segunda-feira, 26 de setembro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
"Competindo comigo mesmo"
SIIIIIIIMMMMMMMMMMM....
Não digo o “autoconhecimento” psicológico, daquelas perguntinhas insuportáveis tipo “quem sou eu”, “quais meus objetivos” e blá,blá, blá...
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
70.3 em Penha 2011. O que foi, foi.
Porque não valem mesmo.
Difícil explicar que, de uma prova para a qual eu me preparei para participar, resultado foi um PB com 18 minutos melhor que 2010.
Não ganhei todos os rounds - até perdi alguns. Mas faltou pouco, pouquissimo para um objetivo que persigo: fiquei a quatro minutos de um 70.3 sub-5 horas.
Há tempos, aqui mesmo nesse blog, eu dizia que minha idade me forçava a rever meus objetivos e manter o que já tinha conquistado - até bastante influenciado pela leitura do bom "Do que eu falo quando falo de corrida", do Haruki Murakami.
Por isso a minha "fuga para frente": ao invés de enfrentar logo os problemas que me impediam de ter resultados que queria, eu postergava isso fazendo provas duras a cada dois meses com o mesmo desempenho.
E minha desculpa era o VO2, era a o indice de massa corporal, era flexibilidade dos tendões...enfim, o rol de fatores limitantes posto na prateleira da ciência é grande.
Basta você ir no Supermercado das idéias prontas e escolher qual você quer comprar.
Depois, você acredita nelas, se acomoda, compra uns chinelinhos e um copo para colocar a dentadura...:-))))
Mas o triathlon é um esporte estranho. Ou talvez todos os esportes de endurance sejam.
Seria fácil eu dizer que a idade traz mais experiência, força mental e inteligência para compensar a desvantagem física que anos trazem.
Há uma coisa que o Marc Becker falava sobre "reprogramação" que é muito interessante. Ele dizia que as pessoas não são escravas do seu biotipo, o "hardware", pois que o que conta mesmo é "software".
Como sou alto, quando as pessoas me veem, por exemplo, acham que minha estatura é ótima para corrida porque posso dar passadas largas.
Mas quando corro minhas passadas são curtissimas por conta do método de treinamento do Ironguides.
E depois de aprender a correr assim, passei a correr melhor ainda que mais velho (mas nem tanto, ok meninas, nem tanto....).
Então é possível melhorar, se tornar mais rápido e forte ao longo do tempo?
Minha experiência diz que sim (enquanto ficar "mais inteligente", diz que não! ;-))))
Tem coisas que não funcionam, claro.
Por exemplo, pra problemas de feiura como o meu ele não tem funcionado muito bem, não!
Isso é um problema sério no Ironguides....:-)))))
Bom, como eu disse eu no post anterior, tinha alguns rounds para ganhar nessa prova.
O primeiro deles era em relação a natação. O Rodrigo me pediu uma saida forte, voo de cruzeiro e ataque as bóias. Seria estratégico fazer um bom aquecimento.
Cheguei com uma hora de antecidência, arrumei minhas coisas e fui para o mar fazer alguns tiros. Meu corpo se adaptou a temperatura da água e senti a musculatura mais aquecida depois das braçadas.
Fiz uma boa largada, não ventilei e consegui alguns espaços para nadar forte até as duas primeiras bóias. Infelizmente, não fui feliz em atacá-las porque fiquei no engarrafamento que sempre acontece para nadadores medianos como eu quando a gente chega nelas.
Mas usei essa tática de nadar forte quando me orientei pela bóia errada e tive que retornar ao trajeto mais curto. Gostei, pois rapidamente me recoloquei na natação para fechar em 33:22 (contra 37:24 de 2011).
O transição, que o Rodrigo me pediu para fazer em, no máximo, dois minutos, não consegui.
Subi na bike com muito receio de me sentir exaurido logo de saida - afinal, os problemas de lombalgia e na panturilha não me deixaram treinar no Riacho Grande. Depois do Iron, fiz apenas dois treinos na rua - o resto foi rolo.
Mas, surpreendentemente, me sentindo bem, cheguei na primeira hora a 36 km/hora com a cara no vento. Lembrava do Chico me provocando: "eu arriscaria algo em torno de 35 km/hora".
E foi um belo pedal. Mas até um certo ponto...
Em função disso, média caiu para 34.7 km/hora fechando em 2:35:23 (em 2010, a velocidade média foi de 32,5 Km/hora e o tempo 2:45:50).
Apesar de não ter alcançado a média de 35 km/hora, depois fiquei sabendo pelo Landinho que pedalei perto do Sandro Magalhães quase o tempo todo. Bom, o Sandro, Artur e o Mota são os caras que admiro no pedal e chegar perto deles já me deixaria pra lá de feliz...
Cheguei e, ufá, bolo com coca-cola na transição! Dois tecos, um copo e tô novo!
O único problema é que demorei. A T2 custou 3:45 (pior que ano passado, que foi 3:03).
Na corrida...putz, eu estava com panturilha ruim, lembram?
Pois é, mas eu mesmo não lembrei!!!!
Sei lá, sai correndo totalmente revigorado e lá pelas tantas é que fui lembrar da panturilha.
Fiz a primeira perna para 54 minutos (foi a única vez que olhei o relógio), correndo com passadas curtas e um tanto na defensiva com medo de alguma quebra.
Em um dos retornos, avisto o Mota. Ele me diz "Estou te esperando...".
Pois é, "estou te esperando" nessas provas é coisa de uma ponte Rio-Niterói....
Faltando 6 km, emparelhamos e disse para ele "Mota, isso não é natural, você sabe. Não tem cabimente eu te passar. Isso é uma aberração..."
Ele comentou "Tudo bem. Você não tem idéia da força que estou fazendo para correr".
Repliquei dizendo que ele tinha feito coisas bem mais extenuantes como atleta e profissional e que, mesmo assim, nunca tinha cedido em nada.
