quinta-feira, 16 de maio de 2013

IM Texas Reloaded


Bem....

Depois de uma viagem longa e em meio a vários desencontros estou eu aqui e as coisas seguem porque, como diz aquela frase "aí de mim se não fosse eu".

As duas semanas do polimento foram tão complicadas mental do que fisicamente que os treinos pesados. Eu não consigo curtir essa fase. Esse ano em todas as provas que fiz não teve polimento e gostei do resultado final.

Mas, tudo bem - as provas não eram pra valer no sentido que não eram provas foco.

Então também não me sentia "cobrado" - apesar de estar fisicamente um tanto cansado, mentalmente as coisas eram fáceis.

Agora não. No polimento a balança inverteu.

Esse ano somatizei uma tensão que conscientemente eu não percebia.

Exemplos...

Tive tosse seca e um problema na garganta, uma "bolha" que não me deixava engolir nem água direito.

Amigo meu, médico,  disse que a tosse era questão de mudar o clima. Choveu um pouco e melhorou - embora ela esteja aqui comigo até agora, fraquinha.

Sobre a dificuldade de engolir, não havia Infecção e gânglios inchados no pescoço. Ele me disse que o lance era estresse. Que cada um coloca isso pra fora de um jeito e que de um dia pra outro essa bolha sumiria.

Quase pulei do pescoço dele aos gritos dizendo que era impossível eu estar estressado. ;-)

Mas não é que foi do jeitinho que ele falou?

Só que não era estresse. É angústia.

O modo de lidar um pouco com o desconforto foi, primeiro, escrever esse blog. Poucas pessoas sabem como escrever ajuda. Porque fico pensando em um leitor com quem eu converso. E esse tipo de dialogo não é quando estou na frente do computador, mas quando estou fazendo coisas triviais.

A outra alternativa seria falar sozinho na rua. Que tal? :-)

Nesse sentido, pensar que existe alguém ai do outro lado me dá uma certa sanidade e se há pessoas que tiram algum proveito desses blog, vou confessar que proveito maior tenho eu delas.

Sendo assim, obrigado.

Outra saída foi trabalhar até o ultimo momento e adiar o pensamento sobre a prova treinando todos os dias  - treinei até a manhã do vôo e só arrumei as malas duas horas antes de sair de casa.

Aí vc vai dizer eu sou doido, que certamente iria esquecer alguma coisa.

Bom, eu iria esquecer "alguma coisa" do mesmo jeito...

Poderia levar quatro horas arrumando tudo, mas certamente iria deixar algo para trás.

E, olha, mesmo sendo uma viagem internacional, estou levando a mesma bagagem que levaria para Caiobá. Apenas algumas peças de roupa a mais.

Ano passado eu trouxe um arsenal que daria para ir a dois casamentos e fazer uns três Irons sem precisar comprar um gel.

Pensei que não poderia agir do mesmo jeito. Se eu vou nadar, pedalar e correr eu preciso de coisas para fazer apenas isso. Já escrevi sobre isso: se a gente fica muito preocupado com as coisas que cercam a prova só arruma mais motivo para ficar preocupado.

E, nossa, com é bom simplificar - uma mala  a menos se comparado com essa mesma prova em 2012.

Conversei um pouco com o Rodrigo sobre essa angustia. Até porque eu nunca me senti assim antes, nem ano passado, em que eu desconhecia totalmente a prova.

Disse para ele uma história que já contei aqui.

No primeiro Iron, o Vinnie chamou a mim e o Ronaldo de lado e, apontando para uma mesa onde estavam o Topan, o Leonardo, Bruno Góes entre outros disse algo mais ou menos assim "Eles devem ficar preocupados com os detalhes porque querem disputar a prova em outro nível. Vocês dois não precisam pensar em nada além de vencer a distancia".

Claro que eu hoje não tenho pretensão de fazer a prova no nível desses caras. Mas também não estou mais naquela fase "confortável" dos primeiros Irons quando vc se acomoda dentro coisas que são perfeitamente razoáveis ao longo do tempo, como vencer a distancia, primeiro, e terminar a prova em menos de 11 horas, depois.

Por isso a resposta do Rodrigo foi "olha, mas vc tá angustiado porque agora pode almejar  um desempenho pessoal melhor?  Aposto que também não era feliz quando olhava os caras na outra mesa e pensava que estava a milhões de anos luz deles..."

