Desde de 2009 sou uma figurinha fácil no Long Distance Caiobá.
O Vinnie já dizia que é o melhor evento do gênero para o check-list final do Ironman e, sendo uma prova relativamente menos desgastante, encurta a recuperação e possibilita o retorno mais rápidos aos treinos.
Dadas todas as mudanças que ocorreram no calendário do triahlon de longa distância esse ano e a realização do 70.3 de Brasília no mesmo dia, confesso que fiquei um pouco curioso sobre o que aconteceria com o Long Distance Caiobá.
De imediato, o esperado: a prova ficou menor, com cerca de 1/3 dos inscritos na prova da Latin Sports.
Mas quando cheguei na cidade, fui encontrando triatletas que fazem parte um time de peso - Cristiano Santos, Marcelo Penna, Phillphe Gondré, Joachin Doedin, Fernando Cesário e tantos outros, muitos deles com uma parada duríssima nas suas respectivas categorias.
Nesse sentido, o Long Distance pode ter perdido em número participantes, mas em termos de competitividade a prova surpreendeu quem esperava uma fuga dos amadores de ponta para o 70.3 de Brasília.
Outra coisa interessante foi que a prova ficou ainda mais comunitária. Um amigo acostumado ao padrão Latin Sports me perguntava: não tem que deixar a bike na transição um dia antes? Não tem sacola? Não tem marcação? Não tem número na toca?
Não, não tinha nada disso. Tinha apenas uma coisa chamada "triathlon", disse brincando para ele...
Não fui ao congresso técnico e não sei como os atletas foram avisados sobre isso, mas em certos trechos da orla carros e corredores compartilharam o mesmo espaço.
Embora a via fosse apertada, os motoristas me pareceram cuidadosos e aquilo não atrapalhava a corrida.
E não notei reclamações dos atletas e nenhum tipo de estresse.
Alguém explica?
Talvez estejamos acostumados a ver as provas tais como passageiros de cruzeiros marítimos ou de assentos na primeira classe de vôos internacionais, em que você entra em um lugar controlado para se sentir totalmente seguro e ser mimado por mordomias de todo tipo. Achamos que temos direito porque pagamos e pagamos caro.
Seguimos o roteiro desenhado pelas empresas, que não se limitam a nos vender uma infra-estrutura para nadar, pedalar e correr, mas ainda se servem de toda parafernália midiática ligada ao tema "superação" para nos sentirmos dentro de uma aventura - mas talvez elas nada mais façam do que aguçar nossos instintos sanguinários de consumidores de shopping center.
E quando descobrimos que esse ambiente é uma fantasia que só existe no folder da prova, ficamos transtornados. Mas, azar: quem mexe com emoções tem que estar ciente de que os resultados podem ser explosivos.
E como na Internet amor e ódio fluem rapidamente, o estrago é feio.
Obviamente, não estou defendendo o outro extremo, como provas sem fiscalização, piso esburacado, falta de água ou condições mínimas de segurança.
Porque não acho que precisamos ficar entre escolhas extremas.
Na minha opinião, o 70.3 de Brasília de certa forma ajudou o Long Distance de Caiobá, pois redimensionou a prova de Curitiba para o número de atletas que ela realmente pode comportar.
A "pancadaria" na natação se limitou ao retorno da primeira bóia e os pelotões simplesmente sumiram - o que me frustou um pouco, já que não me deram a oportunidade de xingar ninguém. ;-)
Bom, mudando um pouco de assunto...
Em relação ao desempenho, eu não estava muito animado. Tive uma lesão no músculo posterior da coxa duas semanas antes do Internacional de Santos e passei quase um mês sem correr. Fui voltando aos poucos, sem intensidade e aumentando gradativamente o volume a fim de ganhar confiança novamente.
Mesmo curado, estava com aquelas dores musculares típicas de quem passa muito tempo fora de uma atividade e volta a fazer treinos um pouco mais pesados.
Nesse sentido, a prova seria basicamente um treino de luxo para testar o que precisava ser testado para o Iron. E, como sempre, sem polimento.
Com tudo isso mantive minhas expectativas em um patamar realista e me programei com o Rodrigo para fazer uma prova típica de um atleta maduro, consciente e dentro das minhas possibilidades, já que o mais importante é o IM em Floripa.
Isso só da boca para fora, lógico, porque chegando lá a gente esquece tudo isso e dá o que pode e o que não pode para fazer o resultado...
O coach fica doido da vida mano..... ;-)
Mas comecei muito desanimado, porque a minha natação não foi boa - na primeira das duas voltas a correnteza me afastou dos nadadores e sai mais de cem metros longe do pórtico para fazer o primeiro retorno.
Consequentemente, na segunda perna perdi a confiança e fiquei mais preocupado em não perder o rumo do que em nadar - o sol estava exatamente em cima da segunda bóia e nos cegava completamente. Resultado: nadei para 38:19 (com a transição - acho eu....)
Sai para o pedal um pouco desconfiado da minha coxa esquerda, que estava dolorida nos dias anteriores.
Mas sem essas dores, os treinos de intensidade e big gear no rolo, assim como os longos na Ciclovia do Pinheiros, me deixavam mais confiante para exigir um pouco mais no pedal.
Fechei a bike na casa dos 2:18 e me senti feliz em cima do selim, principalmente pelo torque que os treinos me deram para pedalar contra o vento.
Na corrida, era uma incógnita. Meu objetivo ali era tentar a meia em menos de 2 horas, com um pace entre 5:00 ou 5:30.
Entretanto, quando sai para correr não senti as dores na coxa - mas não abusei. Fiz a primeira volta mais tranquilo correndo naturalmente, sem olhar para o relógio e tentando me sentir relativamente confortável.
O resultado me surpreendeu um pouco, pois fechei para 1:39.
Mas teve um lado negativo também: minha corrida confortável refletia mais meu receio de sofrer do que as dores musculares.
Esse, por hora, é o meu sinal de alerta para o IM de Florianópolis - estou um pouco assombrado pelo medo de sofrer e não estou sabendo lidar com isso mentalmente.
Bem, ao final, o tempo total foi de 4:37.
Ano passado perdi a premiação do quinto lugar por dois segundos. Esse ano, com 25 minutos a mais de prova, consegui meu primeiro pódio.
Não acredito em justiça ou destino. Mas acho interessante essas ironias.
Foi bacana subir no pódio, principalmente pelo sorriso largo do Marcelo Penna quando me viu lá em cima e apontou pra mim, pela força que o Luciano Focá e o Clodoaldo me deram na corrida enquanto os dois davam um show a parte, e pela farra que o Allan e a turma que estava com ele fizeram quando me viram com o troféu na mão.
Voltei para São Paulo com insolação e cheio das dores. Mas valeu por tudo.
Foi uma reconciliação com uma prova que em anos anteriores envolveu uma disputa desleal na elite e mais ainda entre os amadores que se amontoaram em pelotões. Como esquecer a tensão e todo bate-boca em torno das punições?
Sem esses problemas, foi possível ver Caiobá de outro jeito.
É como se a gente tirasse a maquiagem para descobrir que a prova, mais simples, fica mais bonita - a praia mansa é um achado para se nadar, o pedal é rápido, intenso e belíssimo e a corrida é um vai e vem de amigos que se encorajam mutuamente.
E tudo isso sempre esteve lá, mas por miopia ou vaidade as coisas mais importantes sempre são as mais difíceis de serem reconhecidas.
Tal como me fez lembrar o Allan, que passando por mim com o rosto sofrido, aponta para o céu e diz sorrindo "Bessinha, olha que dia lindo".
Foi lindo....
terça-feira, 8 de abril de 2014
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
As coisas que morrem....
Um dos problemas ao se escrever durante muito tempo é o receio de se tornar repetitivo. E corremos esse risco quando não mudamos ou não permitimos que a realidade a nossa volta mude.
De certa forma, não há muito a se acrescentar sobre o Internacional de Santos de 2014 que já não tenha sido dito tão bem em outros blogs, fóruns de discussão ou nas páginas das revistas eletrônicas.
O que posso dar é apenas um curto depoimento pessoal.
O que posso dar é apenas um curto depoimento pessoal.
Entrei na água na terceira bateria e, ao ver uma onda monstruosa se formando na minha frente, pela primeira vez na vida senti medo.
Medo como nunca tive antes.
As fotos das ondas que você viu na Internet não refletem o que aconteceu nos momentos mais críticos no mar.
Mesmo com uma certa experiência em águas abertas, estava apenas alguns graus abaixo da sensação de pânico que vi algumas pessoas experimentarem enquanto eram removidas pelos caiaques.
Medo como nunca tive antes.
As fotos das ondas que você viu na Internet não refletem o que aconteceu nos momentos mais críticos no mar.
Mesmo com uma certa experiência em águas abertas, estava apenas alguns graus abaixo da sensação de pânico que vi algumas pessoas experimentarem enquanto eram removidas pelos caiaques.
O Internacional de Santos vive uma agonia.
É uma prova cheia de defeitos, todos facílimos de serem reconhecidos – as distâncias não são padronizadas, a logística falha, a expo é menos que um feirinha e o kit é uma sacola com todo tipo de amostras grátis que ninguém precisa. Os voluntários são mal treinados, o controle do tráfego é precário e a população vê os atletas como intrusos que roubam a tranqüilidade da cidade.
Mas é igualmente fácil lembrar dos grandes nomes do triathlon mundial que passaram por ali e como consolidou-se ao longo do tempo um evento pela qual uma geração compartilha com outra a experiência do triathlon brasileiro. Ela está cravada em uma cidade que é berço de uma elite competitiva e renovada de talentos, e também de uma turma politizada e bacana de ciclistas e triatletas com profundas raízes no esporte amador paulista.
Espremida até a última gota por um homem personalista e obtuso que parece viver para destruir a tradição que ele mesmo ajudou a construir, o Internacional é uma prova extemporânea que agoniza em uma cidade que não a deseja mais.
É uma prova cheia de defeitos, todos facílimos de serem reconhecidos – as distâncias não são padronizadas, a logística falha, a expo é menos que um feirinha e o kit é uma sacola com todo tipo de amostras grátis que ninguém precisa. Os voluntários são mal treinados, o controle do tráfego é precário e a população vê os atletas como intrusos que roubam a tranqüilidade da cidade.
Mas é igualmente fácil lembrar dos grandes nomes do triathlon mundial que passaram por ali e como consolidou-se ao longo do tempo um evento pela qual uma geração compartilha com outra a experiência do triathlon brasileiro. Ela está cravada em uma cidade que é berço de uma elite competitiva e renovada de talentos, e também de uma turma politizada e bacana de ciclistas e triatletas com profundas raízes no esporte amador paulista.