Ele cresceu e começou a imprimir um pace forte. Fomos passando dezenas de pessoas e, pelo que me lembre, a partir desse ponto apenas me recordo do Roger Melo ter nos ultrapassado.
Sem dúvida, foi o melhor momento do ano que tive no triathlon.
Nós não estávamos "disputando", não era um "Ironwar".
Eram duas pessoas correndo forte, uma buscando energia no ritmo da outra.
No momento em que fraquejei, ele aliviou dois passos, "me buscou" e voltei ao pace.
Pessoas assim podem ser solidárias, sem se servirem do outro em formas desleais de competição.
O "vácuo" ou a "esteira" que oferecem aos companheiros é moral.
Mesmo sem colocar o pé no chão para correr durante quase 45 dias, fechei os 21 km para 1:47:47 (contra 1:51:36 em 2010)
Terminamos a prova juntos em 5:04 e bati meu tempo de 2010 (5:22).
Não ganhei o Oscar, mas se eu tirasse da manga uma carta de agradecimentos, não poderia deixar de citar o Fabiano Bispo, Janaina, Chico e o Rodrigo Tosta.
E, como a Deise sempre diz, grandes competições só são "grandes" se forem lembradas como um (re)encontro de amigos.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
70.3 em Penha 2011. O que será, será.
Começamos os treinos com foco em intensidade na corrida e um pouco mais de atenção a natação - eu não nado mal, mas me falta um pouco de agressividade na água. Sou demais acomodado.
Eu realmente estava me sentindo ótimo. Meus treinos de corrida depois do Iron estavam me surpreendendo.
Ao invés de procurar um médico imediatamente, fiquei esperando para ver o que ia dar.
E deu que me dei mal...
Fiquei duas semanas brigando com a lesão. Quando fui ao médico, no começo da terceira, ele me disse "não foi grave, mas a cicatrização está no tempo limite para fazer a prova. Pode ser que dê para você correr, mas pode ser também que não seja possível".
Como me escreveu o Chico, "lesão é lesão", o tempo de recuperaçao não muda muito pois as fibras (ou poucas fibras, no caso das pequenas lesoes) que sofreram lesao, levam o mesmo tempo pra se recuperar. Em outras palavras, se houve um estiramento, as poucas fibras estiradas ou as muitas fibras estiradas levarão o mesmo tempo pra se recuperar. O que muda sao os sintomas pois se sao poucas, quase nao sentimos nada mas se sao muitas aí o bicho pega."
Nesse meio tempo, assisti, acho que na Globo, uma matéria um boxeador brasileiro que chegava a semifinal dos Jogos Militares na sua categoria sem ter feito nenhuma luta. Os adversários não conseguiam alcançar o peso e iam sendo eliminados em cascata.
A matéria era uma situação armada para fazer humor a custas de alguém e tinha lá um certo grau de crueldade.
Estava implicito "pode ser campeão sem ganhar de ninguém".
Quando foi perguntado o que aconteceria se ganhasse o título sem lutar, longe de aparentar qualquer constrangimento, o rapaz dizia mais ou menos assim:
"Como "sem lutar"? Alcançar o peso para estar na categoria é o primeiro requisito para subir no ring. Se os meus adversários não conseguem ao menos isso, como vão querer lutar? Eu estou aqui..."
Bom, vendo aquilo me senti um menino mimado de apartamento, morrendo de dó de mim mesmo.
Meus planos foram por água abaixo, mas eu tinha uma "luta" para fazer.
Claro, meus objetivos passaram a ser outros - antes de tudo, estar em Penha para a prova.
O Rodrigo Tosta sugeriu que continuasse a seguir a planilha no que fosse possível e procurasse aulas de deep running para substituir a corrida.
Fui atrás, mas são pouquissimos lugares em São Paulo que tem instalações e profissionais especializados.
Felizmente achei o Fabiano Bispo na AREA, que fica na Pamplona e relativamente perto do metrô. Foi praticamente um personal, pois mesmo quando ele sabia que só haveria eu na aula, nunca deixou de ir. Trabalhava os aspectos técnicos do deep, puxava os treinos para o ritmo não cair e sempre me cobrava para estar presente na próxima sessão de treinos.
Fora isso, duas sessões semanais de fisioterapia para a acelerar a cicatrização, fazer alongamento e fortalecimento.
Resolvido? Não.
Quando as coisas dão para dar errado, é uma noticia ruim atrás da outra: voltei a sofrer com lombalgia.
E lá fui eu atrás de horários de um quiroprático por sugestão da Cintia Tobar e indicação do Chico.
E estressa, né? Quando você tem que lidar com tantos "encaixes" de horário, trabalhar e treinar. Passei esse mês pra lá e pra cá com uma rotina insana.
Mas, enfim, isso tudo faz parte desse "estilo de vida", embora a gente só use essa expressão para falar das coisas positivas....
As vezes, não é bem assim. As vezes, a gente se machuca.
Mas tem uma lição nisso tudo - eu tinha me esquecido como fazer uma prova de meio-ironman é um esforço pra lá de trivial.
Porque depois de várias provas dessa distância procurando fazer o melhor tempo, quando não estamos bem temos a tendência de dizer "Ah, eu só vou lá para completar".
What? Como assim, "só para completar"??????
Esse período mais complicado serviu para me colocar novamente no meu devido lugar e pensar que sempre, sempre a maior dificuldade é conseguir treinar para estar na largada e, em segundo, completar a prova.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Back to Basics?
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Treino preferido
Guimarães Rosa
O Kiko viu em uma entrevista da Vanessa Gianinni na Trisport e lá pelas tantas a ela é perguntado sobre "treino favorito".
Vou puxar esse fio porque ele, ao se referir ao filme "127 Hours", fala sobre a solidão.
Eu tenho umas esquisitices pois, em um meio em que a maioria das pessoas curte treinar em grupo, gosto mesmo é de ficar só.
