quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Dash 113

Depois do 70.3 de Vegas tinha me decidido que, em termos de provas, 2013 já tinha acabado.

Não tinha hipótese. Nenhuma. No way....

Faltando coisa de 30 dias para o Dash 113 estava lá eu com a inscrição na mão.

Sentiu a firmeza? ;-)

O Rodrigo achou que a gente não precisava mexer na planilha "relax" do segundo semestre, já que havia a bagagem e treinos de manutenção relativamente calibrados para o final do ano.

E também dei uma "maria vai com as outras" porque, no fundo, eu queria ir.

Quando olhei a lista de inscrição estava lá um turma que interage muito pela Internet, mas que se encontra pouquíssimas vezes.

Nem vou me aventurar a escrever o nome das pessoas todas, porque certamente vai ficar gente de fora e não vou me perdoar depois...

Outra coisa era dar um tempo no trabalho - um tiquinho de folga na loucura.

Funciona pra mim como uma imersão de três dias em que eu consigo deixar um pouco os problemas para trás - mesmo que colocando outros na frente, já que participar de um meio-iron, bem...

Participar de um meio-iron....dói!

Pois não adianta dizer que a gente faz inscrição para "curtir a prova".

Eu já sabia que seria sofrido.

Estou nadando todo dia, mas fazendo treinos curtos de corrida na esteira e muito rolo, pois bike, mesmo, só três treinos longos no final de semana entre setembro e a prova.

O resultado foi um misto dessa preparação, uma displicência que me não deixa e um pouco de azar.

Nadei 1.900 metros para coisa de 33 minutos, mas mais importante que o tempo foi o fato de ter me sentido bem nadando no bolo. A gente treina muito em piscina ou em águas abertas com pouca gente e, é óbvio, não há como simular uma largada de triathlon com aquele aperto e a pancadaria geral.

Até a primeira bóia foram todos juntos e, a partir dai, a natação começou a fluir. O mar estava flat, não havia correnteza, a sinalização era boa e o percurso tinha apenas uma perna.

Meu problema começou quando fui tirar o Wetsuit. Desde de quando comprei o meu, não cortei a borracha na altura do tornozelo, deixando-o mais curto. Quando vou tirar é uma dificuldade impressionante.

Preguiça, óbvio. Já era para eu ter resolvido isso faz tempo, só que fico sempre adiando porque a próxima prova ainda está longe e assim vai....

Fiquei lá esperneando no chão tentando soltar as pernas. Quando finalmente consegui, tive vontade de ficar pulando em cima dela e depois dar uma bica naquela #@#$%$#...

Mas eu tinha que me mandar para a estrada.

O pedal é ótimo. É um trecho bem conhecido para quem já fez o Iron de Florianópolis.

E rápido, sem dúvida.

Há predomínio dos trechos planos, poucos rolling hills e uma ou outra subida.

Vento? Tem.

Mas pedalar e reclamar do vento é quase o mesmo que nadar e ficar falando mal da água.

Agora, é fácil?

Depende. Para quem faz força, garanto que não é.

Tive um contratempo quando o shift que regula o câmbio foi para o espaço e pedalei boa parte da prova no Big Gear, na relação mais pesada.

Tudo bem, eu já estava pedalando assim. Mas sabe o que atrapalha?

A gente perde a concentração tentando entender o que aconteceu, depois tenta resolver o problema puxando algo aqui e ali e, finalmente, fica pensando se em algum momento a coisa vai piorar.

Consequentemente, o ritmo de prova cai.

Passei em um posto e achei um mecânico, o Adriano, que me ajudou com a resolver o problema rapidamente. Dali em diante, tentei um prova de recuperação, pois tinha como meta tentar algo em menos que 2:30.

Consegui 2:26. O percurso tinha 88k e achei de bom tamanho.

Sai para correr com as pernas soltas, mas no último terço o ritmo caiu bastante porque eu estava sem preparo para fazer a prova no ritmo que gostaria e devo ter perdido muito sal também, já que minha roupa estava branca. E sentia meu corpo quente como nunca senti....

Os dois últimos quilômetros doeram demais. Fiquei pensando ali, naquele momento, que bom que não estava em um Iron....

Fechei a meia em 1:46 e a prova em 4:55, o que deu um oitavo lugar na categoria.

Em termos de resultado, foi bacana, pois qualquer coisa nessa distância em menos de cinco horas me deixa feliz.

Mas também soou um alerta: tenho que treinar mais até maio e deixar de ser tão displicente.

Sobre a displicência, o Rodrigo fica uma arara com isso.

E, de fato, ele tem razão - sempre acho que uns minutinhos aqui, outros ali, não fazem diferença.

Mas fazem. Quando consultei os resultados, vi que poderia ter uma classificação muito melhor se simplesmente tivesse tirado a roupa de borracha mais rapidamente.

Isso é reflexo da minha mentalidade, da dificuldade de mudá-la.

