes de votar contra o partido tal ou qual, beltrano ou fulano, votassem a favor das qualidades de quem escolhe para ser prefeito, governador ou presidente.

Isso não pretende desqualificar o voto de quem não pensa como eu, mas sim valorizar a perspectiva de cada um porque obriga que você conheça o que seu candidato ou seu partido pretende fazer em relação a miséria, a pobreza e a desigualdade.

Isso sim vai fazer diferença para aquelas pessoas que não correm, pedalam e muito menos tem twitter, facebook ou tem Internet.


domingo, 24 de outubro de 2010

Ultra Bertioga-Maresias


Ontem foi o dia do Revezamento Bertioga-Maresias. Fiz os 75k sozinho.....

Quer dizer, "sozinho" ninguém faz nada. Poucos são capazes de correr uma distância dessas realmente sozinhos.

Não fosse o apoio do Daniel na bike, do Sandro e da Selma, esposa do Joel, eu estaria aqui escrevendo como quebrei no quilômetro x ou y.

Fica melhor dizer mesmo Survivor, tal como a organização da prova chama a categoria.

Combinamos eu, Tori, Macá e Sandro nos encontrar aqui em SP às 19:30, jantarmos, chegarmos lá em uma hora e acordarmos cedo para a prova. O Macá também foi para tirar fotos para o site dele.

Obviamente, nada disso aconteceu. Saímos as 22:30, fomos por Mogi, o GPS nos pregou aquela peça e rodamos Bertioga por horas! Bem, o resultado é que fui dormir as 2:30 da manhã!

Básico!

Mas, sem crise. Ao longo do tempo umas das coisas que aprendi é que, embora o planejamento seja necessário, se você encara os detalhes com muita obstinação, o stress é inevitável porque o mundo não vai se dobrar a sua vontade. Você acaba perdendo o foco do que realmente interessa e se atrapalha antes da prova começar.

Na largada, encontrei o Joel e saimos juntos. Ele pretendia fazer o que fosse possível - quiça terminar a prova. O Daniel nos alcançou de bike e percorremos as praias batendo papo, rindo e contemplado o entorno.

A estratégia era correr 15 minutos e andar outros 5. Até o final.

Confesso que foi duro parar de correr ainda no inicio da prova para caminhar - uma senhora vê dois marmanjos andando e dá uma dica super simpática: "Vocês aceitam um dica de uma velhinha? tentem correr mais um pouquinho porque lá na frentes vocês vão ter que andar mesmo!"

O Daniel ainda ouviu em um PC uma mulher comentando "Onde já se viu, não estão aguentando agora...imagina lá na frente?" (rs)

Mas segui a regra. Fomos passando as praias. Batendo papo, colocando o pé na água sem medo e olhando o grupo de corredores solo se dispersar. O tempo estava excelente. A chuva ameaçou cedinho, mas não veio. O sol também não saiu e a umidade, forte no inicio, melhorou bastante ao longo do dia.

O Daniel nos fornecia tudo que pediamos e não descuidamos da nossa alimentação - a cada 55 minutos, eu tomava um GU, bebia água e seguia. Levei BCAA e Ornitagim conforme a orientação do Mário, o nutricionista que montou a estratégia da prova. Passei para o Joel também - depois, pensei eu, poderia recompor o estoque com o carro de apoio.

Entretanto, nesse meio tempo, um certa desconexão com o carro de apoio aconteceu. Começou a faltar água e o carro se adiantou nos PC´s, ficando mais longe da nossa posição. O Daniel poderia dar conta tranquilamente do abastecimento de duas pessoas, mas sua "autonomia de voo" era limitada. E ao passarmos por vários PC´s sem encontrar ninguém, o Joel começou a ficar preocupado com a Selma (ou melhor, como a Selma poderia ficar preocupada com ele...).

Como disse, eu já esperava que as coisas não acontecessem a contento do ponto de vista do planejamento. Mas também não cabe exagerar!