Por isso, meu treino preferido não tem grandes paisagens ou acontece em lugares bacanas. Meu treino preferido é um ir e vir no meu bairro para ir nadar, onde resolvo minhas inquietações (ou crio outras).
Mas quando estou realmente sozinho parece que os pratos giram muito lentamente e, como em um sonho, posso andar entre eles sem precisar tocá-los.
São 45 minutos em que penso simplesmente no que estou lendo, da forma mais despretensiosa possível. Não tenho que fazer uma resenha, anotar nada e muito menos polemizar.
Depois, levanto, visto tudo muito rapidamente e vou para a academia nadar. São mais ou menos 20 minutos de caminhada e escolho o percurso mais demorado de forma proposital - gosto apenas de ir caminhando...
quarta-feira, 13 de julho de 2011
A fase "oca"...
Mas nem sempre foi assim. No inicio, muito da falação aqui tinha como objetivo descrever os treinos e, ocasionalmente, falar sobre as provas.
Na verdade, tratava-se de um report público para o coach. Eu escrevia "para todos", mas no fundo havia alguém como interlocutor.
Ter esse tipo de relato também é ótimo quando você quer recuperar um pouco da sua história.
Só que cansei um pouco desse modelo.
Porque treinos viram rotina. Como os incrementos de desempenho semana a semana são pequenos, os relatos são variáveis de um mesmo tema com tamanha monotonia que....bom, as vezes me pergunto "quem se interessa por isso?"
Depois de abandonar os aparelhos que medem frequência cardiaca, calorias queimadas, dados sobre altimetria, pace etc etc etc. venho me questionando agora sobre a necessidade contar cada metro na piscina, quanto tempo eu pedalo no rolo ou estrada ou quantos quilômetros fiz no final de semana.
Então, fica a questão: se eu meus objetivos mudaram e não estou medindo mais nada, por quê continuar escrevendo?
Será que temos algo realmente relevante para contarmos aos outros quando abrimos um Blog sobre Triathlon?
Não porque falte inteligência ou capacidade de escrever para quem resolva expor suas idéias (ou comentar a dos outros).
Quer um exemplo? Pegue uma Revista de triathlon pós-iron.
O que se lê? Fala-se muito em "superação".
E como as pessoas conseguiram "muita vontade, determinação, treino e foco"?
Acho que todo mundo quer saber o seguinte: que treinos são esses? Como as pessoas superam o limiar da dor quase insuportável que lhes permite ter uma pequena ou uma grande margem de desempenho? Como conseguem lidar com a disciplina mental treinos longos? Qual a motivação os leva a sair para correr no final da madrugada em meio ao frio ou ao meio-dia no calor extremo? Como lidam com o medo ou os resultados frustantes? Qual o método de treinamento que lhes garante bons resultados e sem contusões? Como cuidam da alimentação? Do pouco tempo para treinar e ainda assim ainda são atletas extraordinários, como fazem?
terça-feira, 5 de julho de 2011
De volta aos treinos e novos planos
Todo mundo sabe que depois de um Iron, a volta aos treinos demora um pouco.
Bom, pelo menos para os que voltam...;-)
O que nem todo mundo sabe é que voltar a escrever no blog pode demorar ainda mais...
Na semana seguinte ao Iron, o Rodrigo pediu que a gente entrasse em regime de ETT – “Evite Totalmente o Triathlon” . A idéia era evitar ao máximo o assuntos ligados ao triathlon a fim de evitar algo que os vem sendo chamado de “burnout”, que podemos explicar como um desgaste físico e mental intenso com impactos no sistema nervoso e que pode gerar distúrbios psíquicos.
Eu fiquei com vontade de comentar com ele que, para quem trabalha com análise econômica e coordena uma área responsável pelo cálculos do PIB do Estado de São Paulo, burnout é quase um estilo de vida. ;-))))
Mas, claro, entendi o que ele queria dizer. Depois de semanas treinando com foco nas provas, era necessário se desligar um pouco do assunto que gerou tanta expectativa e dar atenção a outras coisas da vida.
Aproveitei para fazer um pouco de musculação na academia, comer broa portuguesa sem culpa sempre que passava pela padaria, acordar mais tarde e saborear o fato de que não precisava levantar cedo e passar seis horas pedalando no Riacho aos domingos.
E, olha, até cortei o cabelo....:-)
Só que não pude evitar o assunto triathlon totalmente. Eu tinha que planejar rapidamente o que faria no próximo ano. Deixa eu explicar.
Umas das coisas que comentei com o Rodrigo é que não gostaria de fazer o Iron novamente em Florianópolis em 2012. Inicialmente, achei meu resultado lá tão bom em 2011 que fiquei com receio de voltar ano que vem e não conseguir um avanço como o que tinha acabado de experimentar.
Digo “inicialmente” porque depois que fiquei a par dos resultados mais detalhados e me pus a pensar na prova com maior clareza, haveria espaço para reduzir esse tempo com pequenos incrementos na alimentação, uma natação mais rápida e mudanças de estratégia - afinal, fazer a T2 em oito minutos é um tanto demais, não é?
Quem sabe seria possível cruzar o pórtico a luz do dia?
Só que tudo bem. Até aquele momento resolvi não que não faria a inscrição e não fiz.
As vezes é você tomar uma decisão e ir em frente do que ficar vacilando, angustiado porque não consegue fazer escolhas...
O Rodrigo sugeriu então algumas possibilidades de IM para ano que vem, com preferencia para aqueles que fossem realizados em meados do ano, mais ou menos na mesma época que a prova é realizada no Brasil. A razão é que poderíamos continuar com o calendário com que estou acostumado.
Sugeriu então a África do Sul, Arizona, Texas ou St. George, com preferência para a primeira.
Mas, tal como no Brasil, os IMs ao serem realizados em 2011 abrem inscrições e essas rapidamente se esgotam em questão de horas. O IM da África do Sul 2012 já estava sold out quando fui fazer a inscrição.