Pois é, eu gosto do Rodrigo porque ele não diz uma verdade fácil e nem tem a pretensão de me dar "respostas".

 Até porque, de fato, quem tem que resolver as coisas sou eu.

Como leio esse texto dele?

Pois é, é exatamente disso que se trata, de se sentir assim.

Portanto, o que pega não é a história do ano passado, mas o fato de já ter alcançado alguns objetivos e que esse ano treinei mais e melhor que em todos os outros - portanto, me cobro mais.

E a cobrança pessoal é uma serpente dentro da gente.

No fundo, eu sei que estou preparado. Eu sei que tenho experiência. Eu sei que  não devo me cobrar. Eu sei que devo me divertir.

Eu sei tudo e não adianta nada.

Porque sentimentos não se refutam. Você pode ou não aceitar idéias, mas sentimentos como a angústia são diferentes. Diferentemente do medo, para o qual existe um perigo real, a angústia é um perigo imaginário que não tem um objeto claro. A gente apenas sente....

E qual a alternativa senão conviver com ela?  Qual a alternativa senão tomar fôlego e atravessa-lá?

Como li no avião, o melhor antídoto contra a angústia é a realidade. E a realidade será em um dia de ventania, quente, abafado e sofrido.

Vamos a ele.













6 comentários:

Ulisses Franceschi Eliano disse...

Vagnão, como sabe, com esta questão de polimento eu não tenho problema como você, mas nesta questão de ter ido mais longe e agora estar se cobrando mais, somos simplesmente idênticos. Me identifiquei com cada palavra que escreveu nesse sentido. Neste sentido, portando, não sei se sou um bom conselheiro. O que eu sei é que vc está treinado, fez sua lição de casa e com certeza tem a sua estratégia de como encarar a prova na cabeça, já que a mentalizou por horas e horas de treino. Portanto, sem mistério. Sofra esta angústia da cobrança, como disse é algo que não se esquece, mas na hora lá, não tem muito mistério, a não ser limpar a mente e seguir o que treinou. Simples assim. Boa sorte cara! estamos na torcida! E se algo der errado, alguma coisa te frustrar, numa boa, FODA-SE! A nossa vida está cheia de glórias e fracassos. Tenho certeza que tem muitas outras vitórias que pode se apoiar em momentos difíceis. Não será o fim do mundo!

Hugo Leonardo disse...

eu adoro sentir essa angústia.... Rsr Boa prova....

Wladimir Azevedo disse...

Vc esta no seu momento... no seu melhor momento... então, deixa rolar e veja o q vai dar!!! Seja o resultado que for, só em estar ai e encarar, vc já esta sendo melhor do q antes. Abcs e boa prova.

Rafael Pina Pereira disse...

Bessa meu amigo, presta atenção: você vai fazer uma prova excelente.

Ok, dito isso, agora vamos lá: cara, esse texto me fez pensar bastante também viu ?! A gente às vezes acredita mesmo em nós mesmos do que os outros. Você treinou como nunca, teve resultados excelentes. Eu mesmo tenho ouvido coisas que luto em não acreditar, fico discutindo com os outros que eu é que não vou conseguir fazer tal coisa, porque pra quem tá de fora parece tão claro que dá... Mas quer saber ? O que pode dar errado ? Põe a mira lá onde você acha que dá e dane-se. Vai com tudo. O pior que pode acontecer é não dar certo, mas se você fizer o seu melhor nas condições do dia, a vitória é sua. Por isso que sempre digo, chegar na linha de largada que é o capeta.

Agora na prática, você vai arrebentar. Tá com um pedal animal, fez uma corrida absurda em caiobá, tá com a cabeça de ferro e quer dar o troco nessa prova. Vai com tudo.

Tô na torcida, manda esse número aí pra eu não ter que procurar sábado pra acompanhar a coisa online.

ciro violin disse...

Tudo o que passamos é aprendizado e, uma das evoluções é aprender com erros.

Penso que algumas pessoas deveriam prestar -muita- atenção na parte que vc diz levou pouca bagagem e que qto mais coisas, mais preocupações.

Se vc fizer o mesmo desempenho do ano passado, isso não interessa!
A evolução já ocorreu mesmo antes da prova.

Menos é mais!

Boa prova

Joka disse...

BOA PROVA GUERREIRO !!!!!!