Levamos a situação até onde era possível, mas quando o Daniel ficou preocupado, ligou para o carro, que estava muito longe - dois postos a frente da nossa posição!!!!!

Decidiu então ele mesmo ir buscar água dando um gás na bike, nos deixando por um tempo sozinhos.

Eu continei correndo sem muita preocupação em função da confiança no biker. Uma coisa que o Daniel sabe é se virar (o cara ai do lado). E ele não pergunta como fazer isso. Ele resolve problemas, não cria outros. Em pouco tempo estávamos novamente escoltados por ele e devidamente abastecidos.

A dinâmica da corrida voltou ao normal. Mas comecei a perceber que estava correndo mais focado. Não sei se me falta a paciência dos verdadeiros ultramaratonistas, ca
pazes de segurar o ritmo de forma metódita a fim de distribuir o esforço de forma compatível com percursos muito longos.

Sem abrir mão da estratégia 15 x 5, eu me deixava levar pelo ritmo que meu corpo ditava. E me sentia realmente forte. Quando entramos em um trilha, pegamos um single track e, querendo sair da lá rapidamente para não andar e atrapalhar quem vinha atrás acelerei, trazendo o Joel junto.

Foi como correr como criança! Difícil explicar o prazer ali, desviando de galhos e pulando pequenas poças. Para mim, foi a parte mais marcante do dia. Quando sai de lá, cumprimentei o Joel porque estava realmente feliz pela sensação quase infantil de ter encarado a brincadeira de correr no mato....

Mas acho que me deixei levar e o Joel, fazendo uma avaliação do condicionamento e do ritmo da prova, resolveu diminuir. Eu não sabia o que viria pela frente e achei que ele se recuperaria - encontramos a Selma em um dos PC´s e ela nos passou um Gu com sódio.

Ele se recuperou, mas em parte. Quando estávamos na estrada, me desejou boa sorte e me deixou.

O que aconteceu foi que meu ritmo foi aumentando. Quando percebia que puxava demais, eu procurava diminuir e manter o Joel do meu lado. Até aquele ponto, ele era o pêndulo da dupla, marcando o pace ideal para nós dois.

Só que não conseguia me segurar e novamente aumentava a velocidade.

Refleti depois sobre isso e, se interpreto bem as coisas, na verdade eu estava querendo entrar em "velocidade de cruzeiro". Eu aliviava, mas depois, meio que involuntariamente, aumentava o ritmo procurando alcançá-la. É realmente difícil explicar isso....

Você encontra um tal equilibrio no pace que parece que você corre e descansa ao mesmo tempo.

Bom, mas o Joel!

Eu não sabia se ele iria parar definitivamente, então pedi ao Daniel para dar suporte para nós dois. Ele retornou, mas não encontrou mais com ele. Como a Selma já tinha passado por nós, fiquei um pouco mais preocupado. Mas havia muita gente por lá e, como não era um problema de saúde ou contusão, pensei que ele poderia caminhar até o próximo PC e dai tomar a decisão de continuar ou não.

O Daniel retornou e ficou ao meu lado. Fomos seguindo. Quando corria, fazia 10 km/hora e andava forte. Passei por um corredor que estava sozinho e o cumprimentei. Era o Alberto!!!!

Um ultramaratonista que me foi apresentado pelo Xampa quando esse descobriu que eu iria partir para essa aventura.

Foi por meio de todos os e-mails que troquei com o Alberto que minhas dúvidas e inseguranças foram embora. Conversamos virtualmente sobre tênis, roupas, suplementação, ritmo, ansiedade....enfim. O Alberto foi de uma generosidade enorme e tenho uma divida de gratidão com ele que dificilmente vou conseguir retribuir.