Entre St. George e Texas....bem, depois de ver os relatos da Luiza Tobar sobre a prova, não pensei duas vezes e optei pelo Texas.
Tomei algumas informações sobre a prova, conferi os tempos e vi alguns vídeos. Tirando o vento, acho que a prova não apresenta dificuldades adicionais . Você dá apenas uma volta de 180 km e na natação, por exemplo, a grande maioria dos nadadores não usa wetsuit – como não gosto de água fria, achei esse ponto pra lá de positivo.
Outra decisão importante foi a escolha do Rodrigo em fazer duas provas de 70.3 esse ano. Escolhemos Penha e Miami.
Ou seja, esse ano, não vou para Pirassununga para, no dia seguinte, escrever “que fiz a prova mais difícil da minha vida” como faço sempre.
Esse ano, não!
E essa escolha me deixou feliz, porque tem uma turma bacana indo para Penha e outra, para Miami. Como considero esse um critério importante, vou confessar que estava muito dividido.
Penha já conheço. Não é uma prova que me deixa feliz.
Tudo bem que a organização é ótima, mas o Brasil merecia um 70.3 em um lugar mais bonito.
E aquele circuito de bike travado é um tédio danado.
Mas, por outro lado, vale lembrar que tenho as melhores lembranças das pessoas que encontrei por nessa prova e as amizades novas que fiz por lá ano passado.
Já Miami é novidade, mas estou contando com a ajuda da Deise para me auxiliar e está tudo saindo muito bem.
Em relação aos treinos, o Rodrigo voltou a trabalhar com treinos de maior intensidade, voltados para o ganho de velocidade. Também vamos fazer algumas provas de Triathlon Olimpico como parte desse treinamento.
E eu, que achava melhor fazer exame de toque ou tomar chá de boldo que topar com treinos desse tipo, vou ser sincero: está sendo ótimo.
Tirando aquele período de adaptação muita chato quando se inicia a retomada dos treinos, estou conseguindo cumprir a planilha a risca e me sentindo fisicamente bem.
E, vale notar, nem bem se passaram 30 dias do IM em Florianópolis.
(E, vale notar também, tá um frio de lascar!)
Mas isso é relativamente fácil de explicar – boa parte dos treinos é curta.
E eu não penso. Pego a planilha e sigo em frente. Se for parar para pensar...chiiiiii!
Porque como minha recuperação física é rápida, mas minha disposição mental nem tanto, consigo engrenar a rotina dos treinos de forma bem disciplinada sem ficar antecipando o sofrimento.
A única coisa que não consegui ainda foi voltar de vez a treinar no Riacho. Fiz dois treinos de três horas aos domingos no rolo.
Por quê? Porque me tira energia pensar que tenho que dirigir tanto para ir e voltar de lá, além de perder a oportunidade de aproveitar o máximo possível parte do dia na casa dos meus pais, lendo jornal ou brincando com a minha sobrinha que está para fazer dois anos...
Tudo bem que as vezes brincar com a sobrinha pode ser mais desgastante que ficar no rolo seis horas de frente para parede.
Principalmente quando sua irmã te sacaneia e, com um sorrizinho, pede para tua sobrinha, por acaso filha dela, "pegar o livro do Tarzan para o titiiiiioooooo ler para ela" e depois dá no pé te deixando sozinho!
Que Iron que nada!!!!
Vai ler a história 4.576.4645.987 vezes, dando nome para cada personagem, e depois me conta se você tem coragem de dizer que sofreu em Florianópolis!!!!
Isso sim é "Burnout"....
Minha única vingança é mostrar para ela uma lesma azul e dizer "Mamãe".
Ela aponta para a figura, olha pra mim e diz "Mamãe??????"
"É, mamãe....mããã-mãããã-êêêê..."
Quando a mãe dela volta, olha para mim e dá outra risadinha...
E ai "o titiooooo tá lendo o livro pra Sofia, hein meu amor?"
Mal sabe ela...;-))))
domingo, 5 de junho de 2011
Ironman 2011

E a forma como eles finalizaram a prova mostra as estreias dramáticas, quase “sangrentas” como as crônicas no site do Ironman narram é uma coisa muito distante da experiência das pessoas que são bem orientadas, tem clareza dos seus objetivos e de todo trabalho que leva até eles.
Para mim, foi o fechamento de um período de treinos de três anos. Ainda é viva a lembrança do primeiro Iron, em 2009, quando eu pensava que 11 horas de prova era uma expectativa viável e, ao me deparar com 12:48 no pórtico tive um choque de realidade.
Em 2010 um grande avanço, quando fechei meu segundo Iron em 11:46 minutos, mas ainda distante daquele sonho inicial.
As vezes, os saltos, uma mudança de patamar, ocorrem. Isso pode ser atribuído a disciplina ou ao talento? Quando se treina duro, muitas vezes em dois períodos quando o trabalho permite, e os resultados não correspondem meses e anos de dedicação, o que falta?
Os treinadores apenas pedem paciência e trabalho duro. Mas há momentos em que você acha que desperdiça o seu tempo e de quem lhe dá dedicação – parece que há um limite físico e mental que não permite ir além.
As metas parecem ambiciosas, grandes demais. E a sua mente não é organizada de forma linear como nas planilhas. Você tem apenas fragmentos de treinos longos, treinos fortes, treinos progressivos, treinos fracos, treinos intervalados, treinos de velocidade, treinos, treinos e mais treinos entremeados por muito cansaço e resultados com muitos altos e baixos considerando tanto esforço.
Como essas coisas se integram de forma coerente ao longo do tempo? Qual a lógica de tudo isso?
A Viagem
Esse ano, fiz as coisas um pouco diferente. Ao invés de ir de carro, peguei um avião. E dei sorte de, já no Aeroporto, encontrar o Vinicius Santana que é o atual Head Couach do Ironguides e mora na Tailândia.