Sempre digo que a área de transição é um lugar sagrado pela experiência de integração que ela nos proporciona. Você pode ficar feliz pelo número de acessos do seu blog ou pela quantidade de “curtidas” que seus comentários levam no Facebook, mas nada se iguala a repetição de acenos, abraços e atitudes de companheirismo na área de transição de uma prova de triathlon.
E a área de transição do Internacional de Santos é uma experiência única.
Mas a vários anos há um fosso entre as nossas expectativas e a capacidade que a prova tem de realizá-las. Ao voltarmos lá ano após ano, pagamos o preço de conviver com uma contradição que não pode ser resolvida, pois queremos que nada mude e sabemos que tudo tem que mudar.Espremida até a última gota por um homem personalista e obtuso que parece viver para destruir a tradição que ele mesmo ajudou a construir, o Internacional é uma prova extemporânea que agoniza em uma cidade que não a deseja mais.
Fico pensando na cena da demolição do Novo Cinema Paradiso, no filme de mesmo nome, quando os personagens que viveram intensamente a experiência daquele cinema em uma pequena cidade da Sicília presenciam, envelhecidos e conformados, as paredes da sala de projeção indo ao chão para darem lugar a um estacionamento.
No domingo o tempo de uma era ruiu sobre si mesmo. Tal como sentiram os moradores daquela pequena cidade italiana, parece que nos resta apenas o cansaço.
E uma dor que não dói.
No domingo o tempo de uma era ruiu sobre si mesmo. Tal como sentiram os moradores daquela pequena cidade italiana, parece que nos resta apenas o cansaço.
E uma dor que não dói.
domingo, 26 de janeiro de 2014
Porque não me ufano...
Acho que ninguém vai esquecer essas semanas pela de intensa discussão sobre os roubos de bike na USP.
Como é de praxe, o rebuliço foi parar nas redes sociais e teve repercussão na mídia, alcançando os jornais e a televisão em horário nobre.
Ficamos "ali" com os rolezinhos em termos de "assunto da semana".
Mas confesso que fiquei desanimado com o que andei lendo nessas redes.
Porque a gente pedala em grupo, corre junto, nada no mesmo lugar e ficamos todos enfurnados nas mesmas comunidades de discussão do Facebook.
Tudo bacana quando a conversa é triathlon.
Saiu disso, a gente nota nitidamente que pouca coisa nos une além do esporte.
Quero acreditar que uma parte das pessoas que vão na USP esta preocupada com a questão da segurança, mas sempre dou de cara com uma outra turma, que não é pequena, que coloca a bike em primeiro lugar.
A vida das pessoas? Bem, espera-se que não seja necessário matar ninguém, mas danos colaterais nem sempre são possíveis de evitar...
Do contrário, o que explica a contratação de PMs que fazem bicos para escolta armada dentro da cidade universitária? É possível imaginar um tiroteio na bolinha? Como alguém em sã consciência ameaça a própria vida e a dos outros dentro de um campo universitário?
Acho irônico que, em casos extremos, assaltantes e assaltados sejam grupos idênticos no que há de pior na insensibilidade humana.
Quando ladrões matam pessoas porque estão querendo um relógio é muito comum ouvir "que seres são esses, que se brutalizaram a ponto de matar por coisa tão insignificante????".
Mas o sujeito que coloca uma área em risco por conta da bike é diferente em quê?
Quando li "se um policial matasse um sujeito que roubou a minha bike, acho que eu seria agradecido" e ninguém em um fórum de mais de 700 pessoas deu um pio, parei para pensar.
Afinal, que mensagem estamos passando para as pessoas?
Eu não vou na USP para engrossar esse caldo de cultura reacionário de malufista enrustido que vota em cabo da Rota ou vibra quando a policia vem fazer seu show na Cracolândia com gente doente.
Eu tenho cá minhas dificuldades para entender a selvageria que vem da classe média paulistana que adora o discurso "bandido bom é bandido morto".
Primeiro, porque eu não sei em que isso diminui a violência. As pessoas deveriam claramente dizer que não estão interessadas em justiça, mas na busca de uma vingança pessoal.
Segundo, pela raiz cínica nesse discurso.
Se estamos realmente preocupados com a bandidagem, que tal começarmos a discutir se nessa categoria estão incluídos triatletas e ciclistas que andam na bolinha e trazem equipamento de fora sem recolher imposto de importação?
Ou contrabando não conta?
Como é de praxe, o rebuliço foi parar nas redes sociais e teve repercussão na mídia, alcançando os jornais e a televisão em horário nobre.
Ficamos "ali" com os rolezinhos em termos de "assunto da semana".
Mas confesso que fiquei desanimado com o que andei lendo nessas redes.
Porque a gente pedala em grupo, corre junto, nada no mesmo lugar e ficamos todos enfurnados nas mesmas comunidades de discussão do Facebook.
Tudo bacana quando a conversa é triathlon.
Saiu disso, a gente nota nitidamente que pouca coisa nos une além do esporte.
Quero acreditar que uma parte das pessoas que vão na USP esta preocupada com a questão da segurança, mas sempre dou de cara com uma outra turma, que não é pequena, que coloca a bike em primeiro lugar.
A vida das pessoas? Bem, espera-se que não seja necessário matar ninguém, mas danos colaterais nem sempre são possíveis de evitar...
Do contrário, o que explica a contratação de PMs que fazem bicos para escolta armada dentro da cidade universitária? É possível imaginar um tiroteio na bolinha? Como alguém em sã consciência ameaça a própria vida e a dos outros dentro de um campo universitário?
Acho irônico que, em casos extremos, assaltantes e assaltados sejam grupos idênticos no que há de pior na insensibilidade humana.
Quando ladrões matam pessoas porque estão querendo um relógio é muito comum ouvir "que seres são esses, que se brutalizaram a ponto de matar por coisa tão insignificante????".
Mas o sujeito que coloca uma área em risco por conta da bike é diferente em quê?
Quando li "se um policial matasse um sujeito que roubou a minha bike, acho que eu seria agradecido" e ninguém em um fórum de mais de 700 pessoas deu um pio, parei para pensar.
Afinal, que mensagem estamos passando para as pessoas?
Eu não vou na USP para engrossar esse caldo de cultura reacionário de malufista enrustido que vota em cabo da Rota ou vibra quando a policia vem fazer seu show na Cracolândia com gente doente.
Eu tenho cá minhas dificuldades para entender a selvageria que vem da classe média paulistana que adora o discurso "bandido bom é bandido morto".
Primeiro, porque eu não sei em que isso diminui a violência. As pessoas deveriam claramente dizer que não estão interessadas em justiça, mas na busca de uma vingança pessoal.
Segundo, pela raiz cínica nesse discurso.
Se estamos realmente preocupados com a bandidagem, que tal começarmos a discutir se nessa categoria estão incluídos triatletas e ciclistas que andam na bolinha e trazem equipamento de fora sem recolher imposto de importação?
Ou contrabando não conta?
sábado, 18 de janeiro de 2014
O que os rolezinhos podem nos ensinar....
Nesse sábado, o Daniel Blóis e o Marcello Doretto nos deram ciência de que mais três bikes foram roubadas na USP.
A desfaçatez é tamanha que os rapazes usam motos e passeiam pelo campus sem serem incomodados, até escolherem a melhor vitima.
As relações da USP com a sociedade paulista são um enrosco antigo.
Trata-se de um laço de três pontas.
A USP se vê na cidade de São Paulo como o Vaticano se vê em Roma.
Um Estado à parte....
A universidade é um dos poucos espaços de lazer na cidade e recebe milhares de cidadãos - cidadãos que a sustentam com impostos. Mesmo assim a comunidade uspiana não se presta a tirar o olho do umbigo para acolher pessoas que lá não estudam com infra-estrutura decente e segurança.
Isso está ligado ao imobilismo da Reitoria e a resistência os alunos, que olham o mundo pela ótica de um esquerdismo infantil ou temem a PM, dado que é notório que no campus existem redes associadas ao consumo de drogas de consumo casual.
E pelo menos em relação a esse terceiro ponto, ela está certa.
Porque a segunda ponta, a policia de São Paulo, é uma das mais despreparadas, letais e autoritárias do mundo. É uma policia que desperta um sentimento de desconfiança e isso não vem do nada.
A terceira ponta são os atletas.
Antecipando minhas desculpas pela indevida generalização, alguns são patéticos - usam um discurso genérico que vai do "esse pais é uma @#$@&" até o dito "mensalão".
"Mensalão"????????
Me desculpem, a responsabilidade pela Segurança Pública em São Paulo é da alçada de pessoas com nome e endereço e a classe média paulistana, que repete seu voto a vinte anos nesse Estado, não quer assumir que também tem culpa no cartório.
Ai, quando a coisa aperta, parece que a coisa não é com ela.
Podemos discutir se os "rolezinhos" são farra sem seriedade ou um movimento mais consciente da periferia, mas essa meninada dá um nó na classe média paulistana, que se acomodou no sofá para maldizer a corrupção nossa de todos os dias, mas não faz absolutamente nada para se engajar de forma ativa nos problemas da cidade.
Dia 1 de fevereiro o China, figura das mais queridas, está convidando todo mundo para uma manifestação na USP.
Vai ser na Bolinha, as 9:00 da manhã.
Eu vou.
A desfaçatez é tamanha que os rapazes usam motos e passeiam pelo campus sem serem incomodados, até escolherem a melhor vitima.
As relações da USP com a sociedade paulista são um enrosco antigo.
Trata-se de um laço de três pontas.
A USP se vê na cidade de São Paulo como o Vaticano se vê em Roma.
Um Estado à parte....
A universidade é um dos poucos espaços de lazer na cidade e recebe milhares de cidadãos - cidadãos que a sustentam com impostos. Mesmo assim a comunidade uspiana não se presta a tirar o olho do umbigo para acolher pessoas que lá não estudam com infra-estrutura decente e segurança.
Isso está ligado ao imobilismo da Reitoria e a resistência os alunos, que olham o mundo pela ótica de um esquerdismo infantil ou temem a PM, dado que é notório que no campus existem redes associadas ao consumo de drogas de consumo casual.
E pelo menos em relação a esse terceiro ponto, ela está certa.
Porque a segunda ponta, a policia de São Paulo, é uma das mais despreparadas, letais e autoritárias do mundo. É uma policia que desperta um sentimento de desconfiança e isso não vem do nada.
A terceira ponta são os atletas.
Antecipando minhas desculpas pela indevida generalização, alguns são patéticos - usam um discurso genérico que vai do "esse pais é uma @#$@&" até o dito "mensalão".
"Mensalão"????????
Me desculpem, a responsabilidade pela Segurança Pública em São Paulo é da alçada de pessoas com nome e endereço e a classe média paulistana, que repete seu voto a vinte anos nesse Estado, não quer assumir que também tem culpa no cartório.
Ai, quando a coisa aperta, parece que a coisa não é com ela.