E naquele ponto, com pouco mais de 30 km, eu estava realmente consistente. E feliz. Correr na praia com o horizonte aberto é uma experiência extraordinária. Como comentou o Alberto, somente as Ultras são capazes de gerar tanta felicidade. É verdade. Já fiz o Iron e provas de 70.3 várias vezes, mas somente na Ultra o prazer era superior ao esforço.

Mas acho que o Alberto ficou um pouco preocupado, porque o final da prova era duro e eu poderia quebrar. Mas, ao invés dele jogar na retranca, colocando minha capacidade em jogo, ele me incentivou a correr conforme a minha passada natural. Segundo ele, eu chegasse cansado na parte final, ainda assim eu poderia ser raçudo o suficiente para me dar bem!

Aquelas palavras me deixaram mais confiante e me despedi do Alberto. Talvez o encontrasse mais a frente, porque nós iriamos correr o dia inteiro e tudo poderia acontecer.

E continei correndo. Era absolutamente fiel a estratégia de correr e andar. Aproveitava para me alimentar com batata, Gu e até Club Social com um tantinho de maionese - claro, a bagaça tinha que ser do Daniel, né? Acho que na mochila dele só faltou mesmo bacon e leite moça....;-))))

Nesse espaço de tempo em que andava, também descansava a musculatura e recuperava capacidade aeróbica - como resultado, desenvolvia ótimo ritmo no plano e fiz todas as ladeiras correndo - como eu não tinha feito treinos em subidas, fiquei preocupado com os paredões do percurso.

O joelho incomodava ou doia conforme mudava o piso. Mas tudo sob controle.

Até o quilômetro 65, eu estava absolutamente confiante que o resultado seria muito acima das minhas expectativas, com possibilidade de fazer a prova sub 8 horas! Algumas dificuldades? Sim, natural.

Mas acho que fiz as escolhas corretas antes da prova em termos de vestuário e acessórios.

O tênis Newton Trainer é muito leve e ótimo para correr no asfalto. Na praia, foi uma grata surpresa, pois não sentia o pé encharcado e a água escorria com muita facilidade.

Mas não a areia.

Ai entra a meia que comprei na North Face. Com ela meu pé ficou protegido de tal forma que não tive uma bolha sequer!

O único probleminha do Newton é que ele não tinha estabilidade o suficiente para correr nos estradões com pedras grandes e piso irregular. Existe um modelo para corrida para trilhas, mas o tênis é tão e difícil de trazer para cá que abortei a idéia. Tudo bem que, quando você está fazendo provas de endurance, os detalhes podem se transformar em pesadelos - ainda que, depois, você reflita melhor e note que esses pesadelos decorrem mais de um estado psicológico momentâneo do que de um problema de fato.

Isso atrapalhou um tanto o ritmo. Mas não creio que valeria a pena comprar um tênis para correr trechos específicos, pois a maior parte do percurso é na praia e no asfalto (esse assunto Alberto também já tinha me adiantado!).

Bom, mas retomando: foi a parti do quilômetro 65 que abandonei a estratégia de correr e andar.

Explico: a musculatura da perna ficou mais pesada e eu perdi minha passada natural. Cada vez que eu andava e tentava retomar a corrida, era como se tivesse que embalar uma jamanta!
Ainda assim estava tão confiante que não sentia necessidade fazer algumas coisas que algumas pessoas me sugeriram muito fortemente, como trocar o tênis, meia, camisa....

E faltavam apenas 4 quilômetro para o final...Mas ai...

Mas ai tem a Serra de Maresias!

E ai a coisa foi para o brejo. 

Não, não quebrei. Também não senti dor muscular. O joelho? Não. Cansaço? Passou longe!

Tentei correr e consegui fazer 1/3 do percurso assim. Passada curta, leve e usando a força com o pé inteiro no chão (aliás, lembro agora, dica do Maluf quando eu passei ele em uma dos barrancos pelo caminho). Você não força a parte cardiovascular e divide o esforço em vários pedacinhos (Ironguides puro!)