Eu tenho 14 provas com a distância de meio-iron e, a grande maioria delas, com um tempo na casa das 5:20.

Na minha categoria esse tempo não torna você uma pessoa competitiva.

Entretanto, quando eu passei a fazer a prova em menos de 5 horas isso se tornou algo mais próximo da realidade.

O problema é que isso não entra na minha cachola amadora. Então não me esforço para dar conta dos detalhes que podem fazer a diferença.

Sobre a prova....

Houve erros em pontos simples: faltou água em alguns postos e copos em outros (teve gente que pediu para beber refrigerante no gargalo da garrafa) e a coca-cola tinha gás.

Os cones na corrida tinha um trajeto confuso em vários pontos e a gente batia cabeça aqui e ali com quem vinha na direção contrária. Também fiquei cismado com os carros, pois havia cruzamentos sem ninguém da organização para orientar os motoristas.

Foram fornecidos três chips. O que ficava na perna rodava o tempo inteiro no tornozelo e incomodou. 

A cada volta na corrida, recebiamos espátulas para colocar no braço. Eu nunca tinha visto aquilo e não tinha idéia de como funcionava. Fiquei segurando até ver que descobrir que ao bater no braço ela se transformava em uma pulseira.

Parece bobagem, mas quando falta oxigênio no cérebro, acender fósforo parece tão difícil quanto resolver um cubo mágico.

Bom, seria legal ter também uma equipe para ajudar a tirar o Wet.

Não houve separação entre o tempo da T1 e da natação e os tempos dos penalizados (não sei se de todos eles) foi somado ao total - o que distorce um pouco as médias por categoria.

Mudaram algumas coisas que estavam previstas e houve alguns problemas de comunicação, tal como o cancelamento das largadas por ondas e a disposição das bóias no mar.

Mexer no regulamento é uma possibilidade prevista no próprio regulamento, mas as informações devem ser claras.

Quando, por exemplo, pedi para me ajudarem a tirar o wet, o staff me informou que não era permitido - só que o regulamento da prova não diz se é ou não é.

Mas o que me deixou mais cismado foi não ter visto a fiscalização na segunda parte do pedal, o que gera dúvidas se a quantidade de penalizações foi justa ou não.

A organização falava em desclassificação para a elite e cartões de advertência e desclassificação para amadores - mas vi alguns pelotões (grandes e pequenos) e nas duas vezes que me lembro de ter cruzado com o pro-masculino, eles estavam agrupados.

Já entre as meninas,  tive impressão oposta.

Agora, os pontos positivos: preço, kit excelente, jantar de massas muito bom, exposição sobre a prova no Congresso técnico didática e detalhada.

Vale o elogio pelos aplicativo criado para celulares, assim como foi positivo o uso do Penalty Box e o teste antidoping, pois tecnologia e provas limpas tem uma caminho bacana e certamente serão um diferencial importante.

O evento lembra um pouco Pucon no que se refere as facilidades de locomoção em torno do Hotel e o percurso todo dá gosto de fazer.

Mas talvez o ponto mais forte do Dash 113 é que ele pode ser o laboratório de testes ideal para quem planeja fazer o Iron em Florianópolis. Você terá uma amostra do ambiente da prova, vai entender melhor o percurso e poderá ainda se inteirar rede de serviços que terá ao seu dispor durante o tempo que ficará por lá.

Agora é tocar a agenda de 2014. A próxima é o Internacional de Santos.

Não, minto.

A próxima é arrumar essa %$#@#$ do wetsuit

7 comentários:

Kleber Corrêa disse...

Bessa, você fez uma puta prova, e quem sofreu fui eu por ter que te aguentar.

Que venha a próxima.

Grande abraço meu amigo.

Gustavo Abrell disse...

Fala Bessa !

Só comentando sobre fiscalização na segunda parte do pedal, apesar de não ter outros parâmetros para afirmar, mas só na mina roda, saíram 4 cartões amarelos, na segunda parte da prova.

O pessoal já cansado, grudou no vacuo e quando menos esperava, passava a motinho buzinando e sinalizando o cartão.

[]´s

Pablo Bravo disse...

Show de prova!

3 ATHLON NA VEIA disse...

Vagner,
Cheguei hoje (ontem bem tarde).
Foi um prazer te conhecer pessoalmente.
Vou postar algumas coisas sobre a prova.
Parabéns, excelente prova.

Marcelo Penna disse...

Grande Bessa, mais uma vez foi um enorme prazer sua companhia. Acho que o que realmente faltou para destruir definitivamente na prova foi comer aquela pizza com ketchup. Abração.

Andre Cruz disse...

show de resultado bessa e de post.
abs

Emiltri disse...

Parabéns pela prova e arruma o wetsuit, se esse é o problema. Por que ficar clamando por staff não combina com um esporte individual. Mete o pé!!
Abrax.