Podemos discutir se os "rolezinhos" são farra sem seriedade ou um movimento mais consciente da periferia, mas essa meninada dá um nó na classe média paulistana, que se acomodou no sofá para maldizer a corrupção nossa de todos os dias, mas não faz absolutamente nada para se engajar de forma ativa nos problemas da cidade.
Dia 1 de fevereiro o China, figura das mais queridas, está convidando todo mundo para uma manifestação na USP.
Vai ser na Bolinha, as 9:00 da manhã.
Eu vou.
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Por um ano novo com menos esperanças....
Talvez você nunca tenha ouvido falar de Neil Pasricha, sujeito que não tem muito jeito para falar em público e não faz parte da trupe de coachs de autojuda, gurus empresariais, neurocientistas, psicológos ou economistas comportamentais que se tornaram palestristas ultra carismáticos que dão as caras na Internet todo dia.
Criado no Canadá e filho de imigrantes, depois de uma trajetória como a de qualquer pessoa e um período de grande felicidade, sua vida mergulhava no cadafalso de um dia escuro que não parecia ter fim.
Em um breve lapso de tempo perdeu a esposa em um divórcio que ele não desejava e seu melhor amigo desapareceu da sua vida em razão de uma depressão fatal. Fora isso, foi apanhado no contrapé da crise econômica que viria a tomar os EUA nos anos seguintes.
Educados que somos em uma bolha de consumo superficial e vazia, quando a vida joga um tsunami no nosso colo a desorientação é tamanha que não acertamos o passo na rua.
Mas Neil Pasricha teve uma idéia simples e despretensiosa para lidar com um período de dificuldades.
Ao invés de ficar fazendo força para ter assunto no whatsapp ou descarregar no Instagram aquela "foto sensacional" do inseto que posou no parabrisa, ele percebeu que poderia compartilhar experiências sobre pequenas alegrias pela Internet, muitas delas que aprendera a valorizar a partir do olhar dos seus pais quando esses, muito pobres, se viram acolhidos em uma sociedade afluente.
Criou um blog sobre as coisas que nos deixam felizes quando não estamos pensando em ser felizes.
Chama-se 1000 Awesome Things.
Nosso dia a dia é um tecido de tarefas e pequenos hábitos, como fazer a barba, ir na padaria, levar os filhos na escola, ficar no trânsito, marcar consulta no dentista, trabalhar, ir para a faculdade, passar no mercado, levar a bike na oficina, corrigir provas, colocar gasolina no carro, preencher documentos, pagar as contas, ir em reuniões escolares, escrever emails...
Enquanto isso, aguardamos por algo extraordinário na vida e depositamos todas as nossas fichas em desejos pelas quais estamos separados pelo tempo.
Esse desejo se chama "esperança".
No afã dos grandes sonhos, trocamos o quinhão raro da vida no presente pelo que nos aguarda no futuro - e, na esperança de viver, não vivemos.
Obviamente, bem sei eu, não podemos abrir mão das nossas expectativas, de olhar para frente e mirar algo que seja fonte de crescimento e autorealização.
O problema é quando esquecemos todo o resto.
E "todo o resto" é justamente a nossa vida.
E, como diz o sujeito do video abaixo, "a pessoa que não pode viver significativamente hoje, não pode levar uma vida brilhante amanhã."
Assim, não se trata de se abdicar uma coisa pela outra, mas de "esperarmos" um pouco menos e abraçamos o presente um pouco mais.
Com contribuições milhares de pessoas, Neil Pasricha descortinou uma janela para um lado da vida onde não parecia ter nada para olhar.
Coisas que nos deixam felizes sem esforço e espera, como achar o lado mais frio do travesseiro para dormir, passar o dedo no copo de vitamina, raspar o tacho de creme na panela que foi usada para fazer o recheio do bolo, ganhar uns brigadeiros porque teve aniversário e sua tia não esqueceu de você, encontrar um pedaço de torta de banana esquecido na geladeira...
Dirigir na cidade vazia, ir passando uma longa fila de semáforos que vão se abrindo sem você colocar o pé no freio, sintonizar uma música que te faz esquecer o trânsito, ouvir rock nas alturas e espancar o ar como se fosse o baterista, evitar um congestionamento ou chegar em casa dois segundos antes do temporal desabar...
Ver o sol nascer no selim da bike, fazer uma descida em curva perfeita, começar a correr de madrugada, encontrar a raia que você gosta de nadar vazia, sentar em uma sombra no final do treino, ir para a academia tarde da noite e, do nada, aparecer aquela gata para ficar na esteira do seu lado ou ver que sobrou o tênis que a gente queria no estoque da loja e o danado ainda tá com desconto...
Fazer um amigo rir e de susto espirrar refrigerante pelo nariz, girar com a sobrinha no colo para ver quem fica mais tonto (digo, já: sou imbatível) e certas esquisitices que talvez não compartilhe com ninguém, tal como ficar perto da panela para sentir o vapor do leite esquentando o rosto ou caminhar pelas ruas a noite com o chão molhado depois da chuva...
Não fossem apenas momentos em que parece que nada nos falta, a natureza dos pequenos prazeres também fala alto sobre quem somos, de onde viemos e o que precisamos para viver.
Minha lista é um exemplo do apego de uma criança que não desistiu de mim. Ela anda comigo em pleno meio-dia, se surpreende quando vê algo novo, não chega perto de roda-gigante e sorri quando lhe dou alguma coisa que não pôde ter quando antes só existia ela.
Em troca, não me pede esperança e nem me cobra pelo futuro - apenas que a gente não perca a espontaneidade por medo ou vergonha de sermos nós mesmos.
Feliz 2014...
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
100 x 100
Quando eu ainda treinava com o Vinnie, uma vez ele me escreveu dizendo que todo final de ano os triatletas deveriam celebrar.
Celebrar significa fazer algo desafiador, mas ao mesmo tempo prazeiroso, aproveitando o que foi agregado durante meses e meses de treinamento para o aprimoramento da nossa condição física.
Na última vez que fiz a São Silvestre, resolvi correr pela manhã a metragem necessária para completar uma maratona em uma dia. Dividia o esforço em duas partes e ainda correria com os amigos.
Fiquei com vontade de pedalar esse ano. Achar uma estrada bacana no Interior de São Paulo e fazer um "Audax" de 300k.
Só que, depois de quatro horas na Anchieta para percorrer quinze quilômetros de carro, fiquei traumatizado com essa coisa de pegar a estrada perto de feriado.
Por quê não esse desafio de 100 x 100 na piscina?
Do lado de casa, não dependia de carro...
E me julgava mais preparado do que para correr, por exemplo, já que antes do Dash eu estava com um volume alto, de 3 mil, e nadando todos os dias...
O problema é que eu não sabia como me arriscar nesse treino. Pensei em escrever para o Rodrigo, mas ai vai que ele "cê tá doido....".
Agora, como é a vida: e não é que ele fez a mesma coisa para comemorar o aniversário dois dias antes!!!!!!
Bom, joguei a idéia no Ironbrothers para alguém me dar uma luz e choveu post sobre o assunto.
Esse grupo é demais, nossa...
E foi lá que pesquei os parâmetros básicos, que vieram da Ana Lidia e o Marcos Faria, já que eram os únicos que tinham feito esse desafio - aliás, o Marcos também dois dias antes do meu, e contou como foi.
A única coisa que não dava para pegar emprestado eram os parâmetros de tempo, já que esses dois são de outro planeta....
Achei mais razoável a sugestão do Marlus, que se fizesse esse treino, sairia a cada dois minutos.
Eu poderia nadar 1:45 e descansar 15 a cada 100.
Pensei "é isso!"
Nesse ritmo, seriam de 3:20 de água se tudo desse tudo certo.
Ajustei os alarmes do relógio para não me preocupar com contagem, coloquei três caraminholas e três sachês de gel na borda da piscina e às 10:10 comecei o desafio.
Até os cinco mil, estava tudo certo e conseguia manter a média sem forçar o sistema aeróbio. O ritmo era algo entre moderado e forte ou, como se queira, "ritmado".
Os braços estavam em ordem e não me via mentalmente cansado.
Mas a partir desse ponto comecei a ter problemas. A média subiu para 1:50 e progressivamente fui perdendo desempenho: 1:51, 1:53, 1:54....
Exatamente na marca dos 6.300 metros meu tempo batia a casa dos dois minutos - nadar direto não era a idéia e nem em sonho eu conseguiria.
A fim de dar um tempo para os braços, mudei de estilo. Puxei 700 metros, alternando costas e peito a cada 100.
Com os braços momentaneamente descansados, voltei a nadar Craw para 1:45 e feliz da vida.
Mas em 7.900 de novo bati na casa dos dois minutos. Os braços não estavam mais ajudando. Tentei nadar com flutuador. Nada. Colocar o palmar, então, nem pensar!
Lembrei do Marcos Faria falando sobre o pé de pato (embora eu, burro, devesse tê-lo usado antes dos meus braços ficarem fatigados, assim como ele fez).
Coloquei e achei que facilitaria muito, mas não foi bem assim - consegui voltar para casa dos 1:50, saindo a cada 2 minutos.
Quando atingi 8.500 meus braços estava quase dormentes. Voltei para costas e peito. Mais quinhentos.
Ai, finalmente, eram apenas mil metros. Coloquei o pé de pato e fui...
Mas, nos 9.400 o "professor" que estava na piscina avisou que teria que sair porque o horário já tinha dado e eu não poderia ficar nadando sozinho.
Como atrasei um pouco e tive que nadar fora da casa dos dois minutos quando fazia costas e peito, eu realmente tinha extrapolado o planejado.
Tentei explicar o treino, pedi "pelo amor de Deus", mas sabe aqueles garotos que fazem educação física e não tem noção do que é o esporte?
Pois é...
Ele me disse que não, que não, que não...
Que era Natal (mesmo faltando quatro dias), que também entendia já que ele "também treina e fica chateado quando não faz a planilha" (acho que ouvir isso foi o pior!) e que, enfim, não dava...
Eu sou sempre certinho, mas como é que eu iria deixar de completar?
Falei para ele avisar na portaria que não ia sair e que a responsabilidade era minha.
Ele foi embora e, bem, eu teria que apertar o passo e comecei a nadar direto.
Nem preciso descrever a dor...
Faltando 200 metros, chega o pessoal da portaria e fica discutindo para eu sair. Todos, diga-se, formandos em educação física....
Expliquei, pedi, implorei, disse que estava errado, que poderiam me multar...
É inacreditável como as pessoas são. O tempo que passei discutindo era suficiente para terminar o treino!!!
Não queriam me dar cinco minutos!
Argumentei se a academia tivesse problemas, se eu agisse da forma como eles estavam agindo comigo, quando as privadas ficassem entupidas teriam que resolver o problema "na hora".
Obviamente nem sei se aquelas privadas ficam entupidas, mas foi a primeira coisa que me veio a cabeça....