Mas, de repente, perdi a passada! Simples assim....

Eu não consegui executar o movimento e comecei a caminhar - as vezes, caminhar pode ser mais eficiente que correr - claro, você pode pensar assim.

Só que não foi o meu caso.

Eu caminhava como se estivesse quebrado, embora estivesse tudo em cima. Totalmente descordenado e sem foco.

Ai senti um pouco de enjôo e andar na subida me deixava exausto!

Aquile trecho tirou o meu ritmo e esfriou a musculatura. Quando fui descer, alguém tentou me incentivar dizendo "Agora você descansa!!!"

Foi pior!!!! Desci com freio de mão puxado com medo de me machucar. Por várias vezes caminhei, sentindo a coxa e o joelho. A descida cobrou um preço tão alto quanto a subida.

Meu estado de ânimo se alterou completamente. Por quê raios alguém promove uma corrida e põe no percurso um lugar onde não é possível correr? Faltando oxigênio no cérebro, minhas questões mais elaboradas se resumiam a esse tipo de indagação (ou indignação!)

Meu mal humor estava no limite! Ao encontra um sujeito sentado no caminho, ele tentou me incentivar e disse "falta apenas 1 km". Eu disse, estressado e de forma estúpida, "Até parece que isso é pouco". Ele respondeu de forma muito simples "É verdade! Para quem correu já correu tanto...eu também andei nesse trecho...".

Bom, eu que agradeci cada copo de água e cada palavra de incentivo, dei uma de besta quadrada justamente com o cara que tinha ganhado a prova e estava lá sentado esperando alguém....

Terminei a descida e entrei na praia novamente. Tudo o que eu queria era algo plano para correr. Fui para perto das ondas. Mas ali a areia era tão fofa e irregular, que o meu pé esquerdo afundava mais que o direito e eu tinha que correr mancando de lado...

Para quem gosta de cruzar a linha de chegada fazendo pose, essa prova não é das melhores.

Fechei a prova em 8:50:59. 48 entre as 93 pessoas que chegaram na categoria solo (133 inscritos).

Ao passar pelo portal, entretanto, fiquei consternado. Não havia área de dispersão com frutas, gatorade ou mesmo um lugar para você sentar ou esticar as pernas. Massagem, então....

Por último, gostaria de dizer obrigado. Sem medo de ser piegas, lá vamos nós!

Meu desejo seria apertar a mão e dar um abraço em cada pessoa, como fiz com o Thiago e o Alberto lá em baixo. Palavras de incentivo ou ensinamentos do Mr. George Volpão, da generosidade do Xampa, do incentivo do Caio, do Colluci, do Edú, Edú Carvalho (consegui Edú!!!), da Cintia, da Guga, da Bombom, do Fernando, da Yeda, da Selma, do Joel, do Mário (nutricionista) e de todo mundo que deixou um recado no Blog quando eu estava narrando, semana a semana, como eram os treinos! Artur, Canela Fina, Kiko e um montão de gente bacana!

Ao Vinicius Santana, do Ironguides, o que vou dizer? Depois do Long Distance de Caiobá em abril, do Iron 2010 em maio e do 70.3 de Penha em agosto, ainda me deixa em condições de correr uma Ultra em outubro. Tudo isso sem me machucar, sem "over" isso, ou "over" aquilo...

E para as pessoas que se dirigiram a mim em qualquer momento da prova e disseram, "Parabéns Solo". Eu não sei o nome delas, não sei onde moram, não sei quem são. E isso me dá uma sensação de impotência, mas ainda assim gostaria de deixar claro que não foram palavras ao vento e que cada cumprimento realmente calou fundo!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Semana de Treino ou o Treino da Semana

Nesse último domingo, fiz meu último longo antes da Ultra Maresias-Bertioga. Estiquei um pouco o treino e consegui fazer 4:20 - sempre correndo 5 minutos e correndo 15.