Encontrar o “Boss” é sempre bacana. Ele conhece muita gente do circuito internacional de triathlon, tem ótimas histórias e se você apertar um pouco ele te conta o que a Chrissie Wellington tomava no café da manhã e como ela se vestia quando ambos faziam parte do TBB (rs).
Quando o Rodrigo Tosta passou a ser o meu técnico e vieram os meus melhores resultados, escrevi para o Vinicius agradecendo. Porque me sentia em débito com um cara que me deu anos de dedicação, mas nunca retribui a altura. E esse “a altura” significa apenas cumprir as metas que eu mesmo estipulava – completar um 70.3 em menos de 5 horas e um Iron Sub 11.
Cheguei lá na quinta-feira a noite e me alojei em um Hotel em Jurêre Nacional. Pela primeira vez fui sem carro. Na verdade, tenho algumas coisas esquisitas em relação a isso: eu não gosto de fazer a viagem de ida, mas sim de volta.
Também acho estranho, já que teoricamente a volta é cansativa e você fez a prova, enquanto na ida, não.
Mas que importância isso tem? Nenhuma, né?
Eu não sei porque tenho essa mania de entrar em assuntos sem o menor interesse...
Vamos cortar isso aqui...
Antecedentes
Os dias que antecederam a prova foram completamente fora da cartilha. Fiquei batendo perna na sexta-feira na Expo, muito por conta dos amigos. Quando encontrei a Deise Jancar, que é Master em Ironman e PhD em Expo de Ironman, ai então.
Depois fomos almoçar naquele Open Shopping bacaninha que tem lá, já que o Marden Mota tinha marcado um almoço e sugeriu um restaurante lá dentro. Depois chegou a turma do Landinho, que é da assessoria do Presidente e o pessoal sentou com a gente.
No último dia, ainda encontrei a Amaya, o Edú Carvalho, Denise, Galah, Fernando e a Ana da Find que estavam lá para dar uma força pra Deise. Conheci pessoalmente o Paulo Cordiolli e a Cris da Mynd Sports
Fiquei meio cansado da badalação?
Fiquei, viu?
Mas isso faz parte do Iron. Você tem a oportunidade de revêr pessoas e conhecer outras que fazem parte desse mundo do triathlon brasileiro e frequentam as tais “redes sociais”. São pessoas que tem perfil no facebook, blogueiros, editores de revistas digitais, técnicos...enfim.
Creio que isso não tenha me atrapalhado, ainda que eu não recomende para ninguém ficar no fuzuê o tempo inteiro.
Bom, fiz um “treino” no sábado. Pedal e corrida com o pessoal do Ironguides.
E vejam com são as coisas.
No pedal, nada aconteceu. Estava ansioso para testar a bike, já que tinha feito duas revisões e estava curioso para saber se o transporte do equipamento que arrumamos foi legal.
Foi. A bike continuava regulada.
Só que sou cismado com pneu furado. Fico tenso. Tenho uma intuição para isso que me deixa maluco. Na oficina que fiz a revisão, pedi para olharem mil vezes a câmera e, principalmente, o Mr. Tuff.
Mas quando fui entregar a bike no sábado, o técnico do Marcelo, o Landinho, levou as sacolas para a gente de carro e pediu que déssemos uma parada na casa onde eles estavam.
Entramos em uma rua paralelepípedos, meu pneu dianteiro esvaziou.
O Landinho olhou e disse “Calma que eu troco para você”.
Ele olhou e foi logo dizendo “Você usa Mr. Tuff? Eu não gosto e, se fosse você, não usava...”
Eu fiquei meio assim. Porque Mr. Tuff para mim, se não adianta, eu sabendo que ele está lá, já me deixa mais tranquilo – porque alguma coisa estou fazendo para evitar que a câmera vá para o espaço.
Ele tirou o Mr. Tuff e ele estava com um corte no meio. A câmera tinha um furo pequeno.
Ele disse “Acho que o Mr. Tuff uma porcaria, mas o problema aqui é outro – essa câmera é uma porcaria e furou por outro motivo: defeito de fabricação”.
Ai você começa a pensar que gasta uma grana com trocentas coisas inúteis e economiza na câmera.
Ele jogou tudo fora, calibrou os pneus e disse “Vai tranquilo que nada vai acontecer”.
A segurança com que ele falou desanuviou todas as cismas que eu guardava. Fui embora com a certeza de que aquilo tinha se resolvido de vez.
Dia da Prova
Acordei as 3:45 e sai da cama rapidamente. Preparei a alimentação e as coisas que iriam na caramanhola. Chegamos eu e o Presidente bem cedo, preparamos tudo sem pressa e cuidadosamente em uma sala que ainda não estava lotada – mas já tinha nêgo da organização gritando que a área da largada, na praia, já iria fechar.
Encontramos o Mota e fomos batendo papo. Depois, perto da largada, achamos a Deise e o Landinho. Fomos todos para a área de onde seria dada a largada e ficamos batendo papo.
A coisa estava tão descontraída que, quando deram a largada, o Presidente disse que tomou um susto (rs).
Larguei mais ou menos no meio do povo, nem tanto a direita, nem tanto a esquerda, assim como nem tanto atrás, nem tanto na frente.
Enfim, larguei no meio da galera!
Natação
Achei o começo muito tranquilo para quem esperava bofetada para tudo que é lado com o número de participantes esse ano. Mas isso não ocorreu.
Até a primeira bóia, um looongooooo caminho, as coisas aconteceram “nos conformes”. Mesmo no momento de contornar a dita cuja, que é sempre tenso, não foi das piores situações que já passei.
Claro, sempre tem gente que cruza pra cá, cruza pra lá e passa por cima mesmo.
O mar estava bastante marolado, mas a correnteza jogava da direita para a esquerda, favorecendo o trajeto dos nadadores entre as bóias.
Fiz a primeira perna sem maiores problemas. Mas quando comecei a segunda, me bateu um desânimo. Já solto dos aglomerados confusos de outros nadadores, meu nado deveria se desenvolver de forma mais tranquila e rápida – só que quando levantava a cabeça e via a bóia no fundo do horizonte, na frente do sol, senti uma deprê momentânea.