Dado que o negócio não se resolvia, virei as costas e sai nadando e o povo correndo na borda da piscina acenando para eu sair.
Meu, eu mereço? Não, fala....
Não foi a forma mais bacana de se completar um desafio desses, mas valeu a pena...
Para quem quiser, recomendo, pois não acho que estamos falando daquelas loucuras que as pessoas fazem a título da pavonice.
Há boas lições para se tirar de um treino desses.
Pra começar, subestimei a parte física do desafio quando achei que o problema de fundo seria mental.
É mental também, claro! Mas não é necessariamente o mais importante - o que pega, mesmo, é o braço.
Como iria fazer um tempo mais alto nas parciais, achei que conseguiria nadar craw o tempo todo.
É aquela coisa "se não vou sair para 1:50, pelo menos vou nadar tudo em um só estilo..."
Mal comparando, é aquele pensamento "não bato o recorde mundial, mas não ando na maratona".
Deveria ter feito como a Ana e o Marcos indicaram, ou seja, ter revezado os estilos e nadado com o pé de pato em alguns ciclos de mil metros para descansar os braços.
Fui fazer isso quando já estava quebrado...
Por isso, é bom repetir sempre, o problema não é a dificuldade física ou mental.
É o ego...
É numa dessas que me vejo tentado a mudar o nome do Blog para "Burro a Bessa", sabe? ;-)
Há pelo menos três coisas bacanas que servem de aprendizado.
Em primeiro lugar, ele agrega horas na piscina e você precisa lidar com a sua resistência mental como poucas vezes é possível nos treinos regulares.
Em segundo, como todos sabemos, nadar cansado é um aprendizado duro, mas que todo triatleta deve ter. O desafio é manter a técnica mesmo quando os braços estão exaustos - tal qual os atiradores de elite, que devem ser precisos depois de horas e horas de concentração e foco.
O terceiro é que você vai aprendendo a ser raçudo.
O treino não foi como planejado? Não vai sair tudo bonitinho?
Fio, se vira! Nada de costas, nada de peito, cachorrinho, pega o pé de pato, volta para o craw e não desiste!
Luta!
No final, vale a pena. Sempre vale...
Celebrar significa fazer algo desafiador, mas ao mesmo tempo prazeiroso, aproveitando o que foi agregado durante meses e meses de treinamento para o aprimoramento da nossa condição física.
Na última vez que fiz a São Silvestre, resolvi correr pela manhã a metragem necessária para completar uma maratona em uma dia. Dividia o esforço em duas partes e ainda correria com os amigos.
Fiquei com vontade de pedalar esse ano. Achar uma estrada bacana no Interior de São Paulo e fazer um "Audax" de 300k.
Só que, depois de quatro horas na Anchieta para percorrer quinze quilômetros de carro, fiquei traumatizado com essa coisa de pegar a estrada perto de feriado.
Por quê não esse desafio de 100 x 100 na piscina?
Do lado de casa, não dependia de carro...
E me julgava mais preparado do que para correr, por exemplo, já que antes do Dash eu estava com um volume alto, de 3 mil, e nadando todos os dias...
O problema é que eu não sabia como me arriscar nesse treino. Pensei em escrever para o Rodrigo, mas ai vai que ele "cê tá doido....".
Agora, como é a vida: e não é que ele fez a mesma coisa para comemorar o aniversário dois dias antes!!!!!!
Bom, joguei a idéia no Ironbrothers para alguém me dar uma luz e choveu post sobre o assunto.
Esse grupo é demais, nossa...
E foi lá que pesquei os parâmetros básicos, que vieram da Ana Lidia e o Marcos Faria, já que eram os únicos que tinham feito esse desafio - aliás, o Marcos também dois dias antes do meu, e contou como foi.
A única coisa que não dava para pegar emprestado eram os parâmetros de tempo, já que esses dois são de outro planeta....
Achei mais razoável a sugestão do Marlus, que se fizesse esse treino, sairia a cada dois minutos.
Eu poderia nadar 1:45 e descansar 15 a cada 100.
Pensei "é isso!"
Nesse ritmo, seriam de 3:20 de água se tudo desse tudo certo.
Ajustei os alarmes do relógio para não me preocupar com contagem, coloquei três caraminholas e três sachês de gel na borda da piscina e às 10:10 comecei o desafio.
Até os cinco mil, estava tudo certo e conseguia manter a média sem forçar o sistema aeróbio. O ritmo era algo entre moderado e forte ou, como se queira, "ritmado".
Os braços estavam em ordem e não me via mentalmente cansado.
Mas a partir desse ponto comecei a ter problemas. A média subiu para 1:50 e progressivamente fui perdendo desempenho: 1:51, 1:53, 1:54....
Exatamente na marca dos 6.300 metros meu tempo batia a casa dos dois minutos - nadar direto não era a idéia e nem em sonho eu conseguiria.
A fim de dar um tempo para os braços, mudei de estilo. Puxei 700 metros, alternando costas e peito a cada 100.
Com os braços momentaneamente descansados, voltei a nadar Craw para 1:45 e feliz da vida.
Mas em 7.900 de novo bati na casa dos dois minutos. Os braços não estavam mais ajudando. Tentei nadar com flutuador. Nada. Colocar o palmar, então, nem pensar!
Lembrei do Marcos Faria falando sobre o pé de pato (embora eu, burro, devesse tê-lo usado antes dos meus braços ficarem fatigados, assim como ele fez).
Coloquei e achei que facilitaria muito, mas não foi bem assim - consegui voltar para casa dos 1:50, saindo a cada 2 minutos.
Quando atingi 8.500 meus braços estava quase dormentes. Voltei para costas e peito. Mais quinhentos.
Ai, finalmente, eram apenas mil metros. Coloquei o pé de pato e fui...
Mas, nos 9.400 o "professor" que estava na piscina avisou que teria que sair porque o horário já tinha dado e eu não poderia ficar nadando sozinho.
Como atrasei um pouco e tive que nadar fora da casa dos dois minutos quando fazia costas e peito, eu realmente tinha extrapolado o planejado.
Tentei explicar o treino, pedi "pelo amor de Deus", mas sabe aqueles garotos que fazem educação física e não tem noção do que é o esporte?
Pois é...
Ele me disse que não, que não, que não...
Que era Natal (mesmo faltando quatro dias), que também entendia já que ele "também treina e fica chateado quando não faz a planilha" (acho que ouvir isso foi o pior!) e que, enfim, não dava...
Eu sou sempre certinho, mas como é que eu iria deixar de completar?
Falei para ele avisar na portaria que não ia sair e que a responsabilidade era minha.
Ele foi embora e, bem, eu teria que apertar o passo e comecei a nadar direto.
Nem preciso descrever a dor...
Faltando 200 metros, chega o pessoal da portaria e fica discutindo para eu sair. Todos, diga-se, formandos em educação física....
Expliquei, pedi, implorei, disse que estava errado, que poderiam me multar...
É inacreditável como as pessoas são. O tempo que passei discutindo era suficiente para terminar o treino!!!
Não queriam me dar cinco minutos!
Argumentei se a academia tivesse problemas, se eu agisse da forma como eles estavam agindo comigo, quando as privadas ficassem entupidas teriam que resolver o problema "na hora".
Obviamente nem sei se aquelas privadas ficam entupidas, mas foi a primeira coisa que me veio a cabeça....
Dado que o negócio não se resolvia, virei as costas e sai nadando e o povo correndo na borda da piscina acenando para eu sair.
Meu, eu mereço? Não, fala....
Não foi a forma mais bacana de se completar um desafio desses, mas valeu a pena...
Para quem quiser, recomendo, pois não acho que estamos falando daquelas loucuras que as pessoas fazem a título da pavonice.
Há boas lições para se tirar de um treino desses.
Pra começar, subestimei a parte física do desafio quando achei que o problema de fundo seria mental.
É mental também, claro! Mas não é necessariamente o mais importante - o que pega, mesmo, é o braço.
Como iria fazer um tempo mais alto nas parciais, achei que conseguiria nadar craw o tempo todo.
É aquela coisa "se não vou sair para 1:50, pelo menos vou nadar tudo em um só estilo..."
Mal comparando, é aquele pensamento "não bato o recorde mundial, mas não ando na maratona".
Deveria ter feito como a Ana e o Marcos indicaram, ou seja, ter revezado os estilos e nadado com o pé de pato em alguns ciclos de mil metros para descansar os braços.
Fui fazer isso quando já estava quebrado...
Por isso, é bom repetir sempre, o problema não é a dificuldade física ou mental.
É o ego...
É numa dessas que me vejo tentado a mudar o nome do Blog para "Burro a Bessa", sabe? ;-)
Há pelo menos três coisas bacanas que servem de aprendizado.
Em primeiro lugar, ele agrega horas na piscina e você precisa lidar com a sua resistência mental como poucas vezes é possível nos treinos regulares.
Em segundo, como todos sabemos, nadar cansado é um aprendizado duro, mas que todo triatleta deve ter. O desafio é manter a técnica mesmo quando os braços estão exaustos - tal qual os atiradores de elite, que devem ser precisos depois de horas e horas de concentração e foco.
O terceiro é que você vai aprendendo a ser raçudo.
O treino não foi como planejado? Não vai sair tudo bonitinho?
Fio, se vira! Nada de costas, nada de peito, cachorrinho, pega o pé de pato, volta para o craw e não desiste!
Luta!
No final, vale a pena. Sempre vale...
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Ten Bucks....
Nos intervalos da minha cisma rabugenta com as coisas pouco úteis das redes sociais, algumas experiências me fazem pensar que as vezes a bobeada é minha.
Algumas coisas não explodem em cores vivas ou palavras bonitas, mas podem guardar tesouros, tais como os despretenciosos detalhes da foto de uma amiga, professora universitária, e sua turma de faculdade.
A despeito da visão romântica sobre os "professores", eu não compartilho do princípio de que se trata uma profissão diferenciada, tal com os cansativos bordões do feicêbuque que elevam esses profissionais a categoria de santos, deuses ou coisa parecida.
Como aprendi na prática, "dar aulas" é coisa completamente diferente de "ensinar" e existem muitos por ai que estão na carreira docente sem a mínima vocação para isso. Frequentam as salas de aula porque não acharam nada melhor para fazer na vida, enquanto outros (e são muitos) se tornam cúmplices de uma indústria de atestados médicos que opera da mesma forma que o crime organizado.
Portanto, não tenho paciência com aquela sabedoria empacotada de supermercado do tipo "o único profissional que não precisa se curvar na frente do imperador do Japão...blá-blá-blá" .
Aliás, só em uma sociedade deseducada um texto desse circula tanto, já que essa informação não tem fundamento algum.