A Planilha previa que, nessa fase, eu deveria ter corrido 3:30.Fui um pouco além, já que também tinha ido além do que tinha sido o plano inicial nas semanas anteriores. Tudo isso, claro, com a concordância do Coach.

Foi o treino mais longo, mas não o mais difícil. Fisicamente, a sensação não é tão ruim, apesar do joelho esquerdo não estar 100% e a musculatura posterior da coxa esquerda ter apitado um pouco.

Mas tudo sobre controle - como executo passadas curtas, consigo controlar bem as contrações musculares durante o próprio exercício.

Durante a corrida, usei Calf Guards de compressão da 2xu. Depois do treino, uma outra da Skarp para recuperação pós-treino. A alimentação durante o treino foi absolutamente cronometrada, embora eu não tenha conseguido ingerir o mínimo de 200 calorias a cada 45 minutos, mas 100 a cada hora - mais que isso, meu estômago não consegue aceitar.

As consequências de todo esse esforço foi curioso - simplesmente não acontece nada no dia seguinte ao longo. Não tive nenhum tipo de dor e fui para a piscina a noite nadar forte 2k. Hoje, quarta-feira, corri 1:30 minutos, sendo os últimos 28 minutos em ritmo forte.

Consequência da orientação (andar e correr), alimentação, uso de meias de compressão, histórico acumulado de treinos, genética ou tudo isso ao mesmo tempo?

Não sei. Mas tem algo errado ai, porque quantas vezes você vê textos e mais textos que recomendam que um esforço compatível com uma maratona merece coisa de três meses de recuperação? Mas até que ponto isso é realmente verdade para os indivíduos? Estava lendo o livro do Rodolfo Lucena e ele colocando lá os velhinhos que correm uma maratona por semana....

E pessoas que começaram tarde e ninguém é ou foi Ironman....

Mas, voltando, não é tanto a questão física que transforma alguém em um Badass. Difícil mesmo é você lidar com a força de vontade para fazer tudo isso. Mas como se chega a vencer a covardia preguiçosa do dia-a-dia?

Anda lendo alguma coisas sobre o assunto, mas a maioria dos técnicos e psicólogos fala do condicionamento mental para as provas - poucos textos se dedicam aos treinos. No meu entender, eles estão olhando para o lugar errado....

Em parte, tenho uma resposta, mas confesso que muito pouco brilhante: porque nós somos pessoas teimosas.

Eu não sei se você é teimoso em outras esferas da vida. Eu sou réu confesso. As vezes uso um pouco da minha percepção pessoal para negociar, ceder, enfim.... - mas lá no fundo, eu ouço uma voz espernear "Você vai ceder? Mesmo? não creio...."

E, além de teimosas, acrescentaria outro aspecto: somos também insuportavelmente disciplinados. Nossos amigos e namoradas vem isso como uma qualidade, mas estão sempre bufando quando pela enésima vez você se recusa a ir a um compromisso legal ou pede pizza com matinho porque dieta é dieta e você não tá a fim de acordar no outro dia, colocar a mão na cabeça e dizer "Por que eu fiz isso, meu Deus????"

Como já li no Blog do Ciro, tem um frase muito interessante que ele atribui ao Lauter Nogueira que diz o seguinte, "No triathlon é preciso ter genética...Genética para se ter a disciplina".

No meu caso, nem sei mais se treino é um meio para se alcançar um determinado objetivo, seja um recorde em termos de tempo em uma prova ou uma medalha por terminá-la ou, pelo contrário, um objetivo em sí encaixado em um estilo de vida.

Por isso esses comentários. Pra mim, os treinos dão tantas lembranças quanto a prova em si. Assim, a parte importante - talvez a mais importante - da Ultra tenha terminado nesse domingo, lá no Campo de Marte as 10:50 da manhã, com apenas um espectador plantado na linha de chegada.