Porque na natação a mobilidade é lenta e, no meu caso, lenta demais.
Falta de paciência, claro...
Fui atééééé lá, no fundão, e retornei. Chegando na praia, fui levantar e tomei um golpe nas costas de uma onda muito da sacana.
Como tive problemas de lombar nas semanas que antecederam a prova, na hora pensei “f@$#@”.
Deixei o corpo dentro da espuma e não lutei. Puro instinto.
Quando levantei, me movimentei um pouco e percebi que estava inteiro e sem dores nas costas.
Mas notei também que estava a menos de dois metros de uma pedra que certamente racharia minha cabeça.
Tinha uma menina ao meu lado e estendi a mão a ela. Acho que ela pensou que eu estava querendo ajuda-la, mas o que eu queria mesmo era que ela me puxasse de lá.
Ai, né? Zero a Zero. ;-))))
Fechei aos 3,8km da natação na casa 1:11 (na primeira parcial que a Latin Sports disponibilizou, 1:09)
A coisa não tinha sido tão mal assim – mas só percebi isso quando vi a Cintia Tobar tirando a bike do cavalete no mesmo momento que eu.
Bike
Foi fácil localizar a bike.
O único problema é que eu não sabia para que lado correr para sair de lá!!!
É molé um negócio desses?
Apontei pra cá, dei uma corridinha pra lá, fiquei rodando em círculos. Ai o Artur, triatleta blogueiro que estava lá vendo a prova e dando um força na organização, vendo eu perdidinho da silva, gritou:
“Vagnão, vira para o corredor...Pra cá...Nããão, pra lá não meu filho! Onde cê tá indo? Volta! Pra cá, vira de costas! Não, não de costas pra mim, de costas pra lá. I...Is..Issôôôôôôôô, assim mesmo... para o corredor...agora corre até o fim!”.
Foi punk!!!
Pra ele, claro! Porque acho que ele ficou mais estressado que eu, coitado! ☺
Comecei o pedal com um certo trânsito, mas me lembrei da orientação do Rodrigo “Vai tranquilo, mas nada de molezinha”.
Fui passando e senti que estava indo em um bom ritmo. O vento estava bem tranquilo e não tinha encontrado pelotões até então para me encher o saco.
Nas subidas, lembrava dos toques do Mota e resolvi subir sem fazer (muita) força – para quem treina no Riacho, fica realmente fácil e fui passando todo mundo até chegar lá em cima.
Na cidade, na área dos túneis, meu maior medo – o vento. Só que ele não deu as caras, pelo menos com a intensidade que eu esperava!
Fiz a primeira volta com uma média de 33,5 km/hora em cadência pesada, algo em torno de 69 rpms, quase um Time Trial.
Na segunda, logo no retorno dos últimos 90, senti que o vento tinha mudado e ficado mais intenso. A ida seria com vento e a volta...com vento! (rs).
Minha experiência em Floripa mostra que meu desempenho cai muito na segunda volta por conta de dores lombares e do vento – claro, duas coisas que estão correlacionadas.
Na áreas dos túneis, com o vento contra, desci a cadência e decidi não lutar. Pensei nos meus treinos no rolo, adotei uma posição aero e tive paciência. Fiquei preocupado em forçar demais a musculatura da perna. Comecei a administrar a média de forma a achar uma marcha adequada em que eu “perdesse menos”. Na área dos túneis, quando pegava rajadas laterais de lascar e vento forte contra, descia para a coroa menor e girava mais – sem, no entanto, cansar meu sistema cardiovascular porque eu não tenho giro rápido, não treinei para isso e, sinceramente, não gosto.
Muita gente me passava e fui ficando, mas não abri mão da estratégia. Certamente, foi o momento de maior angústia – muita, mas muita gente me passava. Mas paciência. Eu não podia mudar minha estratégia porque, primeiro, meu objetivo era vencer a mim mesmo e, segundo, como já ouvi alguém dizer:
“Se alguém puxa muito e se esforça demais, não esquenta que você vai passar lá na frente. Agora, se você não alcançar, é porque a pessoa é melhor e você não podia fazer nada mesmo”. (rs)
Quando o vento ficava a favor, ahhhhh, ai era coroão e catraquinha. No momento em sai daquela ventania na área a beira mar e apontei na estrada de volta para Jurêre, estava novamente em esquema de contra-relógio.
Só que, de repente, chega o Renato Abreu do meu lado.
Nós temos o mesmo técnico e ele estava no primeiro Iron. Conversamos um pouco, um do lado do outro e, de repente, eu disse “E então, vamos?”
Clipei e, quando levantei a cabeça, o cara deslanchou uns dois quilômetros num vapt (ou vupt, sei lá eu)!!!!.
Eu gritei “Ôôôô Renato, pé-pérai meu velho! Ô mêêêêêuuuuuu”!!!!
Tem gente que não sabe brincar! ;-))))
Mas vim seguindo ele meio que de longe, novamente em esquema de contra-relógio.
Claro, sei que isso pode ser uma loucura para quem está em um Iron, porque parece insano fazer isso depois de ter pedalado 140 km, ter mais 50 pela frente e, depois de tudo, ter que encarar uma maratona com as “pernas pesadas”.
Pois é...mas “nunca antes da história desse país” posso dizer que me senti tão forte. Minha experiência me ensina que, não importa o esforço que eu faça no pedal, minha corrida é quase independente – falo do ponto de vista muscular, lógico.
Eu não sofro da “síndrome das pernas pesadas” – e acho que isso é o treinamento de anos com o Ironguides. Mas avançar nesse ponto e entender o porquê é uma questão que me foge completamente. Passo apenas como me sinto.