Por outro lado, há um tipo de gente muito especial, como aquelas que conseguiram ascender socialmente e, ao invés de continuar com a sua vidas em profissões em que poderiam ganhar mais, se voltam e estendem a mão para que outras pessoas também possam fazer essa escalada. Não se preocupam com o anonimato porque têm consciência de uma missão de vida e são capazes de tirar uma extraordinária felicidade dessa entrega.
E essas pessoas são portadoras de algo que muitos almejam, mas poucos podem ter.
Um dia, em uma reunião de trabalho, um antigo professor da Unicamp me dizia quando puxamos uma conversa de lado na hora do café, "Você sabe porque os milionários investem em ONGs, Fundações e projetos sociais? Porque não há dinheiro no mundo que impeça o que eles mais temem: serem esquecidos."
Minha amiga não precisa ter medo ser esquecida.
Alinhados com ela 47 pessoas que faziam parte da turma de administração que se formariam dois anos mais tarde. Todos egressos de um programa de bolsas para o ensino superior, na qual prestavam serviços de monitoramento em escolas pública como contrapartida do financiamento para os estudos.
Ao acaso das baixas probalidades estatísticas que dizem que os mais pobres tem poucas chances de alcançar a faculdade, muitos ali frequentaram o curso noturno para serem os primeiros de gerações familiares inteiras a terem um diploma universitário. E o que eles conquistarão aumentará a chance de uma vida melhor para seus filhos e para os filhos dos seus filhos.
Mas não são aulas fáceis, principalmente para salas grandes que aglomeram entre 40 e 60 alunos exaustos física e mentalmente. Não há turmas homogêneas e muitos não mostram comprometimento espontâneo.
Você pode achar uma inversão de valores, já que se pressupõe que o interesse em aprender é dos alunos.
Mas quem está lá na frente sabe que isso faz parte do trabalho.
Trabalhar em sala de aula não implica apenas em didatismo e domínio do conteúdo, mas uma enérgica aplicação de esforço físico.
Os professores reagem inconscientemente a leitura dos sinais que tiram dos rostos cansados e se viram como podem - são teatrais, dramáticos, um pouco palhaços, um pouco sérios e circulam intensamente dançando entre as carteiras.
E você não tem idéia da força necessária levantar uma classe de estudantes.
Um dos memoráveis capítulos do repassado, E.R. James Woods interpreta um exagerado professor de bioquímica em uma faculdade de medicina.
Sua aula é uma demonstração do que significa o entralaçamento da mente e do corpo na arte de ensinar. Ele se impõe por um rico repertório de gestos para mostrar as complexas amarras conceituais que nos permitem entender como interagem as moléculas fundamentais que sustentam a vida.
Ele mostra paixão.
Até que a personagem de Maura Tierney, a Abby Lockhart, lhe procura para cancelar a matricula do curso e desistir.
Alguém experiente que está de costas para o quadro negro entende que há mais coisas em jogo do que a nota final.
Pergunta ele....
"Você gosta de triatlon?"
Ops, ato falho... ; -)
"Você gosta de esportes? Patinação? Dançar? Todo mundo gosta de dançar"
Ele a rodopia com um charme desinteressado, ao mesmo tempo que lhe mostra a diferença entre decorar as coisas e pensar conceitualmente.
Mas não dá certo. Ela é muito prática e pessoas práticas se impacientam com metáforas.
Ele lhe faz uma proposta. Ele chega mais cedo na faculdade e ela pode procurá-lo.
Em três semanas, garante... ou, melhor "aposta ele", ela estará pronta para passar no exame.
"Ten Bucks"
Ela não se dá por vencida
"Gostaria de ter a sua confiança" ela diz.
Ele, "Eu tenho. Não desista".
E complementa....
"Não fosse só isso, vou lhe ensinar a lutar".
É a lição que ela lhe recorda quando ele está em uma cadeira de rodas disposto desisitir da vida.
Essa cena é inesquecível.
Ela fala sobre a importância das pontes de confiança. As vezes temos a sorte de encontrar pessoas com o dom da coragem recíproca, aquelas que, tal como no verso da poetisa Hannah Kahn, são capazes de dizer "me dê a sua mão que eu caminharei na luz da sua fé em mim".
Algumas coisas não explodem em cores vivas ou palavras bonitas, mas podem guardar tesouros, tais como os despretenciosos detalhes da foto de uma amiga, professora universitária, e sua turma de faculdade.
A despeito da visão romântica sobre os "professores", eu não compartilho do princípio de que se trata uma profissão diferenciada, tal com os cansativos bordões do feicêbuque que elevam esses profissionais a categoria de santos, deuses ou coisa parecida.
Como aprendi na prática, "dar aulas" é coisa completamente diferente de "ensinar" e existem muitos por ai que estão na carreira docente sem a mínima vocação para isso. Frequentam as salas de aula porque não acharam nada melhor para fazer na vida, enquanto outros (e são muitos) se tornam cúmplices de uma indústria de atestados médicos que opera da mesma forma que o crime organizado.
Portanto, não tenho paciência com aquela sabedoria empacotada de supermercado do tipo "o único profissional que não precisa se curvar na frente do imperador do Japão...blá-blá-blá" .
Aliás, só em uma sociedade deseducada um texto desse circula tanto, já que essa informação não tem fundamento algum.
Por outro lado, há um tipo de gente muito especial, como aquelas que conseguiram ascender socialmente e, ao invés de continuar com a sua vidas em profissões em que poderiam ganhar mais, se voltam e estendem a mão para que outras pessoas também possam fazer essa escalada. Não se preocupam com o anonimato porque têm consciência de uma missão de vida e são capazes de tirar uma extraordinária felicidade dessa entrega.
E essas pessoas são portadoras de algo que muitos almejam, mas poucos podem ter.
Um dia, em uma reunião de trabalho, um antigo professor da Unicamp me dizia quando puxamos uma conversa de lado na hora do café, "Você sabe porque os milionários investem em ONGs, Fundações e projetos sociais? Porque não há dinheiro no mundo que impeça o que eles mais temem: serem esquecidos."
Minha amiga não precisa ter medo ser esquecida.
Alinhados com ela 47 pessoas que faziam parte da turma de administração que se formariam dois anos mais tarde. Todos egressos de um programa de bolsas para o ensino superior, na qual prestavam serviços de monitoramento em escolas pública como contrapartida do financiamento para os estudos.
Ao acaso das baixas probalidades estatísticas que dizem que os mais pobres tem poucas chances de alcançar a faculdade, muitos ali frequentaram o curso noturno para serem os primeiros de gerações familiares inteiras a terem um diploma universitário. E o que eles conquistarão aumentará a chance de uma vida melhor para seus filhos e para os filhos dos seus filhos.
Mas não são aulas fáceis, principalmente para salas grandes que aglomeram entre 40 e 60 alunos exaustos física e mentalmente. Não há turmas homogêneas e muitos não mostram comprometimento espontâneo.
Você pode achar uma inversão de valores, já que se pressupõe que o interesse em aprender é dos alunos.
Mas quem está lá na frente sabe que isso faz parte do trabalho.
Trabalhar em sala de aula não implica apenas em didatismo e domínio do conteúdo, mas uma enérgica aplicação de esforço físico.
Os professores reagem inconscientemente a leitura dos sinais que tiram dos rostos cansados e se viram como podem - são teatrais, dramáticos, um pouco palhaços, um pouco sérios e circulam intensamente dançando entre as carteiras.
E você não tem idéia da força necessária levantar uma classe de estudantes.
Um dos memoráveis capítulos do repassado, E.R. James Woods interpreta um exagerado professor de bioquímica em uma faculdade de medicina.
Sua aula é uma demonstração do que significa o entralaçamento da mente e do corpo na arte de ensinar. Ele se impõe por um rico repertório de gestos para mostrar as complexas amarras conceituais que nos permitem entender como interagem as moléculas fundamentais que sustentam a vida.
Ele mostra paixão.
Até que a personagem de Maura Tierney, a Abby Lockhart, lhe procura para cancelar a matricula do curso e desistir.
Alguém experiente que está de costas para o quadro negro entende que há mais coisas em jogo do que a nota final.
Pergunta ele....
"Você gosta de triatlon?"
Ops, ato falho... ; -)
"Você gosta de esportes? Patinação? Dançar? Todo mundo gosta de dançar"
Ele a rodopia com um charme desinteressado, ao mesmo tempo que lhe mostra a diferença entre decorar as coisas e pensar conceitualmente.
Mas não dá certo. Ela é muito prática e pessoas práticas se impacientam com metáforas.
Ele lhe faz uma proposta. Ele chega mais cedo na faculdade e ela pode procurá-lo.
Em três semanas, garante... ou, melhor "aposta ele", ela estará pronta para passar no exame.
"Ten Bucks"
Ela não se dá por vencida
"Gostaria de ter a sua confiança" ela diz.
Ele, "Eu tenho. Não desista".
E complementa....
"Não fosse só isso, vou lhe ensinar a lutar".
É a lição que ela lhe recorda quando ele está em uma cadeira de rodas disposto desisitir da vida.
Essa cena é inesquecível.
Ela fala sobre a importância das pontes de confiança. As vezes temos a sorte de encontrar pessoas com o dom da coragem recíproca, aquelas que, tal como no verso da poetisa Hannah Kahn, são capazes de dizer "me dê a sua mão que eu caminharei na luz da sua fé em mim".
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Papo de Besteira
Não faz muito tempo, me vi enroscado em uma discussão sobre um texto que fiz e que algumas pessoas reconheceram na escrita de outra pessoa.
A principio, reagi mal. Eu tenho uma verve portuguesa daquelas, mas sempre que me vejo em arranca rabos o momento seguinte é de arrependimento.
Não pela pessoa, que realmente fazia por merecer as tamancadas.
Mas quem está no entorno, não. Lavar roupa suja em público é agressivo e ofende quem não gosta de bate-boca. Em fóruns de amigos, aprendi que quebra-pau é um constrangimento desnecessário.
Adotei uma atitude mais civilizada e escrevi uma reclamação para o site que hospeda os textos. A primeira resposta foi burocrática, típica das empresas que falam em atendimento preferencial e colocam um telemarketing na frente para dizer a falha não é dela, mas da terceirizada.
Insisti um pouco mais. O editor foi mais atencioso e disse acreditar tratar-se de uma coincidência - portanto, parentenses, implicitamente ele reconhecia a similaridade - fecha parênteses.
Além do que não seria possível provar nada, já que a própria autora negara tudo.
Coisa assim, "vamos acreditar que se trata de uma confusão".
De fato, não é uma questão simples. A cópia não é "corte e cola".
O que essa gente faz é pegar as referências do texto, montar um arranjo diferente e depois colocar uma conclusão.
Mas como os textos guardam o DNA dos autores, quando alguém lê segue-se aquela dúvida: "Onde foi que eu já li isso mesmo?".