Enquanto fazia o retorno e me dirigia ao portão de saída para enfim ir embora, um guarda fez questão de me dizer "Parabéns, hein! Parabéns pela resistência...eu também sou corredor...".

Isso não pode ser coincidência....

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Treino da Semana


Nessa semana, um pouco mais do mesmo. De fato, a rotina dos treinos é um pouco modorrenta para quem lê o Blog. Nesse período de treinamento para a Ultra, a rotina é um dos pontos importantes do jogo que vai ser jogado.

As únicas coisas a serem notadas é a melhora do joelho com o trabalho de alongamento e um treininho funcional para a coxa. Deu até para pedalar no rolo sábado pela manhã.

Outra coisa é a natação - como diminuiu os número de dias que tenho que nadar nesse período, faltar em um treino é não fazer 50% da carga semanal. O resultado é que, quando eu cai na piscina para fazer 3 km na sexta-feira, foi como nadar em uma piscina cheia de gelatina. Sai da água cansado...

E domingo, chovendo e garoando, acordei no susto, tomei café correndo e fui a luta no Campo de Marte. Mas esse café não me caiu bem e tive que administrar um estômago cheio e, as vezes, aquela ameaça de dor de barriga.

É verdade que reclamo que é muito solitário, mas tenho certeza que vou sentir falta desse período lá. Não me distraio com música nem tenho lá grande reflexões para fazer ou o que quer que seja. Eu não sei bem explicar o que se passa quando a gente se submete a esse tipo de exercício.

Ninguém espere que o estágio de dor física, cansaço e isolamento seja capaz de construir alguma reflexão existencialista. Pelo menos para mim, correr não é lá muito inspirador....e nem precisa ser.

Eu arrasto o corpo pra cá, arrasto para lá...e assim vou indo.

A única coisa que me vem a cabeça naquele vai e vem eterno nas manhãs de domingo é bastante trivial: o que vou almoçar?

Alguém lembra do Forrest Gump? Sou apaixonado por esse filme.

Depois de correr os EUA de costa a costa, ele subitamente para entre vários seguidores no meio de uma estrada no deserto. Alguns pedem silêncio, esperando que algo extraordinário seja dito.

Mas ele apenas diz: estou muito cansado, quero ir para casa.

Não posso descrever de outra forma, pois é tudo o que sinto.

Na Internet, é possível encontrar alguns trechos sobre corrida que aparecem nesse filme.

Forrest: (voice-over) That day, for no particular reason, I decided to go for a little run. So I ran to the end of the road, and when I got there, I thought maybe I'd run to the end of town. And when I got there, I thought maybe I'd just run across Greenbow County. And I figured since I run this far, maybe I'd just run across the great state of Alabama. And that's what I did I ran clear across Alabama. For no particular reason, I just kept on going. I ran clear to the ocean. And when I got there, I figured since I'd gone this far, I might as well turn around, just keep on going. When I got to another ocean, I figured since I've gone this far, I might as well just turn back, keep right on going. When I got tired, I slept. When I got hungry, I ate. When I had to go, you know, I went.


Newsman: Sir, why are you running?

1st Reporter: Why are you running?

2nd Reporter: Are you doing this for world peace?

3rd Reporter: Are you doing this for women's right?

Newsman: Or for the environment?

Reporter: Or for animals?

3rd Reporter: Or for nuclear arms?

Forrest: (voice-over) They just couldn't believe that somebody would do all that running for no particular reason.

2nd Reporter: Why are you doing this?

Forrest: I just felt like running.

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Forrest: (voice-over) Anyway, like I was saying, I had a lot of company. My Momma always said you got to put the past behind you before you can move on. And I think that's what my running was all about. I had run for three years, two months, fourteen days, and sixteen hours.

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Young Man Running: Quiet, quiet! He's gonna say something!
Forrest Gump: [pause] I'm pretty tired... I think I'll go home now.