E, no mais, eu me sentia livre. Embora fosse uma “liberdade responsável”, lembrava do Chico, Edú, Artur, Colucci, Emiliano, Denys e todos os que escreveram no Blog dizendo “senta a bota”! (rs)
Foi o pedal mais fantástico que já fiz – fechei para 5:32 com uma média de 32.3 km/hora.
Para quem em duas oportunidades não tinha conseguido atingir 30 km/hora, ôpa, estava excelente. Como tive um início mais rápido, consegui ir além da meta que o Rodrigo tinha pensado, isto é, entre 31,5 e 32 km/hora.
Mas o pedal do Iron não acaba quando você tira o pé do clip e põe no chão...
Ao descer da bike estava lá o Artur novamente.
Ele ”Vai Vagnão, vaiiiiii....”
Olhei para ele e, com o corpo totalmente degringolado, disse “Não dá Artur”....
Ele “Dáááááááá...vamú, vamú, vamú, rapá!!!!”
Eu disse “Ai, ai, ai...Não dá Artur”.
Putz, eu parecia uma meninha chorona naquela hora!
Se o pessoal da Latin Sports me vê, acho que o fulano lá vai dizer “Quem é esse cara? Tira esse sujeito da prova que isso tá avacalhando com a nossa franquia gente. Se isso ai vai parar no Youtube a gente tá f$#@#$%$”.
Só que, pô...Ironman é IRONMAN, mas a gente também fica sensível caramba! ;-)
Não sei como o pessoal consegue descer da bike e sair correndo depois de 180 km.
As minhas pernas, estas que estão aqui, não obedecem como a desses caras, não!
Pra falar a verdade até que tentei, mas ficava “correndo” praticamente no mesmo lugar...
Sabe “os manú“ de grupo de pagode que ficam dançando com passinhos curtinhos em roda de samba?
Substitui o pandeiro e pensa em um branquelo feio de capacete aero com bermuda colan dando passinhos à la Rubinho Barrichello.
Agora tira o sambinha.
It’s me...
Mas, enfim, quando eu largo pedal, fico feliz. Porque o pior já passou...
Nesse momento, lembro de um comentário que, não sei quem fez, acho que a Ana Oliva em um vídeo, em que se diz o seguinte, “Ufá, agora só faltam 42k...”.
E é assim, exatamente assim, que penso toda vez que faço isso esse tal de Ironman!
Corrida
Peguei minha sacola, fui para aquela área de troca de roupa e me troquei rapidamente. O problema é que preciso comer bolo com Pepsi – é quase um ritual – em 2010, lembro de ter chegado com muita fome nesse ponto da prova e pensando “se está assim agora, vai faltar combustível na corrida”.
Mas, com as outras coisas que comi durante o caminho, não faltou.
Só que, nesse ano, não levei a cinta de hidratação. Carreguei os bolsos de gel, barra energética que tinha sobrado da bike e duas garrafinhas com gel diluído. Pedi, pelo amor de Deus, para uma menina me dizer qual dos banheiros químicos foi menos usado e, depois de passar de por aquela provação, sai para correr.
Iniciei a corrida executando o jogo de passadas rápidas sem qualquer problema muscular ou sensação da fadigo, mas me senti com muitas coisas nos bolsos (minha bermuda tem quatro) e joguei as garrafinhas fora. Foi besteira...
Porque durante a corrida eu não consegui me alimentar com nada sólido – nem gel. Tudo foi a base de água, Gatorade e Pepsi.
As garrafinhas com gel diluído, poderiam ter feito falta...
Segui mais ou menos a estratégia “run/walk” - que consiste em você se programar para andar em certos trechos ou períodos de tempo, afim de não fadigar seu sistema neuromuscular.
Digo “mais ou menos” porque o Rodrigo tinha sugerido fazer isso em todos os postos de hidratação e caminhar entre 30 e 45 segundos.
O que fiz foi andar em alguns e, na maioria deles, andar 15 e 20 segundos.
Ao enfrentar as subidas para Canasvieiras, não andei nas subidas. Sei lá, pode ser ineficiente andar ali, mas eu sempre chego naquele ponto bem e subo sem grande esforço.
Então pra que vou andar, ué?!?!
Na descida, vi a Ana Lidia a frente da Mariana Borges, da Soled e da Fernanda Keller em um pega fantástico. Encontrei também o Fred e o Mota descendo, um atrás do outro, um pouco atrás das meninas.
Mas, lá em cima, já no platô, cruzei com o Sandro Magalhães. Em 2010, quando comecei a subida, bem no comecinho, o Sandro estava indo para os últimos 21k.
Pensei “caramba, que legal!”. O Sandro é um cara forte e encontra-lo naquele ponto mostrava que o pedal mais rápido tinha feito a diferença. Uma baita diferença.
Mas Canasvieiras meio que me “desequilibrou”, me tirando do ritmo. Claro que isso é natural, mas eu achei que o prejuízo tinha sido grande.
Entretanto, ao fechar os primeiros 21 km, olhei o meu poderoso relógio da Decathlon de sessenta contos e ele mostrava 1:53!
Nada mal!!!!
Então, de novo pensei em ser mais ousado. Diferentemente de 2009 e 2010, em dividi os últimos 21k uma duas partes, uma lenta e outra rápida, decide impor um ritmo “forte” para ver o que acontecia.
Corri tal como fiz nos treinos. Aliás me lembrei muito disso!
No meu último longo, o Rodrigo pediu 2:45 divididos em seis partes. Progressivo.
O treino foi tão forte a ponto de ter passado aquela noite em branco. Nas duas últimas partes, eu estava muito veloz.
Foi excepcional ter feito isso, pois me deu muita confiança para forçar, já que entendia eu que meu corpo responderia.
Mesmo depois de devidamente “escovado” pela Cintia Tobar, aquela menina “ridícula” que me passou sem o menor conhecimento (rs), eu fui passando, passando, passando...Beleza!
Quando encontrei o Rodrigo para fechar os últimos 10,5k ele disse: “Vagner, você tá bem! Mantém o ritmo que você quebra a barreira das 11 horas!!!!”