Trata-se de uma luta perdida, pois é dificílimo comprovar algo no momento em que tudo na Internet é público e suscetível a interpretações.
Bem, percebendo um atitude mais sincera do editor, resolvi dar um voto de confiança e acreditei que a coisa não se repetiria.
Mas se repetiu.
Pedi um opinião sobre a descrição que fiz do 70.3 de Vegas, especificamente a segunda parte, e o texto da "blogueira" que comenta porque os triatletas fogem de provas dificeis.
De cinco, apenas um disse que a cópia seria questionável.
Escrevi novamente para o editor.
E a resposta, nenhuma.
Até certo tempo atrás, blogs eram manifestações espontâneas de pessoas que apenas queriam fazer relatos despretenciosos com cara de diário sobre treinos e provas ou eram movidos pela compulsão em escrever sobre o que lhes desse na telha.
Posteriormente, alguns atletas tentaram fazer seus blogs como forma de comunicação e espaço para marcas de apoio - poucos deram certo e, com o aparecimento das "Fan Pages" do Facebook, a coisa foi por outro caminho.
Mais recentemente, apareceu uma categoria nova no pedaço, a dos "blogueiros profissionais".
Há coisas bacanas e coisas não tão bacanas.
Enquanto alguns tem seu público por uma questão de carisma, identidade e uma mensagem consistente, outros são selfies que vêem as redes como uma vitrine comercial para aproveitar as oportunidades que estão ai.
Entretanto, como não tem experiência ou conteúdo, abusam de textos copiados ou se apóiam em uma pauta superficial que lembra bastante os programas domésticos de aconselhamento feminino, com posts que têm a profundidade de um pires: "você faz triathlon e seu namorado não te apóia?" ou "você se sente mal trocando a balada por treinos?".
Infelizmente, qualquer coisa hoje tem leitores na Internet.
As vezes alguém diz:
"Hoje treinei com o cabelo molhado"
334.456.456 curtidas.
"Tenho uma familia linda, todos me apóiam e só tenho a agradecer".
345.456.455.346.495.450.765.941 curtidas
"Ele é lindo, me compreende e está sempre ao meu lado nos momentos mais difíceis" ( acompanha foto do cachorro)
10 983.454.546.657.578.094.645.238.623.089.303.856.453.456.054.592.323
Como essa audiência esses selfies oferecerem a sua rede de contatos como moeda de troca para angariar "apoios" de lojas e marcas.
Depois entopem o Facebook e o Instagram com fotos que lembram os quadros de Picasso, nas quais posam como modelos ao lado de potes de suplementos e marcas de roupa.
Alguns sites que têm patrocinios de lojas on line aproveitam a onda e dão espaço esse tipo de blogueiro como uma forma de obter conteúdo gratuíto.
O resultado dessa associação de interesses é que, a cada click no texto, como mágica aparecem suplementos no armário de um e reais no bolso do outro.
Dentro do "modelo de negócio", nada ai é ilegítimo.
Agora, alguém me perguntou se eu quero contribuir com a terceirizada?
Não tenho e nunca pedi "apoio" a ninguém. Não compartilho marcas de suplementos, você não me vê comentando sobre material esportivo, não faço propaganda da minha assessoria, não falo sobre lojas e não quero necas de desconto em oficina para ter a obrigação de falar de alguma.
Não recebo brindes, amostras grátis ou uniforme de confecções. Mesmo escrevendo no site do MundoTri, compro a Revista como qualquer outro outro.
Sabe por quê? Porque sou um amador sem nada de especial e acho piada montar um currículo de resultados sem resultado nenhum.
Se falarmos em "formador de opinião", ai a coisa é pior ainda, já que sou um fracasso até para convencer a minha sobrinha que ela tem que estudar inglês.
O Blog é apenas um passatempo para noites de insônia ou uma linha de diálogo com os participantes do maior grupo de amigos do triathlon brasileiro, o Três Meios.
A exceção do Edú, todos os outros são imaginários.... ;-)
Portanto, não é um campeão do Ibope, mas tem alguns leitores cativos (minha mãe lê sempre, eu acho) e desde de cedo decidi que não montaria um bazar de amigos para vender tapawer.
Se estamos entrando no mundo das "webcelebridades" em que pessoas que escrevem na internet têm mais benefícios que atletas (amadores ou profissionais) com uma lista de serviços prestados pra mostrar, então alguma coisa está errada.
Muito errada.
A principio, reagi mal. Eu tenho uma verve portuguesa daquelas, mas sempre que me vejo em arranca rabos o momento seguinte é de arrependimento.
Não pela pessoa, que realmente fazia por merecer as tamancadas.
Mas quem está no entorno, não. Lavar roupa suja em público é agressivo e ofende quem não gosta de bate-boca. Em fóruns de amigos, aprendi que quebra-pau é um constrangimento desnecessário.
Adotei uma atitude mais civilizada e escrevi uma reclamação para o site que hospeda os textos. A primeira resposta foi burocrática, típica das empresas que falam em atendimento preferencial e colocam um telemarketing na frente para dizer a falha não é dela, mas da terceirizada.
Insisti um pouco mais. O editor foi mais atencioso e disse acreditar tratar-se de uma coincidência - portanto, parentenses, implicitamente ele reconhecia a similaridade - fecha parênteses.
Além do que não seria possível provar nada, já que a própria autora negara tudo.
Coisa assim, "vamos acreditar que se trata de uma confusão".
De fato, não é uma questão simples. A cópia não é "corte e cola".
O que essa gente faz é pegar as referências do texto, montar um arranjo diferente e depois colocar uma conclusão.
Mas como os textos guardam o DNA dos autores, quando alguém lê segue-se aquela dúvida: "Onde foi que eu já li isso mesmo?".
Trata-se de uma luta perdida, pois é dificílimo comprovar algo no momento em que tudo na Internet é público e suscetível a interpretações.
Bem, percebendo um atitude mais sincera do editor, resolvi dar um voto de confiança e acreditei que a coisa não se repetiria.
Mas se repetiu.
Pedi um opinião sobre a descrição que fiz do 70.3 de Vegas, especificamente a segunda parte, e o texto da "blogueira" que comenta porque os triatletas fogem de provas dificeis.
De cinco, apenas um disse que a cópia seria questionável.
Escrevi novamente para o editor.
E a resposta, nenhuma.
Até certo tempo atrás, blogs eram manifestações espontâneas de pessoas que apenas queriam fazer relatos despretenciosos com cara de diário sobre treinos e provas ou eram movidos pela compulsão em escrever sobre o que lhes desse na telha.
Posteriormente, alguns atletas tentaram fazer seus blogs como forma de comunicação e espaço para marcas de apoio - poucos deram certo e, com o aparecimento das "Fan Pages" do Facebook, a coisa foi por outro caminho.
Mais recentemente, apareceu uma categoria nova no pedaço, a dos "blogueiros profissionais".
Há coisas bacanas e coisas não tão bacanas.
Enquanto alguns tem seu público por uma questão de carisma, identidade e uma mensagem consistente, outros são selfies que vêem as redes como uma vitrine comercial para aproveitar as oportunidades que estão ai.
Entretanto, como não tem experiência ou conteúdo, abusam de textos copiados ou se apóiam em uma pauta superficial que lembra bastante os programas domésticos de aconselhamento feminino, com posts que têm a profundidade de um pires: "você faz triathlon e seu namorado não te apóia?" ou "você se sente mal trocando a balada por treinos?".
Infelizmente, qualquer coisa hoje tem leitores na Internet.
As vezes alguém diz:
"Hoje treinei com o cabelo molhado"
334.456.456 curtidas.
"Tenho uma familia linda, todos me apóiam e só tenho a agradecer".
345.456.455.346.495.450.765.941 curtidas
"Ele é lindo, me compreende e está sempre ao meu lado nos momentos mais difíceis" ( acompanha foto do cachorro)
10 983.454.546.657.578.094.645.238.623.089.303.856.453.456.054.592.323
Como essa audiência esses selfies oferecerem a sua rede de contatos como moeda de troca para angariar "apoios" de lojas e marcas.
Depois entopem o Facebook e o Instagram com fotos que lembram os quadros de Picasso, nas quais posam como modelos ao lado de potes de suplementos e marcas de roupa.
Alguns sites que têm patrocinios de lojas on line aproveitam a onda e dão espaço esse tipo de blogueiro como uma forma de obter conteúdo gratuíto.
O resultado dessa associação de interesses é que, a cada click no texto, como mágica aparecem suplementos no armário de um e reais no bolso do outro.
Dentro do "modelo de negócio", nada ai é ilegítimo.
Agora, alguém me perguntou se eu quero contribuir com a terceirizada?
Não tenho e nunca pedi "apoio" a ninguém. Não compartilho marcas de suplementos, você não me vê comentando sobre material esportivo, não faço propaganda da minha assessoria, não falo sobre lojas e não quero necas de desconto em oficina para ter a obrigação de falar de alguma.
Não recebo brindes, amostras grátis ou uniforme de confecções. Mesmo escrevendo no site do MundoTri, compro a Revista como qualquer outro outro.
Sabe por quê? Porque sou um amador sem nada de especial e acho piada montar um currículo de resultados sem resultado nenhum.
Se falarmos em "formador de opinião", ai a coisa é pior ainda, já que sou um fracasso até para convencer a minha sobrinha que ela tem que estudar inglês.
O Blog é apenas um passatempo para noites de insônia ou uma linha de diálogo com os participantes do maior grupo de amigos do triathlon brasileiro, o Três Meios.
A exceção do Edú, todos os outros são imaginários.... ;-)
Portanto, não é um campeão do Ibope, mas tem alguns leitores cativos (minha mãe lê sempre, eu acho) e desde de cedo decidi que não montaria um bazar de amigos para vender tapawer.
Se estamos entrando no mundo das "webcelebridades" em que pessoas que escrevem na internet têm mais benefícios que atletas (amadores ou profissionais) com uma lista de serviços prestados pra mostrar, então alguma coisa está errada.
Muito errada.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Dash 113
Depois do 70.3 de Vegas tinha me decidido que, em termos de provas, 2013 já tinha acabado.
Não tinha hipótese. Nenhuma. No way....
Faltando coisa de 30 dias para o Dash 113 estava lá eu com a inscrição na mão.
Sentiu a firmeza? ;-)
O Rodrigo achou que a gente não precisava mexer na planilha "relax" do segundo semestre, já que havia a bagagem e treinos de manutenção relativamente calibrados para o final do ano.
E também dei uma "maria vai com as outras" porque, no fundo, eu queria ir.
Quando olhei a lista de inscrição estava lá um turma que interage muito pela Internet, mas que se encontra pouquíssimas vezes.
Nem vou me aventurar a escrever o nome das pessoas todas, porque certamente vai ficar gente de fora e não vou me perdoar depois...
Outra coisa era dar um tempo no trabalho - um tiquinho de folga na loucura.
Funciona pra mim como uma imersão de três dias em que eu consigo deixar um pouco os problemas para trás - mesmo que colocando outros na frente, já que participar de um meio-iron, bem...
Participar de um meio-iron....dói!
Pois não adianta dizer que a gente faz inscrição para "curtir a prova".
Eu já sabia que seria sofrido.
Estou nadando todo dia, mas fazendo treinos curtos de corrida na esteira e muito rolo, pois bike, mesmo, só três treinos longos no final de semana entre setembro e a prova.
O resultado foi um misto dessa preparação, uma displicência que me não deixa e um pouco de azar.
Nadei 1.900 metros para coisa de 33 minutos, mas mais importante que o tempo foi o fato de ter me sentido bem nadando no bolo. A gente treina muito em piscina ou em águas abertas com pouca gente e, é óbvio, não há como simular uma largada de triathlon com aquele aperto e a pancadaria geral.
Até a primeira bóia foram todos juntos e, a partir dai, a natação começou a fluir. O mar estava flat, não havia correnteza, a sinalização era boa e o percurso tinha apenas uma perna.
Meu problema começou quando fui tirar o Wetsuit. Desde de quando comprei o meu, não cortei a borracha na altura do tornozelo, deixando-o mais curto. Quando vou tirar é uma dificuldade impressionante.
Preguiça, óbvio. Já era para eu ter resolvido isso faz tempo, só que fico sempre adiando porque a próxima prova ainda está longe e assim vai....
Fiquei lá esperneando no chão tentando soltar as pernas. Quando finalmente consegui, tive vontade de ficar pulando em cima dela e depois dar uma bica naquela #@#$%$#...
Mas eu tinha que me mandar para a estrada.
O pedal é ótimo. É um trecho bem conhecido para quem já fez o Iron de Florianópolis.
E rápido, sem dúvida.
Há predomínio dos trechos planos, poucos rolling hills e uma ou outra subida.
Vento? Tem.
Mas pedalar e reclamar do vento é quase o mesmo que nadar e ficar falando mal da água.
Agora, é fácil?
Depende. Para quem faz força, garanto que não é.
Tive um contratempo quando o shift que regula o câmbio foi para o espaço e pedalei boa parte da prova no Big Gear, na relação mais pesada.
Tudo bem, eu já estava pedalando assim. Mas sabe o que atrapalha?
A gente perde a concentração tentando entender o que aconteceu, depois tenta resolver o problema puxando algo aqui e ali e, finalmente, fica pensando se em algum momento a coisa vai piorar.
Consequentemente, o ritmo de prova cai.
Passei em um posto e achei um mecânico, o Adriano, que me ajudou com a resolver o problema rapidamente. Dali em diante, tentei um prova de recuperação, pois tinha como meta tentar algo em menos que 2:30.
Consegui 2:26. O percurso tinha 88k e achei de bom tamanho.
Sai para correr com as pernas soltas, mas no último terço o ritmo caiu bastante porque eu estava sem preparo para fazer a prova no ritmo que gostaria e devo ter perdido muito sal também, já que minha roupa estava branca. E sentia meu corpo quente como nunca senti....
Os dois últimos quilômetros doeram demais. Fiquei pensando ali, naquele momento, que bom que não estava em um Iron....
Fechei a meia em 1:46 e a prova em 4:55, o que deu um oitavo lugar na categoria.
Em termos de resultado, foi bacana, pois qualquer coisa nessa distância em menos de cinco horas me deixa feliz.
Mas também soou um alerta: tenho que treinar mais até maio e deixar de ser tão displicente.
Sobre a displicência, o Rodrigo fica uma arara com isso.
E, de fato, ele tem razão - sempre acho que uns minutinhos aqui, outros ali, não fazem diferença.
Mas fazem. Quando consultei os resultados, vi que poderia ter uma classificação muito melhor se simplesmente tivesse tirado a roupa de borracha mais rapidamente.
Isso é reflexo da minha mentalidade, da dificuldade de mudá-la.
Eu tenho 14 provas com a distância de meio-iron e, a grande maioria delas, com um tempo na casa das 5:20.
Na minha categoria esse tempo não torna você uma pessoa competitiva.
Entretanto, quando eu passei a fazer a prova em menos de 5 horas isso se tornou algo mais próximo da realidade.
O problema é que isso não entra na minha cachola amadora. Então não me esforço para dar conta dos detalhes que podem fazer a diferença.
Sobre a prova....
Houve erros em pontos simples: faltou água em alguns postos e copos em outros (teve gente que pediu para beber refrigerante no gargalo da garrafa) e a coca-cola tinha gás.
Os cones na corrida tinha um trajeto confuso em vários pontos e a gente batia cabeça aqui e ali com quem vinha na direção contrária. Também fiquei cismado com os carros, pois havia cruzamentos sem ninguém da organização para orientar os motoristas.
Foram fornecidos três chips. O que ficava na perna rodava o tempo inteiro no tornozelo e incomodou.
A cada volta na corrida, recebiamos espátulas para colocar no braço. Eu nunca tinha visto aquilo e não tinha idéia de como funcionava. Fiquei segurando até ver que descobrir que ao bater no braço ela se transformava em uma pulseira.
Parece bobagem, mas quando falta oxigênio no cérebro, acender fósforo parece tão difícil quanto resolver um cubo mágico.
Bom, seria legal ter também uma equipe para ajudar a tirar o Wet.
Não houve separação entre o tempo da T1 e da natação e os tempos dos penalizados (não sei se de todos eles) foi somado ao total - o que distorce um pouco as médias por categoria.
Mudaram algumas coisas que estavam previstas e houve alguns problemas de comunicação, tal como o cancelamento das largadas por ondas e a disposição das bóias no mar.
Mexer no regulamento é uma possibilidade prevista no próprio regulamento, mas as informações devem ser claras.
Quando, por exemplo, pedi para me ajudarem a tirar o wet, o staff me informou que não era permitido - só que o regulamento da prova não diz se é ou não é.
Mas o que me deixou mais cismado foi não ter visto a fiscalização na segunda parte do pedal, o que gera dúvidas se a quantidade de penalizações foi justa ou não.
A organização falava em desclassificação para a elite e cartões de advertência e desclassificação para amadores - mas vi alguns pelotões (grandes e pequenos) e nas duas vezes que me lembro de ter cruzado com o pro-masculino, eles estavam agrupados.
Já entre as meninas, tive impressão oposta.
Agora, os pontos positivos: preço, kit excelente, jantar de massas muito bom, exposição sobre a prova no Congresso técnico didática e detalhada.
Vale o elogio pelos aplicativo criado para celulares, assim como foi positivo o uso do Penalty Box e o teste antidoping, pois tecnologia e provas limpas tem uma caminho bacana e certamente serão um diferencial importante.
O evento lembra um pouco Pucon no que se refere as facilidades de locomoção em torno do Hotel e o percurso todo dá gosto de fazer.
Mas talvez o ponto mais forte do Dash 113 é que ele pode ser o laboratório de testes ideal para quem planeja fazer o Iron em Florianópolis. Você terá uma amostra do ambiente da prova, vai entender melhor o percurso e poderá ainda se inteirar rede de serviços que terá ao seu dispor durante o tempo que ficará por lá.
Agora é tocar a agenda de 2014. A próxima é o Internacional de Santos.
Não, minto.
A próxima é arrumar essa %$#@#$ do wetsuit
Não tinha hipótese. Nenhuma. No way....
Faltando coisa de 30 dias para o Dash 113 estava lá eu com a inscrição na mão.
Sentiu a firmeza? ;-)
O Rodrigo achou que a gente não precisava mexer na planilha "relax" do segundo semestre, já que havia a bagagem e treinos de manutenção relativamente calibrados para o final do ano.
E também dei uma "maria vai com as outras" porque, no fundo, eu queria ir.
Quando olhei a lista de inscrição estava lá um turma que interage muito pela Internet, mas que se encontra pouquíssimas vezes.
Nem vou me aventurar a escrever o nome das pessoas todas, porque certamente vai ficar gente de fora e não vou me perdoar depois...
Outra coisa era dar um tempo no trabalho - um tiquinho de folga na loucura.
Funciona pra mim como uma imersão de três dias em que eu consigo deixar um pouco os problemas para trás - mesmo que colocando outros na frente, já que participar de um meio-iron, bem...
Participar de um meio-iron....dói!
Pois não adianta dizer que a gente faz inscrição para "curtir a prova".
Eu já sabia que seria sofrido.
Estou nadando todo dia, mas fazendo treinos curtos de corrida na esteira e muito rolo, pois bike, mesmo, só três treinos longos no final de semana entre setembro e a prova.
O resultado foi um misto dessa preparação, uma displicência que me não deixa e um pouco de azar.
Nadei 1.900 metros para coisa de 33 minutos, mas mais importante que o tempo foi o fato de ter me sentido bem nadando no bolo. A gente treina muito em piscina ou em águas abertas com pouca gente e, é óbvio, não há como simular uma largada de triathlon com aquele aperto e a pancadaria geral.
Até a primeira bóia foram todos juntos e, a partir dai, a natação começou a fluir. O mar estava flat, não havia correnteza, a sinalização era boa e o percurso tinha apenas uma perna.
Meu problema começou quando fui tirar o Wetsuit. Desde de quando comprei o meu, não cortei a borracha na altura do tornozelo, deixando-o mais curto. Quando vou tirar é uma dificuldade impressionante.
Preguiça, óbvio. Já era para eu ter resolvido isso faz tempo, só que fico sempre adiando porque a próxima prova ainda está longe e assim vai....
Fiquei lá esperneando no chão tentando soltar as pernas. Quando finalmente consegui, tive vontade de ficar pulando em cima dela e depois dar uma bica naquela #@#$%$#...
Mas eu tinha que me mandar para a estrada.
O pedal é ótimo. É um trecho bem conhecido para quem já fez o Iron de Florianópolis.
E rápido, sem dúvida.
Há predomínio dos trechos planos, poucos rolling hills e uma ou outra subida.
Vento? Tem.
Mas pedalar e reclamar do vento é quase o mesmo que nadar e ficar falando mal da água.
Agora, é fácil?
Depende. Para quem faz força, garanto que não é.
Tive um contratempo quando o shift que regula o câmbio foi para o espaço e pedalei boa parte da prova no Big Gear, na relação mais pesada.
Tudo bem, eu já estava pedalando assim. Mas sabe o que atrapalha?
A gente perde a concentração tentando entender o que aconteceu, depois tenta resolver o problema puxando algo aqui e ali e, finalmente, fica pensando se em algum momento a coisa vai piorar.
Consequentemente, o ritmo de prova cai.
Passei em um posto e achei um mecânico, o Adriano, que me ajudou com a resolver o problema rapidamente. Dali em diante, tentei um prova de recuperação, pois tinha como meta tentar algo em menos que 2:30.