Olhei para ele, e disse “Tudo bem Rodrigo, mas posso te pedir um favor?”
Ele olhou pra mim e emendei “Segura o Sol pra mim!!!!!” ;-)))))
Quem faz o IM Brasil, sabe o que significa isso...
Bom, voltando, olhei o relógio: 2:53!!!!
Aquilo seria um sonho?
Um tinha uma hora e sete minutos para correr pouco mais de 10? Isso?
Sai correndo no mesmo ritmo, mas com uma felicidade...não dá para descrever.
Só que, como nada é fácil no caminho de um corinthiano, nos últimos 5 km, dei uma quebrada.
Não era muscular. Nem falta de gás. Era o meu cérebro olhando para o meu corpo e ligando o pisca de alerta.
Conheço bem isso. Parece que aumenta a viscosidade das pernas as distâncias crescem exponencialmente mesmo quando elas estão diminuindo...
Mantive a técnica de passadas rápidas – afinal, eu sei que “executar a corrida”, pura e simplesmente, já me levaria até o final com segurança.
Quando entrei na reta final, foi um baque. Três quilômetros pareciam uma linha infinita.
Curiosamente, acho que faltando pouco mais de um quilômetro, minha velocidade voltou. Mas daria?
Não quis olhar o relógio. Medo de me decepcionar. Quanto tempo eu teria perdido? Não parecia muito, mas essa percepção é sempre relativa e vive me pregando peças.
Mas, enfim, quando entrei no tapete, olhei o tempo no pórtico e vi 10:50 e já comecei a andar com muita vibração para fechar em 10:51:07.
Praticamente uma hora melhor que 2010 e quase duas em relação a 2009.
Fiquei feliz. Depois de três tentativas consegui terminar um Iron em menos de 11 horas e encaixar uma maratona sub 4 na mesma prova.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Quase lá....
O que muda é um pouco em cada relato é a forma com que cada um enfrenta essa situação. Fazer treinos coletivos ou acompanhado por um parceiro faz o tempo passar um pouco mais rápido e pode ajudar na manutenção do pace para o qual você se programou.
Para mim, os treinos são quase sempre um exercício solitário. Como já reportei quando estava treinando para o Ultra Bertioga-Maresias, isso não tem como resultado pensamentos elaborados ou "altas reflexões" pessoais. Eu não entro em uma corrida ou treinos longos pensando em um problema e saio deles com alguma resposta.
Nesse sentido, a resistência física é nada se comparada ao que há de se fazer em termos de disciplina mental.
Nessas últimas duas semanas de treino, dei sorte nos momentos mais duros. No Riacho, o apoio dos amigos é uma coisa que nunca encontrei na USP – exceção a companhia do Edú, do China e dos longos com o Joel e pelas sempre agradáveis conversas pós-treino com o pessoal da Find, principalmente o Fernando, a cidade universitária é um deserto para mim.
Claro, talvez o problema seja eu.
No Riacho, você pode contar com Luiz, Léo, Mota, Deise, Paulo, Tiago ou o próprio China entre outros que ficam ali no Clube dos Borracheiros. Você sabe que tem um manhã dura pela frente, mas ninguém perde o humor ou deixa de compensar o esforço alheio com um “Vamos lá” quando você está embaixo do sol, correndo esgotado na estrada.
A Deise fez um comentário muito bacana esses dias – cada Iron tem uma história porque você vai encontrar uma turma que vai marcar aquele ano. Se for falar sobre isso, vem um troço na garganta e dá vontade de chorar.
Também foi importante ter encontrado o Beto por lá nos últimos dois longos de bike de seis horas. Ele chegava mais tarde e, além de ser um ótimo papo, sempre acelerava o treino – sim, porque eu gosto de conversar, mas quando tem treino eu sou meio caxias e...enfim, tenho que fazer a planilha (rs).
De certa forma, a parte mais difícil dos treinos terminou. Consegui fazer três longos de seis horas consecutivos no Riacho – domingo passado, encaixei um 173 km e, ontem, mais 174 – médias na casa dos 29 km/hora em cada treino, com uma cadência de 67 rpms me média.
Outra coisa que me agradou bastante foi a evolução da minha corrida – na quarta-feira, corri 2:40 progressivo. Terminei tão forte que mal consegui dormir. E me senti inteiro.
Fiz todos os treinos de natação, mas não senti a evolução que tive nos outras no pedal e na corrida.
Perdi pouquíssima coisa nessas semanas. Foram, sem dúvida, as mais duras no ano – quando tinha as noites sem treino, as nove da noite já estava derrubado na cama, dormindo.
Tudo isso não acabou. Ainda tenho duas semanas de treinos e outros detalhes importantes para dar conta.
Mas questões sobre a prova também começam a me fazer pensar – afinal, o que quero lá em Floripa?
Discuti esse assunto com o Rodrigo Tosta, com o Chico e com o Edú, estes dois últimos amigos triatletas que me acompanham desde do início dessa coisa toda.
A questão agora seria...well, 3o Iron - não seria o momento de ser mais ousado ao invés fazer a prova como um treino longo com postos de abastecimento?
Pois é, não sei se estou com essa bola toda. Apesar das coisas terem melhorado, ainda me falta experiência para fazer a prova com intensidade na dose certa e no momento adequado.
O Rodrigo ponderou que se trata de uma decisão importante, porque há riscos do desempenho ser pior que o dos outros anos. Mas, segundo ele, valeria a pena, sim, buscar um resultado melhor. E o Chico e o Edú são da mesma opinião.
E para tanto me deu certos parâmetros nas três modalidades, o que implicaria em um tempo total em torno de 11 horas. Se conseguir, tiraria cerca de 48, 46 minutos em relação a 2010.
Bem, como dizia o Marc Becker pensando na perspectiva dos que fazem esse esporte com um estilo de vida e não um meio para sobreviver, o que há para se perder mesmo????? ☺