Consegui 2:26. O percurso tinha 88k e achei de bom tamanho.
Sai para correr com as pernas soltas, mas no último terço o ritmo caiu bastante porque eu estava sem preparo para fazer a prova no ritmo que gostaria e devo ter perdido muito sal também, já que minha roupa estava branca. E sentia meu corpo quente como nunca senti....
Os dois últimos quilômetros doeram demais. Fiquei pensando ali, naquele momento, que bom que não estava em um Iron....
Fechei a meia em 1:46 e a prova em 4:55, o que deu um oitavo lugar na categoria.
Em termos de resultado, foi bacana, pois qualquer coisa nessa distância em menos de cinco horas me deixa feliz.
Mas também soou um alerta: tenho que treinar mais até maio e deixar de ser tão displicente.
Sobre a displicência, o Rodrigo fica uma arara com isso.
E, de fato, ele tem razão - sempre acho que uns minutinhos aqui, outros ali, não fazem diferença.
Mas fazem. Quando consultei os resultados, vi que poderia ter uma classificação muito melhor se simplesmente tivesse tirado a roupa de borracha mais rapidamente.
Isso é reflexo da minha mentalidade, da dificuldade de mudá-la.
Eu tenho 14 provas com a distância de meio-iron e, a grande maioria delas, com um tempo na casa das 5:20.
Na minha categoria esse tempo não torna você uma pessoa competitiva.
Entretanto, quando eu passei a fazer a prova em menos de 5 horas isso se tornou algo mais próximo da realidade.
O problema é que isso não entra na minha cachola amadora. Então não me esforço para dar conta dos detalhes que podem fazer a diferença.
Sobre a prova....
Houve erros em pontos simples: faltou água em alguns postos e copos em outros (teve gente que pediu para beber refrigerante no gargalo da garrafa) e a coca-cola tinha gás.
Os cones na corrida tinha um trajeto confuso em vários pontos e a gente batia cabeça aqui e ali com quem vinha na direção contrária. Também fiquei cismado com os carros, pois havia cruzamentos sem ninguém da organização para orientar os motoristas.
Foram fornecidos três chips. O que ficava na perna rodava o tempo inteiro no tornozelo e incomodou.
A cada volta na corrida, recebiamos espátulas para colocar no braço. Eu nunca tinha visto aquilo e não tinha idéia de como funcionava. Fiquei segurando até ver que descobrir que ao bater no braço ela se transformava em uma pulseira.
Parece bobagem, mas quando falta oxigênio no cérebro, acender fósforo parece tão difícil quanto resolver um cubo mágico.
Bom, seria legal ter também uma equipe para ajudar a tirar o Wet.
Não houve separação entre o tempo da T1 e da natação e os tempos dos penalizados (não sei se de todos eles) foi somado ao total - o que distorce um pouco as médias por categoria.
Mudaram algumas coisas que estavam previstas e houve alguns problemas de comunicação, tal como o cancelamento das largadas por ondas e a disposição das bóias no mar.
Mexer no regulamento é uma possibilidade prevista no próprio regulamento, mas as informações devem ser claras.
Quando, por exemplo, pedi para me ajudarem a tirar o wet, o staff me informou que não era permitido - só que o regulamento da prova não diz se é ou não é.
Mas o que me deixou mais cismado foi não ter visto a fiscalização na segunda parte do pedal, o que gera dúvidas se a quantidade de penalizações foi justa ou não.
A organização falava em desclassificação para a elite e cartões de advertência e desclassificação para amadores - mas vi alguns pelotões (grandes e pequenos) e nas duas vezes que me lembro de ter cruzado com o pro-masculino, eles estavam agrupados.
Já entre as meninas, tive impressão oposta.
Agora, os pontos positivos: preço, kit excelente, jantar de massas muito bom, exposição sobre a prova no Congresso técnico didática e detalhada.
Vale o elogio pelos aplicativo criado para celulares, assim como foi positivo o uso do Penalty Box e o teste antidoping, pois tecnologia e provas limpas tem uma caminho bacana e certamente serão um diferencial importante.
O evento lembra um pouco Pucon no que se refere as facilidades de locomoção em torno do Hotel e o percurso todo dá gosto de fazer.
Mas talvez o ponto mais forte do Dash 113 é que ele pode ser o laboratório de testes ideal para quem planeja fazer o Iron em Florianópolis. Você terá uma amostra do ambiente da prova, vai entender melhor o percurso e poderá ainda se inteirar rede de serviços que terá ao seu dispor durante o tempo que ficará por lá.
Agora é tocar a agenda de 2014. A próxima é o Internacional de Santos.
Não, minto.
A próxima é arrumar essa %$#@#$ do wetsuit
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Memórias e Lembranças
Há um tempo atrás, houve uma matéria no Esporte Espetacular sobre uma ultramaratonista chamada Diana Van Deren que, ao sofrer uma cirurgia reparadora no cérebro, perdeu a memória recente.
Por conta dessa cirurgia, entende-se que essa atleta possa correr centenas de quilômetros sem que sinta exausta, simplesmente porque sua mente ignora a distância acumulada e lhe dá apenas as lembranças dos quilômetros mais recentes.
Você pode ter visto a matéria e achado que ali estava uma pessoa especial.
Certamente.
Mas, guardadas as devidas proporções, isso não é incomum.
E se fossemos também assim?
Será que a nossa memória é tão mais elástica que a dessa atleta?
No último texto que consegui emplacar no MundoTri vai uma discussão que julgo bacana sobre nossas lembranças e memórias.
A "dor" era o objetivo principal do texto, mas apenas o mote para uma descoberta que achei fascinante - nosso registro do passado não é fiel como um filme em relação ao seu roteiro, mas trechos imperfeitos de uma história imperfeita.
Há vários testes que poderiam mostrar que os objetos que estão no nosso entorno não são representados na nossa mente tal como eles de fato existem na realidade. As cores que você vê nesse blog, por exemplo, são apenas representações possibilitam a você distinguir entre os objetos na página.
Mas não é esse o objeto principal dos textos do Daniel Kahneman - a questão dele não é apenas descrever a relação entre o nosso cérebro e os objetos distribuídos no espaço, mas apontar a fragilidade dos nossos julgamentos sobre temas sobre as quais não teríamos qualquer sombra de dúvidas.
A forma como julgamos o passado nos dá a ilusão de que nós o compreendemos.
Mas isso não é uma verdade.
Essas descobertas por vezes abalam o julgamento que fazemos das coisas. Você acha, mas apenas acha, que domina todos os fatos.
Mas a experiência humana é assim, rica e contraditória e sempre um assunto delicado pois estamos falando de nós mesmos.
Eu mesmo, quantas vezes me questiono se realmente gostaria de saber certas coisas.
Talvez nosso maior pecado não seja a falta de compreensão sobre tudo o que a vida nos traz, mas a excessiva confiança no que julgamos saber sobre ela.
Alguns dos textos que saem do Mundotri são apenas tentativas de tornar conhecidos esses paradoxos. Eu tento reportar isso de forma acessível para um público que gosta de triathlon com a linguagem desse público.
Portanto, nada disso é meu.
Para aqueles que querem a "pílula vermelha", recomendo "Rápido e devagar, duas formas de pensar", livro que parece aqueles trabucos de auto-ajuda que você encontra aos montes em livraria de aeroporto, mas que resume as teorias de um Prêmio Nobel de Economia ao longo de uma vida notável como acadêmico e pesquisador.
Mas é um texto impactante. Não é de leitura difícil e muito menos inacessível, só que não vá esperando um texto em que você lê uma vez e põe de lado.
O vídeo abaixo é a palestra que esse senhor simpático e divertido fez no TED e tem como tema o texto que acabei de disponibilizar no MundoTri. Apenas tive a oportunidade de repassá-lo ao Cyrino, quando ele comentava sobre os mistérios desse conceito chamado "felicidade".
Por conta dessa cirurgia, entende-se que essa atleta possa correr centenas de quilômetros sem que sinta exausta, simplesmente porque sua mente ignora a distância acumulada e lhe dá apenas as lembranças dos quilômetros mais recentes.
Você pode ter visto a matéria e achado que ali estava uma pessoa especial.
Certamente.
Mas, guardadas as devidas proporções, isso não é incomum.
E se fossemos também assim?
Será que a nossa memória é tão mais elástica que a dessa atleta?
No último texto que consegui emplacar no MundoTri vai uma discussão que julgo bacana sobre nossas lembranças e memórias.
A "dor" era o objetivo principal do texto, mas apenas o mote para uma descoberta que achei fascinante - nosso registro do passado não é fiel como um filme em relação ao seu roteiro, mas trechos imperfeitos de uma história imperfeita.
Há vários testes que poderiam mostrar que os objetos que estão no nosso entorno não são representados na nossa mente tal como eles de fato existem na realidade. As cores que você vê nesse blog, por exemplo, são apenas representações possibilitam a você distinguir entre os objetos na página.
Mas não é esse o objeto principal dos textos do Daniel Kahneman - a questão dele não é apenas descrever a relação entre o nosso cérebro e os objetos distribuídos no espaço, mas apontar a fragilidade dos nossos julgamentos sobre temas sobre as quais não teríamos qualquer sombra de dúvidas.
A forma como julgamos o passado nos dá a ilusão de que nós o compreendemos.
Mas isso não é uma verdade.
Essas descobertas por vezes abalam o julgamento que fazemos das coisas. Você acha, mas apenas acha, que domina todos os fatos.
Mas a experiência humana é assim, rica e contraditória e sempre um assunto delicado pois estamos falando de nós mesmos.
Eu mesmo, quantas vezes me questiono se realmente gostaria de saber certas coisas.
Talvez nosso maior pecado não seja a falta de compreensão sobre tudo o que a vida nos traz, mas a excessiva confiança no que julgamos saber sobre ela.
Alguns dos textos que saem do Mundotri são apenas tentativas de tornar conhecidos esses paradoxos. Eu tento reportar isso de forma acessível para um público que gosta de triathlon com a linguagem desse público.
Portanto, nada disso é meu.
Para aqueles que querem a "pílula vermelha", recomendo "Rápido e devagar, duas formas de pensar", livro que parece aqueles trabucos de auto-ajuda que você encontra aos montes em livraria de aeroporto, mas que resume as teorias de um Prêmio Nobel de Economia ao longo de uma vida notável como acadêmico e pesquisador.
Mas é um texto impactante. Não é de leitura difícil e muito menos inacessível, só que não vá esperando um texto em que você lê uma vez e põe de lado.
O vídeo abaixo é a palestra que esse senhor simpático e divertido fez no TED e tem como tema o texto que acabei de disponibilizar no MundoTri. Apenas tive a oportunidade de repassá-lo ao Cyrino, quando ele comentava sobre os mistérios desse conceito chamado "felicidade".
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